DADOS EXCLUSIVOS: Higer testa ônibus elétrico na São Paulo x Santos pela Ultra
Publicado em: 3 de maio de 2025
Veículo desce e sobe a Serra do Mar com uma carga apenas em um trajeto de cerca de 400 km, segundo fabricante
ADAMO BAZANI
Colaborou Alexandre Pelegi
A fabricante Higer testa em parceria com a Viação Ultra um feito inédito até então: desafiar a Serra do Mar, pela Anchieta, entre São Paulo e Santos, com um ônibus elétrico.
E, até agora, os resultados têm sido positivos de acordo com a empresa.
A experiência ocorre desde 22 de abril de 2025 em parceria com a empresa Viação Ultra.
A BYD já havia testado essa rota com o modelo D9F, ônibus elétrico também, entre outubro e novembro de 2024, mas sem divulgação.
A Higer explicou ao Diário do Transporte neste sábado, 03 de maio de 2025, que o modelo Fe10BR está na linha de Santos desde esta data O veículo desce da região metropolitana de São Paulo no sentido Litoral, faz a linha e volta para São Paulo, “sem precisar recarregar, percorrendo uma média de 400km com uma única recarga de bateria“.
O principal objetivo dos testes, que devem ir até o fim deste mês de maio de 2025, é averiguar a viabilidade de modelos elétricos, muito comuns em urbanos e agora em fretamento, e também em linhas regulares rodoviárias de curta distância.
Uma das restrições apontadas seria o fato de as baterias tomarem espaço dos bagageiros.
Mas há diferentes perfis de linhas rodoviárias regulares, que variam de acordo com a distância percorrida e o tipo de viagem.
Não dá para comparar uma São Paulo (SP) X Picos (PI), da Nova Itapemirim-Suzantur, por exemplo, de longa distância, que necessita de ônibus robustos com bagageiros amplos como do modelo Marcopolo Paradiso 1350 que usa, numa distância de aproximadamente 2,5 mil quilômetros percorridos em dois dias, 10 horas e 49 minutos, com uma São Paulo x Santos, da Ultra, de apenas 56 km e 1h30 de viagem.
Para longas distâncias, os elétricos ainda estão longe de ser realidades viáveis comercialmente.
Mas em pequenos trajetos e que não necessitem tanto de bagagem pelos passageiros, o desenho já pode começar a ser ao menos considerado.
Os testes são inéditos para a marca na Serra do Mar, mas não em trajetos rodoviários.
O Diário do Transporte mostrou em março de 2022 que a Higer já testou o elétrico entre Sorocaba X São Paulo, mas com foco no fretamento
Relembre:
Especificações técnicas
O Fe10BR, segundo a Higer, possui 10,76 m de comprimento, uma dimensão reduzida diante de alguns modelos a diesel de 14 m que operam regularmente pelo trecho.
O peso é de 16 toneladas, a capacidade é para 41 passageiros
As baterias podem ser carregadas em 2,2 horas e a autonomia média é de 400 km, dependendo das configurações.
Os passageiros contam com ar-ar-condicionado, wi-fi, poltronas de couro com entradas USB para celulares recarregarem e até geladeira.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


Boa tarde,
Em uma linha como essa que está sendo testado, o resultado deve ser satisfatório.
A viagem ida e volta chega em média a 170 kms., arredondando vamos falar em 200 kms.
Com uma carga para 400 kms ele se torna viável, porém não podemos esquecer dos imprevistos, como congestionamentos, engarrafamentos nas linhas.
Cada vez mais a tecnologia evoluirá e com isso poderemos ver os elétricos em mais aplicações.
Mas eu ainda acredito que o correto para um País como o Brasil, seria a tecnologia híbrida.
Além do quê, na rodovia a tecnologia à baterias ainda sofre com o maior consumo/km de energia – bastando pisar um pouco mais no acelerador para que a autonomia fique comprometida.
Eu igualmente defendo o resgate da tecnologia Hibrido-Elétrica nos ônibus. O seu desenvolvimento foi imperdoavelmente abandonado, quando começou o oba-oba encima dos ônibus à bateria (pressão da industria???).
Além de aceitar plenamente os biocombustiveis, o sistema Hibrido-Eletrico faz com que cada litro (ou m³) renda ainda mais quilômetros rodados do que os sistemas a combustão adaptados.
Isso é fundamental, se lembrarmos que boa parte da produção dos biocombustíveis depende de muita água e de terras agricultáveis. Quanto mais se conseguir rodar com cada litro, melhor!
Bem interessante.
Eu estava em uma dessas viagens. Fizno trecho de subida da serra. Adorei o desempenho do ônibus. Achei o carro bem confortável com um único inconveniente: falta de banheiro. De resto, achei a viagem ótima: silenciosa e constante.
Uma coisa que não foi mencionada é se o veículo tem sistema de regeneração eficiente. Dado o declive da serra, veículos elétricos GANHAM energia ao descer a serra. Claro que isso tem que contar o funcionamento do ar condicionado por exemplo, mas talvez para a rota de serra, um veículo elétrico terá sua vantagem em declives. Para um range de 400 km, nada mal. Seriam duas viagens diárias SP-Santos.