Eletromobilidade

São Paulo empenha R$ 109,9 milhões para 55 ônibus elétricos da Sambaíba e Transppass

Notas de Reserva confirmam aquisição de veículos Padron e e-Básico para a frota de 2025

ALEXANDRE PELEGI

A Prefeitura de São Paulo autorizou o empenho de R$ 109,9 milhões para ampliar a frota de ônibus elétricos do sistema municipal em 2025. Os recursos contemplam as concessionárias Sambaíba Transportes Urbanos Ltda. e Transppass Transportes de Passageiros Ltda., que juntas passarão a incorporar 55 novos veículos 100% elétricos aos lotes que operam na capital.

Os empenhos integram o programa municipal de eletrificação, previsto em contrato e amparado pela Lei Municipal 16.802/2018, que estabelece a substituição progressiva da frota a diesel por tecnologias menos poluentes.

A nova liberação ocorre após outro repasse superior a R$ 100 milhões, destinado a A2 Transportes, Norte Buss e Auto Bless para a compra de 53 ônibus elétricos, reforçando o ritmo da transição energética no transporte coletivo paulistano.

Sambaíba terá 5 novos ônibus elétricos

A Sambaíba foi contemplada com duas Notas de Reserva destinadas à aquisição de ônibus elétricos do tipo Padron:

• Lote E2 — 3 ônibus elétricos Padron

Valor: R$ 5.994.637,44

• Lote AR2 — 2 ônibus elétricos Padron

Valor: R$ 3.996.424,96

No total, a empresa receberá R$ 9.991.062,40 para incorporar 5 veículos não poluentes à frota de 2025.

Transppass incorporará 50 ônibus elétricos

A Transppass concentra a maior parte dos recursos autorizados pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT), com três frentes de subvenção dentro do programa de eletrificação:

• Lote E8 — 3 ônibus elétricos Padron (13 m)

Valor: R$ 5.994.637,44

• Lote E8 — 30 ônibus elétricos e-Básico

Valor: R$ 59.946.374,40

• Lote AR9 — 17 ônibus elétricos Padron (13 m)

Valor: R$ 33.969.612,16 (Nota de Reserva nº 101.770/25, de 12/11/2025, emitida para a eletrificação da frota 2025 – Transppass, Lote AR9)

Somados, os empenhos para a Transppass totalizam R$ 99.910.624,00, com 50 novos ônibus elétricos previstos para entrar em operação em 2025.

O montante soma R$ 109.901.686,40, exclusivamente voltados à compra de 55 ônibus elétricos que integrarão a frota gerenciada pela SPTrans em 2025.

Esses recursos se somam aos repasses recentes a outras concessionárias, ampliando o volume total de investimentos para a redução de emissões e consolidando a eletrificação como eixo central da política de mobilidade da capital.

Valores

O objetivo é cumprir as metas previstas na legislação municipal e no Programa de Eletrificação da SMT, que busca reduzir significativamente a poluição atmosférica e as emissões de gases de efeito estufa no transporte público paulistano.

Como mostrou o Diário do Transporte, no dia 24 de julho de 2024 a prefeitura reajustou a tabela dos preços dos ônibus elétricos e a diesel dos diferentes modelos que rodam no sistema de transporte coletivo da capital.

Mas em junho deste ano a prefeitura de São Paulo passou a pagar valores maiores para subsidiar às viações da capital paulista a compra de ônibus elétricos.

Os novos preços de referência já foram oficializados, são retroativos a maio de 2025 e a mudança ocorre por causa da correção de preços deste tipo de veículo que podem ser até três vezes maiores que os valores de modelos similares movidos a óleo diesel.

Pelas regras em vigor, a prefeitura banca a diferença entre os preços dos modelos a diesel e os modelos elétricos.

Em relação aos valores da tabela anterior, os desembolsos do poder público podem ser quase 8% maiores, mas há casos em que houve até redução.

São seis tipos de ônibus, de acordo com o tamanho: midi (micrão) – até 10 metros de comprimento, básico – até 12 metros de comprimento, padron – até 13,5 metros de comprimento, articulado de 18 metros e articulado de 21 metros (superarticulado).

Ônibus Midi

Diesel: R$ 496.672,78 → R$ 536.019,42 (+7,9%)

Elétrico: R$ 2.375.749,65 → R$ 2.563.957,60 (+7,9%)

Diferença: R$ 1.879.076,87 → R$ 2.027.938,18 (+7,9%)

Ônibus Básico

Diesel: R$ 513.281,08 → R$ 553.943,44 (+7,9%)

Elétrico: R$ 2.537.756,33 → R$ 2.472.436,50 (-2,6%)

Diferença: R$ 2.024.475,25 → R$ 1.918.493,06 (-5,2%)

Padrón 12m

Diesel: R$ 742.076,32 → R$ 800.863,94 (+7,9%)

Elétrico: R$ 2.707.079,45 → R$ 2.799.076,42 (+3,4%)

Diferença: R$ 1.965.003,12 → R$ 1.998.212,48 (+1,7%)

Padron 15m

Diesel: R$ 878.227,79 → R$ 947.801,39 (+7,9%)

Elétrico: R$ 3.057.222,93 → R$ 3.105.820,15 (+1,6%)

Diferença: R$ 2.178.995,14 → R$ 2.158.018,76 (-1,0%)

Articulado 18m

Diesel: R$ 1.299.496,38 → R$ 1.402.443,06 (+7,9%)

Elétrico: R$ 4.113.767,82 → R$ 4.439.662,35 (+7,9%)

Diferença: R$ 2.814.271,43 → R$ 3.037.219,29 (+7,9%)

Articulado 21m

Diesel: R$ 1.335.444,10 → R$ 1.441.238,58 (+7,9%)

Elétrico: R$ 4.170.365,64 → R$ 4.500.743,88 (+7,9%)

Diferença: R$ 2.834.921,54 → R$ 3.059.505,30 (+7,9%)

As viações terão de fornecer à SPTrans cronograma de substituição de modelos a diesel por elétricos até 31 de agosto de cada ano.

A parcela do ônibus a ser subvencionada não poderá ser superior à diferença entre os preços de referência do ônibus elétrico e do ônibus a diesel.

Próximos passos

Com os recursos empenhados, as empresas deverão avançar na formalização dos contratos de aquisição junto aos fabricantes. A previsão é de que parte desses veículos seja entregue a partir de 2026, acompanhando o cronograma de eletrificação definido pelo município.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Os preços contínuam nas nuvens, e caminhando em direção às estrelas.
    Mesmo com a produção já em escala industrial, os valores “teimam” em não baixar. Pelo contrário:
    – O preço do eletrico varia de 3 a até 5 vezes mais caro que o similar Euro-6.
    – Paga-se por um midi elétrico cinco vezes mais que o similar Euro-6. Ou quase o dobro do que custam dois enormes articulados Euro-6.

    Nesse patamar de valores, não é justo que os governos subsidiem as compras de elétricos e nem mesmo que isentem impostos.

    Se por um lado as novas tecnologias justificam preços maiores, por outro lado elas não podem justificar preços abusivos!

  2. Rodrigo Zika disse:

    Preços altíssimos, duvido que em países desenvolvidos seja tão caro atualmente.

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