Greve do transporte coletivo em Campo Grande (MS) chega ao terceiro dia nesta quarta-feira (17)
Publicado em: 17 de dezembro de 2025
Justiça impõe operação mínima, mas motoristas rejeitam retorno e paralisação continua
ARTHUR FERRARI
A paralisação dos motoristas do transporte coletivo de Campo Grande (MS) entrou no terceiro dia nesta quarta-feira (17) sem previsão de normalização do serviço. Mesmo após audiência de conciliação realizada na terça-feira (16) na Justiça do Trabalho, os trabalhadores decidiram manter a greve, e os ônibus do Consórcio Guaicurus seguiram fora de circulação na capital sul-mato-grossense.
O impasse persiste desde segunda-feira (15), quando a cidade amanheceu sem atendimento do transporte coletivo. A mobilização foi mantida após reunião entre representantes dos funcionários e da empresa, sem acordo para o pagamento de salários atrasados referentes ao mês de novembro e do 13º salário.
Durante a audiência judicial, que reuniu a prefeitura, o consórcio e o STTCU-CG, a Justiça determinou a retomada do serviço a partir desta quarta-feira, com operação mínima escalonada. A decisão estabeleceu circulação de 70% da frota nos horários de pico da manhã e da tarde, e 50% nos demais períodos. Também foi fixada multa diária de R$ 200 mil ao sindicato em caso de descumprimento.
Mesmo com orientação da direção sindical para o retorno às atividades, a categoria optou por manter a paralisação. No momento em que a decisão judicial foi anunciada, os motoristas deixaram o plenário, sinalizando a rejeição à proposta.
Segundo informações apresentadas na audiência, o valor necessário para quitar os débitos com os trabalhadores é de R$ 1,3 milhão. Tanto o consórcio quanto a prefeitura informaram não dispor de recursos para efetuar o pagamento imediato, e não houve acordo sobre esse ponto.
A Prefeitura de Campo Grande sustenta que não possui pendências financeiras com a concessionária. O município afirma que, por meio da Agereg e da Procuradoria-Geral, todos os repasses contratuais foram realizados, incluindo a antecipação de cerca de R$ 3 milhões para tentar evitar a greve. A administração municipal informa ainda que mais de R$ 35 milhões foram transferidos ao consórcio em 2025, somando subsídios e valores de vale-transporte, e considera o movimento grevista abusivo e ilegal.
A Agereg também aponta descumprimentos contratuais por parte do Consórcio Guaicurus, como frota envelhecida, com 197 ônibus acima da idade média permitida, além de atrasos na contratação de seguro obrigatório. De acordo com a agência, multas que totalizam R$ 12 milhões já foram aplicadas, com novas penalidades em análise.
Sem consenso entre trabalhadores, empresa e poder público, milhares de usuários seguem prejudicados, enquanto o transporte coletivo permanece totalmente paralisado em Campo Grande.
Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte

