VÍDEO: Busscar vislumbra ônibus elétrico para fretamento e comemora quedas de barreiras com Argentina
Publicado em: 30 de setembro de 2025
Segundo diretor comercial da Busscar, Paulo Corso, a Adamo Bazani, biometano seria até mais factível para rodoviários
ADAMO BAZANI / ARTHUR FERRARI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA
As mudanças e regras do mercado entre Brasil e Argentina, envolvendo veículos comerciais pesados, trará bons resultados para a indústria brasileira de ônibus. E já novos negócios estão sendo abertos. Quem revela ao repórter Adamo Bazani, do Diário do Transporte, é o diretor comercial da Busscar em todo o Brasil, Paulo Corso, que diz que as exportações, principalmente de ônibus de dois andares de alto padrão, para a Argentina tendem a aumentar.
Hoje, as exportações para países latino-americanos e um pouco para o continente africano representam, para Busscar, 15% do volume geral da marca. Somente em Double Decker devem ser comercializados mais de 60 unidades de ônibus de dois andares. Nos demais da família NB1, quase 200.
Paulo Corso diz que o foco agora são as negociações com a Argentina. Com essa queda de barreiras, já são vislumbrados novos negócios pela marca Busscar, mas também por outras no mercado brasileiro. Com um diferencial, a Argentina já tem o padrão de usar ônibus de dois andares, rodoviários de alta categoria, até para curtas distâncias, o que significa exportações não apenas de ônibus em si, mas de ônibus de alto valor agregado, menos poluente.
Na conversa com Adamo Bazani, Paulo Corso também falou sobre as perspectivas de alternativas ao óleo diesel para o transporte de fretamento e rodoviário. Segundo o diretor da Busscar, a empresa vislumbra esta realidade um pouco mais para o futuro. No entanto, já vê e trabalha no movimento de ônibus elétricos para fretamento, principalmente dentro de indústrias, áreas urbanas e circuito fechado, o que também influenciaria na indústria nacional de carrocerias.
Entretanto, para longas e médias distâncias, ainda a infraestrutura seria um obstáculo. Paulo Corso acredita que o biometano, gás obtido da decomposição do lixo, poderia ser mais viável para o rodoviário de média distância e para o fretamento eventual, como para locais turísticos e religiosos.
Paulo Corso revelou grandes vendas para o grupo Comporte, novidades na União e viação Piracicabana, e ainda falou que a versão 400 da família NB1 começa a ser produzida comercialmente até abril de 2026.
Para ônibus de motor dianteiro de fretamento e turismo da família NB1, o lançamento será num segundo momento.
A conversa ocorreu durante o evento Fretamento 2025, promovido pela FRESP, a federação que representa as indústrias de fretamento do estado de São Paulo, e pela ANTTUR, a associação nacional das empresas do setor.
Relembre:
Confira a entrevista na íntegra:
ADAMO BAZANI: O Diário do Transporte conversa com o diretor comercial da Busscar, Paulo Corso, que está aqui no evento Fretamento 2025, feito pela FRESP, a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo, e a ANTTUR, a associação que representa todo o país. Começando pelo segmento de fretamento, que é a tônica desse evento. Um segmento importante para a Busscar, né?
PAULO CORSO: Olha, o segmento de fretamento é importante há muitos anos já para o setor todo de ônibus. Não seria diferente para a Busscar, claro. A gente também tem os nossos produtos que atendem o fretamento, e uma parte de 30%, 35% da nossa produção acaba sendo para o setor de fretamento. Sem contar o fretamento de ônibus mais luxuoso, que aí é o fretamento para agências de viagem, que é nessa categoria de Double Decker, ônibus mais sofisticados. Mas é um segmento super importante para todas as encarroçadoras, e não é diferente para a Busscar.
ADAMO BAZANI: A gente está, inclusive, no DD da família NB1, que é a família mais nova da Busscar, e família que vai crescer. Havia uma estimativa de lançamentos para esse ano, mas provavelmente em 2026 haverá esses lançamentos, né?
PAULO CORSO: Certo. Nós, como já havíamos conversado no passado, na LAT.BUS, etc., nós lançamos a família do NB1, por enquanto, no 345, que são feitos em motores traseiros de qualquer uma das fabricantes de chassi. Nós fizemos o 365, que igualmente é nos motores traseiros dos fabricantes de chassi. Lançamos o Double Decker na feira e começamos a produzir agora, em 2025, a partir de março, que foi a introdução na linha de montagem. Já tem bastante produtos andando pelas estradas do Brasil. A Penha, o Grupo Comporte, enfim, que nós temos uma parceria já de três anos com eles. Então, tem a União, que vai sair daqui a pouco.
ADAMO BAZANI: Inclusive, um número importante.
PAULO CORSO: São em torno de 400 ônibus de diversas categorias. Para o Grupo Comporte. Double Decker, 345, 365, o fretamento EPFT.
ADAMO BAZANI: E vai ter NB1 DD Panorâmico, a gente já tem, por exemplo, na Penha.
PAULO CORSO: Na Penha já está rodando.
ADAMO BAZANI: Pintura bonita, preta e branca. E vai ter em outras empresas o NB1 DD também, né?
PAULO CORSO: Vai ter na Piracicabana, na União e, provavelmente, no Expresso de Prata, que também vai ter. Então, vai ter no Grupo Comporte praticamente em todas as empresas.
ADAMO BAZANI: Expresso de Prata, que é já tradicional, desde quando era do antigo grupo, já é tradicional também, cliente da Busscar. A gente fez a matéria dos 79 anos. A foto foi um histórico e o outro atual da Prata.
PAULO CORSO: O Expresso de Prata, ele era comprador Busscar, claro. Na época também, às vezes, variava um pouco, mas era também comprador de Busscar. E agora, com a inclusão dele no Grupo Comporte, continua fazendo ônibus com a Busscar. Mas falando ainda da família NB1, nós lançamos, então, esses três produtos que foram já da família NB1 e agora estamos prototipando já o 400. Então, para a sequência do ano que vem, o 400 já também vai estar disponível a partir de março, abril.
ADAMO BAZANI: Que no mercado é conhecido como categoria LD.
PAULO CORSO: LD é uma nomenclatura que eu acho que a Marcopolo está usando e o nosso é o 400. E aí, nós devemos produzir esse veículo a partir de março, abril, por aí. E estamos também com os desenhos finais da família NB1 para o motor dianteiro. Que aí eu não vou te dizer com certeza que ele vai ser lançado no ano que vem, porque ainda não tem o “time” disso aí. Mas já está desenhado, finalmente, dos desenhos para depois prototipar.
ADAMO BAZANI: Volume de mercado. A Busscar vai alcançar um número também relevante esse ano.
PAULO CORSO: Esse ano nós devemos produzir, lá nós só produzimos ônibus rodoviários, na casa de cinco ônibus por dia. E nós devemos produzir esse ano em torno de 1.100 unidades. Que é um pouco a mais do que nós produzimos no ano passado.
ADAMO BAZANI: Já foi um ano positivo, então é um crescimento em cima de um crescimento.
PAULO CORSO: Nós enfrentamos, como todas as empresas estão enfrentando, dificuldades com mão de obra, que não tem a disposição do quanto a gente gostaria. Mas enfim, estamos lá levando e nesse ano nós vamos produzir mais ou menos 1.100 unidades.
ADAMO BAZANI: Perfeito, Paulo Corso, a gente agradece bastante sua participação aqui no Diário do Transporte.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Arthur Ferrari e Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte

