Frenagem de trens nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda gera energia para outras composições e reduz desperdício
Publicado em: 21 de setembro de 2025
Frenagem eletrodinâmica converte parte do movimento dos trens em energia elétrica para o sistema
VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Imagine se cada vez que você freasse sua bicicleta, a energia gerada recarregasse a bateria do seu celular. Nos trens das linhas 8- Diamante e 9-Esmeralda, algo muito parecido acontece, só que em escala gigante.
O segredo está no freio eletrodinâmico: quando o trem desacelera, seus motores deixam de gastar energia para gerar movimento e passam a funcionar como geradores. É a conversão da energia mecânica em elétrica, uma espécie de “reciclagem” de energia, que pode ser enviada para a rede aérea (catenária) e usada por outros trens que estejam circulando.
Quando o sistema não necessita utilizar essa energia, o excedente vai para os bancos de resistência no teto dos carros motores. Esses bancos, formados por resistores elétricos, dissipam a energia em calor e, do lado de fora, é possível ver o ar ‘tremendo’ sobre eles, como acontece sobre o asfalto quente.
O resultado vai além da economia de energia. Essa tecnologia reduz o uso das pastilhas de freio, diminuindo custos e a geração de resíduos. Está presente em todas as linhas de trens metropolitanos e metrô de São Paulo.
Quando um trem freia e ajuda outro a ganhar velocidade, não é só eficiência técnica: é um lembrete de que, na engenharia e na vida, energia boa não se desperdiça.
Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte

