Brasil e Japão fortalecem agenda de biocombustíveis em viagem de Lula a Tóquio

Missão brasileira foca em etanol para descarbonizar transportes em seminário setorial

ALEXANDRE PELEGI

Uma missão do setor sucroenergético e de bioenergia do Brasil está no Japão para intensificar a cooperação técnica em mobilidade sustentável, com foco na tecnologia brasileira para a produção e uso de biocombustíveis. A agenda setorial ocorre em paralelo à visita de Estado do presidente Luiz Lula Inácio da Silva a Tóquio, que celebra os 130 anos das relações diplomáticas entre os dois países neste mês de março de 2025.

Durante a visita, o presidente Lula participará do Fórum Brasil Japão 2025 na próxima quarta-feira, 26 de março, um seminário empresarial que contará com a presença de cerca de 500 empresários. Evandro Gussi, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), integrará o painel “Descarbonização e Estratégias Energéticas”, onde apresentará os atributos do etanol brasileiro. Gussi destacou que o etanol brasileiro possui a menor intensidade de carbono do mundo. “O etanol brasileiro é o de menor intensidade de carbono do mundo, com menor preço pelo carbono evitado. O etanol de cana-de-açúcar e milho de segunda safra brasileiro reduz entre 75% e 80% as emissões de carbono comparadas com a gasolina”, afirma Evandro Gussi. “E tem potencial para chegar próximo a emissões neutras de carbono por meio de iniciativas de redução de emissões como uso de biometano para substituição de diesel na frota agrícola, dentre outros”, completa o presidente da UNICA.

Na quinta-feira (27) a agenda prossegue com o workshop Brasil-Japão – Biocombustíveis para descarbonizar os transportes, uma realização da UNICA em parceria com o Instituto de Economia da Energia do Japão (IEEJ). O evento reunirá empresários de ambos os países, além de representantes governamentais e dos setores automotivo e bioenergético, para discutir temas como o uso de combustíveis neutros em carbono no Japão, o potencial do etanol para o transporte marítimo, a mistura de etanol à gasolina para a mobilidade terrestre, e a infraestrutura de distribuição.

O Japão tem como meta elevar a mistura de etanol para 10% até 2030, o que aumentaria a demanda diária para 12,2 milhões de litros, totalizando 4,45 bilhões de litros anuais. O país também está avançando na regulamentação do Combustível Sustentável de Aviação (SAF), no qual o etanol se apresenta como uma das rotas mais promissoras. Em contrapartida, o Brasil compartilhará sua experiência de 50 anos na produção, logística, infraestrutura e regulação de biocombustíveis, um conhecimento desenvolvido com o apoio de políticas públicas como o RenovaBio (2027), o Mover e o Combustível do Futuro (2024).

O presidente da UNICA concluiu que tanto o Brasil quanto o Japão reconhecem o papel fundamental do etanol e de outros biocombustíveis na transição energética.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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