CPTM é oficialmente contratada por R$ 1,39 milhão para elaborar anteprojeto do VLT no centro de São Paulo

Publicação no Diário Oficial confirma investimento em estudos técnicos do VLT; CPTM terá 150 dias para entregar o anteprojeto

ALEXANDRE PELEGI

O Diário Oficial do Estado de São Paulo trouxe, em sua edição de 11 de setembro de 2025, o Extrato de Contrato nº 386.00009935/2025-21, oficializando a contratação da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) pela SP Urbanismo.

O contrato, assinado em 29 de agosto de 2025, tem valor de R$ 1.398.000,47 e prevê a elaboração do anteprojeto de sistemas elétricos da rede, empreendimentos associados, demais infraestruturas e subestações necessárias à futura implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no centro da capital paulista.

Com prazo de 150 dias de vigência, o acordo representa a primeira etapa concreta do projeto, que busca integrar transporte sustentável e requalificação urbana.



Requalificação do centro

O contrato oficializa informações já antecipadas pelo Diário do Transporte. Em 4 de agosto, noticiamos que a CPTM receberia R$ 1,39 milhão para conduzir o anteprojeto, em iniciativa conduzida pela SP Urbanismo como parte do plano de requalificação urbanística da região central. Relembre:

CPTM é contratada por R$ 1,39 milhão para anteprojeto do VLT no Centro de São Paulo

Poucos dias depois, em 6 de agosto, destacamos que o conselho da SP Urbanismo aprovou a contratação, abrindo caminho para a formalização agora publicada no DOE. Relembre:

Prefeitura de São Paulo, via SP Urbanismo, aprova contratação da CPTM para elaboração do anteprojeto de Sistemas do VLT no Centro

O que está em jogo

O VLT no centro de São Paulo é visto como uma solução de capacidade intermediária, voltada a atender áreas de forte fluxo comercial, cultural e de serviços. A proposta vai além da mobilidade: faz parte de uma estratégia de transformação urbana, combinando transporte de menor impacto ambiental com a recuperação de espaços públicos.

Ao atribuir à CPTM a elaboração do anteprojeto, a Prefeitura de São Paulo e a SP Urbanismo recorrem à expertise de uma estatal que acumula experiência na operação e no planejamento de sistemas metroferroviários.

Próximos passos

Com a vigência de 150 dias, a expectativa é que os estudos estejam concluídos até o início de 2026. O material servirá de base para a definição da modelagem do projeto, que poderá incluir parcerias público-privadas (PPPs) e captação de recursos em diferentes frentes de financiamento.

Detalhes

O prazo para conclusão dessa fase é de cinco meses, com investimento de R$ 1.398.000,47. Já o projeto final do VLT prevê duas linhas, 27 estações e prevê integração com outros modais, proporcionando uma solução de mobilidade sustentável e contribuindo para a requalificação urbana do centro da cidade. O investimento total estimado é de aproximadamente R$ 4 bilhões, com início das obras previsto para 2026 e prazo de execução de 36 meses.

“Com essa parceria, CPTM e Prefeitura reafirmam o compromisso de entregar um sistema de transporte moderno, eficiente e sustentável”, diz Michael Cerqueira, presidente da CPTM. “A companhia entende as necessidades de uma metrópole como São Paulo, que exige constante evolução e soluções alinhadas às demandas da população”, conclui.

Sistemas de Energia e Subestações

A alimentação elétrica será feita por sistema APS (alimentação por solo), com tensão de 750 Vcc. Estão previstos nove trens por linha, operando com intervalo de 6 minutos. As subestações retificadoras serão conectadas ao Centro de Controle Operacional (CCO), a ser instalado na Avenida do Estado, em terreno da Prefeitura.

Entre os produtos técnicos nesta área, destacam-se:

Especificações para obras civis e fornecimento de equipamentos das subestações;

Diretrizes para integração elétrica e segurança operacional;

Estudo para instalação de sistemas fotovoltaicos em paradas e no CCO.

Sinalização, Controle e Telecomunicações

O sistema de sinalização adotará o conceito de marcha à vista, sem uso de cancelas. Haverá integração com os semáforos urbanos, sistemas de informação ao passageiro e painéis em tempo real. Os subsistemas previstos incluem:

Controle centralizado de tráfego (VLT-SCC);

Equipamentos de campo e salas técnicas (VLT-SSC);

CFTV, sonorização, rádio terra-trem e sistemas de alarme e climatização;

Comunicação embarcada compatível com o ambiente digital da cidade.

Planejamento e Custos

A CPTM entregará também uma planilha de custos referenciais, com estimativas atualizadas de investimentos para a implementação do VLT, servindo como base para o planejamento orçamentário das próximas fases do projeto.

Equipe Técnica

A proposta é assinada pela Diretoria de Engenharia, Obras e Meio Ambiente da CPTM e coordenada por Edgar Fressato Carneiro, com apoio dos assessores executivos Luiz Alfredo Amorim Jr. e Dalcy C. de Barros Filho. A equipe é composta por engenheiros especializados em sistemas ferroviários, energia, telecomunicações e integração tecnológica.

Histórico do projeto do VLT no Centro de São Paulo

O projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no centro de São Paulo faz parte de uma iniciativa estratégica da Prefeitura voltada à requalificação urbanística da região central, com foco em mobilidade sustentável e revitalização do espaço urbano. A proposta é integrar o VLT a uma nova lógica de deslocamento baseada no Desenvolvimento Orientado ao Transporte Sustentável (DOTS).

Origens e primeiros estudos

A concepção inicial do VLT remonta à década de 2010, quando a ideia foi incluída em planos de mobilidade urbana e estudos do Plano Diretor Estratégico de São Paulo. No entanto, foi a partir de 2019 que o projeto passou a ganhar corpo sob a gestão municipal, sendo formalmente associado ao Plano de Requalificação do Centro, que propõe adensamento populacional, reocupação de imóveis vazios e valorização do transporte coletivo não poluente.

O traçado do VLT foi definido ao longo dos anos seguintes com apoio da SPUrbanismo e envolvimento técnico de órgãos como Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMT), SPTrans e Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Consolidação como política pública

A Prefeitura de São Paulo incentivou a participação do setor privado na concepção do projeto. Em 2021 e 2022, a SPUrbanismo e a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) abriram chamamentos públicos para receber manifestações de interesse da iniciativa privada com propostas de estudos e soluções para a implantação do VLT e a transformação urbana de seu entorno.

Esses chamamentos possibilitaram que empresas e consórcios apresentassem propostas preliminares de traçado, modelagem financeira, tipologias de paradas, integração modal e soluções arquitetônicas. Os estudos apresentados pela iniciativa privada contribuíram para a consolidação do conceito do VLT como instrumento de requalificação urbana sustentável.

Integração com o Plano de Requalificação do Centro

O VLT passou a integrar formalmente o Plano de Requalificação Urbanística do Centro, lançado pela gestão municipal em 2023. O plano propõe incentivos à moradia, recuperação de edifícios vazios e investimento em infraestrutura pública, tendo o VLT como eixo estruturador de mobilidade e transformação urbana.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Informe Publicitário
Assine

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

     
Comentários

Comentários

  1. Rodrigo Zika disse:

    Eu só quero ver aae ainda irão desativar os trólebus.

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading