CPTM assina contrato de R$ 11,2 milhões para supervisão de projetos do convênio com a MRS, essencial ao Lote Alto Tietê
Publicado em: 23 de setembro de 2025
Consórcio GPT Projetos Ferroviários venceu a disputa; convênio garante regras de compartilhamento da malha com a MRS e viabiliza operação das linhas 11, 12 e 13 pela Comporte a partir de 2026
ALEXANDRE PELEGI
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) assinou contrato de R$ 11,2 milhões com o Consórcio GPT Projetos Ferroviários para apoio técnico na supervisão de projetos ligados ao Convênio nº 056.322.408.100, firmado com a concessionária de cargas MRS Logística. O extrato foi publicado no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira, 23 de setembro de 2025.
O contrato, com vigência de 24 meses, é resultado da licitação LC01123-01, vencida pelo consórcio formado pelas empresas Geribello Engenharia Ltda, Progetto Engenharia Ltda e Tekhnites Consultores Associados Ltda, que obteve a melhor nota final no julgamento.
Função do convênio
O convênio entre CPTM e MRS, assinado em fevereiro de 2023 e atualizado no final de 2024, define como passageiros e cargas irão compartilhar trilhos, áreas de circulação, equipamentos e serviços na Grande São Paulo.
O acordo é indispensável para a transferência da operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade para a iniciativa privada, o chamado Lote Alto Tietê, leiloado na B3 em março de 2025 e vencido pelo Grupo Comporte, que assumirá os serviços em 2026.
Impacto para os passageiros
Com as novas regras, a futura concessionária do Lote Alto Tietê terá garantias para operar sem interferências de trens cargueiros da MRS. A medida busca reduzir atrasos, evitar interrupções e impedir situações como a ocorrida em dezembro de 2022, quando um descarrilamento de carga após a estação Tatuapé paralisou as três linhas. Relembre:
Serviços do contrato
O contrato com o Consórcio GPT Projetos Ferroviários prevê:
- Supervisão técnica de projetos básicos e executivos;
- Análise e compatibilização de projetos em 2D – desenhos técnicos tradicionais, como plantas, cortes e elevações;
- Análise e compatibilização de modelos BIM (Building Information Modeling) – tecnologia que cria modelos digitais tridimensionais, permitindo simular toda a obra, integrar diferentes disciplinas de engenharia e prever interferências antes da execução;
- Acompanhamento de cronogramas e fluxos de comunicação;
- Fiscalização e emissão de relatórios técnicos, com apoio de equipe especializada em engenharia ferroviária
Na prática, o uso conjunto de 2D e BIM combina métodos tradicionais de engenharia com ferramentas digitais mais avançadas, dando maior segurança e precisão ao planejamento e execução dos projetos.


Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


