Mongaguá (SP) anuncia reajuste de R$ 0,50 na tarifa do transporte coletivo após seis anos sem alterações

Valor passará de R$ 3,80 para R$ 4,30 a partir de 3 de novembro; Prefeitura alega necessidade de reequilíbrio contratual com a Ação Transportes, atual concessionária do sistema municipal

ALEXANDRE PELEGI

A Prefeitura de Mongaguá, cidade localizada no litoral sul do estado de São Paulo, na Região Metropolitana da Baixada Santista, anunciou que a tarifa do transporte coletivo municipal será reajustada em R$ 0,50 a partir do dia 3 de novembro de 2025, passando de R$ 3,80 para R$ 4,30. O aumento, correspondente a cerca de 13%, ocorre após seis anos sem qualquer atualização tarifária.

Com pouco mais de 61,9 mil habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, e uma área de 142,7 km², Mongaguá é um dos nove municípios que compõem a Baixada Santista, região de forte vocação turística e populacionalmente dependente dos sistemas de transporte público para os deslocamentos diários.

O serviço municipal de transporte coletivo é operado pela Ação Transportes Urbanos, empresa que assumiu o sistema em 2018 após o encerramento do contrato com a antiga Viação Beira Mar, que havia operado o transporte local por cerca de 30 anos. A Ação começou de forma emergencial, com uma frota composta por 13 ônibus, dois micro-ônibus e dois veículos reservas, e é atualmente a concessionária responsável por todas as linhas que conectam os bairros da cidade, além de integrar rotas que se conectam a Itanhaém e Praia Grande.

De acordo com a administração municipal, o reajuste foi necessário para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro do contrato, já que as gestões anteriores deixaram de aplicar as revisões previstas anualmente. Esse atraso acumulado teria causado desequilíbrio nas contas da concessionária e poderia gerar passivos para os cofres públicos.

Outro fator destacado pela Prefeitura é que Mongaguá não concede subsídios ao transporte público — ao contrário de outras cidades da região —, o que faz com que a operação dependa exclusivamente da arrecadação tarifária para cobrir custos de combustível, manutenção e pessoal.

Apesar da necessidade de correção, o município afirma que continuará exigindo da empresa melhorias na qualidade do serviço, com atenção à frequência das viagens, ao estado de conservação da frota e ao cumprimento das gratuidades legais e benefícios a estudantes, idosos e gestantes em acompanhamento pré-natal.

A decisão foi acompanhada da criação de uma comissão para apurar eventuais irregularidades no contrato de concessão, especialmente relacionadas à falta de reajustes em períodos anteriores. Segundo o procurador-geral do município, Sandro Abreu, o aumento é “uma medida legal e contratualmente obrigatória”, e a omissão de revisões tarifárias por parte de administrações passadas agravou a situação, tornando inevitável o reajuste atual.

Mesmo com a nova tarifa, Mongaguá ainda permanecerá entre as cidades com o menor valor de passagem da Baixada Santista. Atualmente, as tarifas em municípios vizinhos variam entre R$ 4,20 em Itanhaém e R$ 5,50 em Bertioga, passando por R$ 5,25 em Santos e Praia Grande.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. ELENE APARECIDA FRANCO disse:

    Infelizmente, não entendo o reajuste, porque não tem ônibus, os alunos ficam por uma hora esperando ônibus em frente a Etec Adolfo, para se locomover para o Regina Maria, e estão chegando atrasados em aula. Triste demais 😞

  2. Silverlene disse:

    Isso é um roubo, assalto a mão desarmada, a cidade que era conhecida pela passagem mais barata, agora é a mais inviável, não tem nem distância para cobrar tão caro, fora que não há concorrência assim fica abusivo

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