Brasil e Japão firmam acordo em Osaka para quadruplicar uso de combustíveis sustentáveis até 2035

Foto: Divulgação/Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI).

Parceria entre os dois países dá ênfase a biocombustíveis, combustíveis sustentáveis de aviação, hidrogênio e veículos híbridos-flex

ALEXANDRE PELEGI

O Brasil e o Japão firmaram, nesta segunda-feira, 15 de setembro de 2025, durante a 1ª Reunião Ministerial sobre Combustíveis Sustentáveis realizada em Osaka, um acordo que consolida a cooperação bilateral na expansão do uso de combustíveis de baixo carbono. O documento, apresentado como Síntese dos Copresidentes, prevê ações conjuntas para incentivar, acelerar e expandir a produção e utilização desses combustíveis em, pelo menos, quatro vezes até 2035, em relação aos níveis de 2024.

Cooperação estratégica

O encontro reuniu ministros e delegados de 34 países e organizações internacionais. Copresidida por Brasil e Japão, a reunião destacou a necessidade de acelerar o desenvolvimento de alternativas energéticas capazes de conciliar segurança do suprimento, geração de empregos, crescimento econômico e redução de emissões de gases de efeito estufa.

O acordo reforça a aposta brasileira em biocombustíveis e etanol, além da produção de SAF – Sustainable Aviation Fuel (combustíveis sustentáveis de aviação), hidrogênio de baixa emissão e combustíveis sintéticos. O Japão, por sua vez, reconheceu a tecnologia flex brasileira como modelo de eficiência para mobilidade limpa, ao lado de motores híbridos.

Na declaração conjunta, Brasil e Japão reforçaram:

“É necessário adotar uma abordagem de múltiplas alternativas para alcançar a neutralidade de carbono, reconhecendo que os combustíveis sustentáveis desempenham papel crítico ao proporcionar benefícios como segurança energética, crescimento econômico e geração de empregos, além da redução de emissões de gases de efeito estufa.”

Outro trecho enfatiza o papel do setor de transportes:

“No transporte rodoviário, devem ser desenvolvidas estratégias eficazes de acordo com as circunstâncias de cada país, inclusive combinando combustíveis sustentáveis, como biocombustíveis e e-fuels, com equipamentos de alto desempenho, como motores flex e híbridos.”

Principais pontos da declaração

Entre os compromissos assumidos, estão:

* Expansão do uso em diferentes setores: aviação, transporte marítimo, rodoviário e indústria.

* Compatibilidade com infraestrutura existente, o que facilita o transporte e armazenamento.

* Criação de demanda por políticas públicas, com metas nacionais, roadmaps e compras governamentais.

* Integração internacional, com destaque para ICAO (aviação) e IMO (transporte marítimo).

* Metodologias de contabilização de carbono, garantindo transparência e interoperabilidade.

* Incentivo à pesquisa e inovação, incluindo tecnologias de captura, uso e armazenamento de carbono (CCUS).

* Financiamento acessível e apoio técnico a países emergentes e em desenvolvimento.

* Parcerias público-privadas, reconhecendo a importância das iniciativas já adotadas pelo setor privado.

Marco para a COP30

O Brasil deverá levar os avanços dessa cooperação para a COP30, que será realizada de 10 a 21 de novembro de 2025, em Belém (PA). Segundo o governo brasileiro, o acordo sela a liderança do país no tema da transição energética e reforça a posição dos biocombustíveis e do etanol como protagonistas no processo de descarbonização da economia global.

Leia também sobre o assunto:

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Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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