Às vésperas da Busworld 2025, ônibus elétricos e a hidrogênio dominam a pauta internacional e abrem disputa global
Publicado em: 27 de setembro de 2025
Ankai estreia na Europa com a marca Urbaneo; Solaris reforça liderança com modelos a bateria e hidrogênio; Índia inaugura primeira linha intermunicipal elétrica; Scania novo produto elétrico durante a feira; e nos EUA, relatório aponta escalada nos custos
ALEXANDRE PELEGI
A indústria mundial de ônibus se prepara para um dos eventos mais aguardados do setor: a Busworld Brussels 2025, feira que promete consolidar a transição global para veículos de zero emissão. De 4 a 9 de outubro de 2025, o evento será terá sede em Bruxelas, na Bélgica. Nos dias que antecedem a abertura, a imprensa internacional registrou uma série de anúncios estratégicos que mostram como fabricantes e operadores estão se movimentando para conquistar espaço em um mercado cada vez mais competitivo.
Entre os destaques está a entrada da chinesa Ankai no mercado europeu, sob a marca Urbaneo, em parceria com a empresa Tekauto, que atuará como importadora exclusiva e responsável por adaptar os veículos às normas locais. A estreia será oficializada em Bruxelas, mas dois modelos já foram revelados: o Urbaneo City 6, um minibus urbano de seis metros com capacidade para 22 passageiros, bateria de 127 kWh, autonomia de até 250 quilômetros e carregamento tanto em corrente alternada (22 kW) quanto em corrente contínua (120 kW); e o Urbaneo Vista DD12, um double-decker de 12 metros voltado ao turismo, disponível em versões de teto aberto ou fechado, com autonomia entre 280 e 300 quilômetros. Ambos cumprem a rigorosa norma europeia de segurança GSR2 e trazem componentes de fornecedores locais, como bancos STER e pisos Gerflor. Além dos veículos, a Tekauto promete oferecer pacotes completos de serviços, incluindo manutenção, telemetria e infraestrutura de recarga, numa solução “chave na mão” para operadoras de transporte. No Brasil, a Ankai já mantém presença inicial com modelos entre seis e dezoito metros, mas o foco, neste momento, está na conquista do mercado europeu.
Se a Ankai chega como novidade, a polonesa Solaris Bus & Coach reforça sua posição de liderança no segmento de tecnologia limpa. A linha Urbino estará novamente em evidência, com destaque para o Urbino 12 Hydrogen, equipado com célula de combustível de 70 kW, cinco tanques de hidrogênio tipo 4 com capacidade total de 1.560 litros, baterias Solaris High Power como buffer elétrico e tração de 250 kW, além de espaço para 31 passageiros sentados. Outra atração é o Urbino 18 Electric, articulado de 18 metros, com peso bruto de até 30 toneladas, pacotes de baterias que chegam a cerca de 470 kWh e possibilidade de recarga por pantógrafo. Esses modelos mostram como a fabricante vem combinando soluções de bateria e hidrogênio, oferecendo alternativas para diferentes perfis de operação.
Já a sueca Scania Scania confirmou que apresentará na Busworld 2025 sua nova geração de powertrains, combinando motores a combustão de alta eficiência e sistemas híbridos plug-in para ônibus urbanos e rodoviários. Os novos conjuntos derivam da linha Scania SUPER e foram adaptados para atender às demandas de descarbonização e eficiência operacional. Entre os destaques estão o motor de 13 litros com ganhos de até 8% em consumo de combustível em relação à geração anterior, vida útil projetada para 2 milhões de quilômetros e compatibilidade com a futura norma Euro 7. Nas versões híbridas, o sistema permite rodar até 80 quilômetros em modo totalmente elétrico, somando potência de 290 kW e recursos de geofencing que possibilitam alternar automaticamente para operação zero emissão em áreas restritas. A própria Scania ressalta que os visitantes de seu estande encontrarão uma empresa “all-in” na oferta de transporte sustentável e econômico, com soluções elétricas já lançadas, a plataforma SUPER e a variante híbrida plug-in em exposição. Além disso, promete o lançamento in loco de mais um novo produto elétrico durante a feira, ampliando seu portfólio de alternativas para a descarbonização do transporte de passageiros.
A expectativa, portanto, é de que a Busworld 2025 seja o “ponto de virada” para a indústria mundial de ônibus. Além de lançamentos de veículos a bateria e hidrogênio, a feira deve apresentar novas soluções em baterias de alta densidade, sistemas de recarga ultrarrápida, plataformas modulares e até híbridos plug-in. Também estarão em pauta parcerias entre fabricantes europeus e asiáticos, a redefinição da cadeia de suprimentos e a disputa por novos mercados em crescimento.
Cobertura em tempo real
O Diário do Transporte estará presente em Bruxelas, com o jornalista Adamo Bazani, trazendo cobertura em tempo real: entrevistas exclusivas, novos modelos, comparativos técnicos e análises de tendências. A imprensa internacional já trata esta edição como decisiva: será o momento em que a transição para frotas de zero emissão deixará de ser promessa para se tornar prática consolidada.
OUTROS DESTAQUES

A Ásia também trouxe novidades significativas na última semana. Em 27 de setembro, a Índia inaugurou seu primeiro serviço intermunicipal de ônibus elétrico, ligando Greater Noida a Dehradun em uma rota de cerca de 300 quilômetros (foto acima). A operação, conduzida pela empresa Ezy Go Bus, começou com quatro veículos equipados com ar-condicionado e 40 assentos, realizando a viagem em aproximadamente cinco horas. Para viabilizar o projeto, foram instaladas três estações de recarga em Greater Noida, e o governo estadual garantiu subsídios para incentivar a eletrificação. O projeto tem caráter simbólico: mostra que viagens de média distância, antes consideradas inviáveis para veículos elétricos, já começam a se tornar realidade em um dos maiores mercados de transporte do mundo.
Nos Estados Unidos, por outro lado, o foco esteve nos custos. O distrito de Marin Transit, na Califórnia, revisou suas projeções de transição para ônibus elétricos, elevando a estimativa de US$ 73,4 milhões, feita em 2023, para US$ 112 milhões agora em 2025. O salto é atribuído ao aumento do preço dos veículos, das tarifas de importação e da infraestrutura de recarga, além de incertezas cambiais. O projeto local conta com recursos da Federal Transit Administration (FTA) — agência do Departamento de Transporte dos Estados Unidos responsável por financiar e fiscalizar sistemas de transporte público em todo o país. A FTA já destinou US$ 31,5 milhões para a construção de uma garagem especializada em ônibus de zero emissão, mas Marin calcula que ainda serão necessários recursos adicionais para cumprir a meta de eletrificação total até 2040. Reportagens nacionais reforçam que os preços unitários dos ônibus elétricos nos EUA estão entre os mais altos do mundo, resultado da exigência de conteúdo local da regra “Buy America”, da baixa concorrência e de customizações específicas para cada cidade — fatores que pressionam os orçamentos públicos e retardam a velocidade da transição.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


Solaris sempre à frente.
Gostei desse micrão elétrico indiano (cor laranja)!
As suas dimensões e a sua visível robustez o tornam bem mais adequado aos desafios das nossas linhas urbanas mais afastadas, se comparado aos modelos chineses atualmente sugeridos.
India, Com uma linha de 300 km de distância, Isso faz e contribuem para um transporte mais sustentável. fazendo com que as pessoas possam se locomover em um Ônibus de verdade, Quanto aos chineses estão na van guarda dos investimentos e tecnologias embarcadas.
Parabéns para a Scania que através dos sistema Híbrido ( Plug- in ) Nos trás Ônibus que fará a diferença no Seguimento 100 % Elétrico. e a Europa se consolidando com os Veiculos a Hidrogênio, esse é o Caminho.