Eletromobilidade

Reino Unido testa ônibus a hidrogênio em obra de usina nuclear com expectativa de aquisição de 150 unidades

Conjunto de três ônibus de dois andares e um ônibus de um andar fornecidos pela Wrightbus será utilizado para o transporte de trabalhadores do local

ALEXANDRE PELEGI

Um novo teste foi lançado no canteiro de obras de construção de uma central nuclear na costa de Suffolk, Inglaterra (Sizewell C). O objetivo da construção é fornecer eletricidade com baixo teor de carbono para cerca de 6 milhões de casas.

Mas os testes que estão sendo realizados no local estão direcionados ao transporte dos trabalhadores contratados para o projeto da usina, com vistas a avaliar a viabilidade do uso de ônibus a hidrogênio.

O teste está utilizando um conjunto de três ônibus de dois andares e um ônibus de um andar a hidrogênio fornecidos pela Wrightbus, fabricante da Irlanda do Norte conhecida por seus ônibus elétricos e a hidrogênio. A empresa foi fundada em 1946 e está sediada em Ballymena, cidade no condado de Antrim, na Irlanda do Norte.

O objetivo principal é determinar o desempenho operacional desses novos veículos, visando reduzir a emissão de carbono durante a fase de construção de Sizewell C, seguindo um compromisso anterior de entregar 60% dos materiais de construção por via ferroviária e marítima.

Caso o teste seja bem-sucedido, a Sizewell C declarou sua intenção de encomendar até 150 ônibus a hidrogênio, criando assim a maior frota desse tipo no país. O projeto também pretende explorar o uso de ônibus elétricos em um futuro próximo.

O CEO da Wrightbus, Jean-Marc Gales, destacou que a empresa criou o primeiro ônibus de dois andares a hidrogênio do mundo e se orgulha do trabalho inovador realizado na descarbonização do setor de transporte. Gales enfatizou o compromisso da empresa com o hidrogênio como parte da transição energética, ressaltando que muitos operadores no Reino Unido e na Europa consideram o hidrogênio mais adequado às suas necessidades do que a eletricidade, especialmente para rotas rurais onde os ônibus elétricos podem ter dificuldades. Ele também apontou que os ônibus a hidrogênio são um exemplo perfeito da aplicação dessa tecnologia em máquinas grandes e pesadas.

Gales também mencionou que todos os ônibus a hidrogênio da Wrightbus são fabricados no Reino Unido, gerando milhares de “empregos verdes” qualificados em sua fábrica e em toda a cadeia de suprimentos Segundo o CEO, isso significa que cada ônibus adquirido impulsiona significativamente o setor de manufatura do Reino Unido.

A construção da usina faz parte de um consórcio liderado pela Ryze Power, que também está fornecendo hidrogênio verde para o teste atual dos ônibus.O Diretor de Vendas da Ryze Power, Alex Webster, comentou que a empresa já está envolvida em vários testes bem-sucedidos de hidrogênio nos setores de transporte, construção e aviação. Ele descreveu o hidrogênio como um combustível seguro e com emissão zero, crucial para a descarbonização de setores difíceis de abater. Webster também destacou a rapidez do reabastecimento de um ônibus a hidrogênio, que leva apenas oito minutos – o mesmo tempo que leva para abastecer com diesel, mas sem as emissões resultantes.

Ele acrescentou que os sistemas móveis de reabastecimento de hidrogênio da Ryze Power são ideais para introduzir um fornecimento confiável de hidrogênio que, em escala, poderia beneficiar o ecossistema regional de hidrogênio em toda a região de East of England, Leste da Inglaterra, uma das nove regiões oficiais do país, criada em 1994.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Informe Publicitário
Assine

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

     
Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Espero que um dia a frota-limpa de São Paulo inclua também os ônibus a Hidrogênio.
    E com o advento do Hidrogênio Verde, será a melhor e mais sofisticada das tecnologias veiculares limpas.
    A boa notícia é que já temos ônibus-testes rodando em nossas universidades e centros de pesquisas.
    O Brasil já possui tecnologias e pessoal altamente qualificado para isso. Falta apenas a disposição política para consolidar tecnicamente e viabilizar comercialmente!

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading