Prefeitura de São Paulo, via SP Urbanismo, aprova contratação da CPTM para elaboração do anteprojeto de Sistemas do VLT no Centro
Publicado em: 6 de agosto de 2025
Projeto prevê duas linhas, 27 estações e integração com outros modais; com investimento de cerca de R$ 4 bilhões, o início das obras é previsto para 2026 e terá prazo de execução de 36 meses
ALEXANDRE PELEGI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA
O Diário do Transporte divulgou em primeira mão nesta segunda-feira, 04 de agosto de 2025, o anúncio da contratação da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) pela prefeitura de São Paulo para elaborar o anteprojeto de Sistemas do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), modal que será implantado no âmbito do Plano de Requalificação Urbanística do Centro e do Projeto Bonde São Paulo, com foco no transporte sustentável e na integração entre diferentes modais. Relembre:
CPTM é contratada por R$ 1,39 milhão para anteprojeto do VLT no Centro de São Paulo
A seleção seguiu as disposições do artigo 30 da Lei n.º 13.303/2016 e teve como base a reconhecida expertise da CPTM no setor ferroviário, com experiência no planejamento, implantação e operação de sistemas metropolitanos sobre trilhos. A empresa conta com um corpo técnico altamente qualificado, capaz de assegurar a compatibilidade técnico-operacional do projeto com os parâmetros do sistema e as exigências regulatórias vigentes.
“Para a Prefeitura de São Paulo, a contratação da CPTM é uma decisão estratégica. Com reconhecida expertise técnica e ampla experiência em sistemas de transporte, a empresa pública estadual reúne as condições necessárias para assegurar agilidade, excelência e segurança na elaboração do anteprojeto de sistemas. Ao firmar essa parceria, o município fortalece sua capacidade institucional para viabilizar um projeto estruturante e inovador, voltado à mobilidade sustentável e à requalificação do centro da capital”, afirma Pedro Fernandes, presidente da São Paulo Urbanismo.
Nesta primeira etapa do projeto, a CPTM será responsável pela execução de serviços técnicos especializados de engenharia que abrangem o anteprojeto dos sistemas elétricos da rede, dos empreendimentos associados e das subestações retificadoras necessárias para a implantação do VLT. O trabalho inclui também a elaboração de especificações técnicas para obras civis, fornecimento de materiais e equipamentos, eletrocentros e sistemas de energia de tração. Também estão previstos o desenvolvimento dos sistemas de sinalização de tráfego, incluindo o Centro de Controle Operacional (CCO), instalações elétricas e de detecção e alarme de incêndio, sistemas de telecomunicações e auxiliares e sistemas de energia fotovoltaica, entre outros.
O prazo para conclusão dessa fase é de cinco meses, com investimento de R$ 1.398.000,47. Já o projeto final do VLT prevê duas linhas, 27 estações e prevê integração com outros modais, proporcionando uma solução de mobilidade sustentável e contribuindo para a requalificação urbana do centro da cidade. O investimento total estimado é de aproximadamente R$ 4 bilhões, com início das obras previsto para 2026 e prazo de execução de 36 meses.
“Com essa parceria, CPTM e Prefeitura reafirmam o compromisso de entregar um sistema de transporte moderno, eficiente e sustentável”, diz Michael Cerqueira, presidente da CPTM. “A companhia entende as necessidades de uma metrópole como São Paulo, que exige constante evolução e soluções alinhadas às demandas da população”, conclui.


Sistemas de Energia e Subestações
A alimentação elétrica será feita por sistema APS (alimentação por solo), com tensão de 750 Vcc. Estão previstos nove trens por linha, operando com intervalo de 6 minutos. As subestações retificadoras serão conectadas ao Centro de Controle Operacional (CCO), a ser instalado na Avenida do Estado, em terreno da Prefeitura.
Entre os produtos técnicos nesta área, destacam-se:
Especificações para obras civis e fornecimento de equipamentos das subestações;
Diretrizes para integração elétrica e segurança operacional;
Estudo para instalação de sistemas fotovoltaicos em paradas e no CCO.
Sinalização, Controle e Telecomunicações
O sistema de sinalização adotará o conceito de marcha à vista, sem uso de cancelas. Haverá integração com os semáforos urbanos, sistemas de informação ao passageiro e painéis em tempo real. Os subsistemas previstos incluem:
Controle centralizado de tráfego (VLT-SCC);
Equipamentos de campo e salas técnicas (VLT-SSC);
CFTV, sonorização, rádio terra-trem e sistemas de alarme e climatização;
Comunicação embarcada compatível com o ambiente digital da cidade.
Planejamento e Custos
A CPTM entregará também uma planilha de custos referenciais, com estimativas atualizadas de investimentos para a implementação do VLT, servindo como base para o planejamento orçamentário das próximas fases do projeto.
Equipe Técnica
A proposta é assinada pela Diretoria de Engenharia, Obras e Meio Ambiente da CPTM e coordenada por Edgar Fressato Carneiro, com apoio dos assessores executivos Luiz Alfredo Amorim Jr. e Dalcy C. de Barros Filho. A equipe é composta por engenheiros especializados em sistemas ferroviários, energia, telecomunicações e integração tecnológica.
Histórico do projeto do VLT no Centro de São Paulo
O projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no centro de São Paulo faz parte de uma iniciativa estratégica da Prefeitura voltada à requalificação urbanística da região central, com foco em mobilidade sustentável e revitalização do espaço urbano. A proposta é integrar o VLT a uma nova lógica de deslocamento baseada no Desenvolvimento Orientado ao Transporte Sustentável (DOTS).
Origens e primeiros estudos
A concepção inicial do VLT remonta à década de 2010, quando a ideia foi incluída em planos de mobilidade urbana e estudos do Plano Diretor Estratégico de São Paulo. No entanto, foi a partir de 2019 que o projeto passou a ganhar corpo sob a gestão municipal, sendo formalmente associado ao Plano de Requalificação do Centro, que propõe adensamento populacional, reocupação de imóveis vazios e valorização do transporte coletivo não poluente.
O traçado do VLT foi definido ao longo dos anos seguintes com apoio da SPUrbanismo e envolvimento técnico de órgãos como Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMT), SPTrans e Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
Consolidação como política pública
A Prefeitura de São Paulo incentivou a participação do setor privado na concepção do projeto. Em 2021 e 2022, a SPUrbanismo e a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) abriram chamamentos públicos para receber manifestações de interesse da iniciativa privada com propostas de estudos e soluções para a implantação do VLT e a transformação urbana de seu entorno.
Esses chamamentos possibilitaram que empresas e consórcios apresentassem propostas preliminares de traçado, modelagem financeira, tipologias de paradas, integração modal e soluções arquitetônicas. Os estudos apresentados pela iniciativa privada contribuíram para a consolidação do conceito do VLT como instrumento de requalificação urbana sustentável.
Integração com o Plano de Requalificação do Centro
O VLT passou a integrar formalmente o Plano de Requalificação Urbanística do Centro, lançado pela gestão municipal em 2023. O plano propõe incentivos à moradia, recuperação de edifícios vazios e investimento em infraestrutura pública, tendo o VLT como eixo estruturador de mobilidade e transformação urbana.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte



Finalmente.