Eletromobilidade

Deputada protocola pedido de providências no MP, TCU, Procon, Aneel e Ministério de Minas e Energia contra ENEL por atraso na infraestrutura para ônibus elétricos em São Paulo

Como revelou o Diário do Transporte, há quase 100 coletivos parados e diversas garagens já com os carregadores instalados sem funcionar porque distribuidora de energia não fez a adequação das redes de distribuição

ADAMO BAZANI

Colaborou Yuri Sena

A deputada estadual por São Paulo, Carla Morando, protocolou nesta terça-feira, 11 de março de 2025, pedidos de providências em diversos órgãos contra a ENEL por causa do atraso na implantação da infraestrutura necessária para ampliação e operação da frota de ônibus elétricos na capital paulista.

Entre os órgãos que receberam as documentações da parlamentar estão MPSP (Ministério Público de São Paulo), Procon, TCU (Tribunal de Contas da União), Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e MME (Ministério de Minas e Energia), uma vez que a concessão da ENEL é de responsabilidade federal.

Como revelou o Diário do Transporte, há quase 100 coletivos parados e diversas garagens já com os carregadores instalados sem funcionar porque distribuidora de energia não fez a adequação das redes de distribuição nos bairros. Para abastecer a frota elétrica, as redes precisam ser convertidas do modelo atual de baixa tensão para média ou alta tensão, dependendo do porte da garagem e quantidade de ônibus. Se isso não for feito, o carregamento simultâneo de 20 ônibus articulados elétricos ou 50 comuns pode fazer com que caia a energia das casas, hospitais e estabelecimentos comerciais provocando um verdadeiro apagão.

Entre as viações que se dispuseram a conversar com o Diário do Transporte estão a Mobibrasil e a A2, da zona Sul, a Transunião da zona Leste, e a Movebuss, da área Sudeste.

Somente na garagem do Jabaquara, da MobiBrasil, são 33 ônibus elétricos parados, alguns há quase um ano.

A A2 e a Transunião ainda não puderam receber ônibus elétricos novos porque a ligação da rede não foi concluída, mas já estão com todos os equipamentos instalados, como carregadores de bateria e transformadores internos.

Outras empresas relatam o mesmo problema.

Como desde 17 de outubro de 2022, as viações estão proibidas de trazer modelos a diesel zero quilômetro e a eletrificação não avança, a SPTrans (São Paulo Transporte) ampliou a idade máxima permitida dos ônibus de 10 anos para 13 anos.

Ocorre que isso provoca um envelhecimento da frota.

Como mostrou o Diário do Transporte, são 2.711 ônibus que rodam na cidade fabricados há mais de 10 anos.

O problema é que, além de serem menos confortáveis, sem ar-condicionado e com suspensão mais dura, estes ônibus são mais poluentes, mais barulhentos e, por estarem bem rodados, são mais sujeitos a quebras.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/01/23/cidade-de-sao-paulo-possui-2-711-onibus-com-dez-anos-ou-mais-em-circulacao/

Carla Morando esteve na garagem da Mobibrasil e disse que também entregou uma solicitação a ENEL para que a distribuidora apresente um cronograma e um prazo para agilizar a implantação da infraestrutura necessária nas garagens.

“Foi aprovada uma lei na Câmara Municipal para descarbonizar o transporte de São Paulo. Isso tem de andar. São veículos novos, com ar-condicionado, USB, parados e que já poderiam estar beneficiando mais gente” – disse.

Em 2021, a prefeitura de São Paulo colocou como meta que 20% da frota de 13 mil ônibus da cidade, o que dá cerca de 32,6 mil coletivos, não seriam poluentes. Mas até agora, março de 2025, são apenas 430 ônibus elétricos com baterias, além dos 201 trólebus que já rodavam e dependem da fiação aérea para funcionar.

FROTA VELHA

O Diário do Transporte mostrou que São Paulo tem 2.711 ônibus com idades entre 10 anos e 13 anos operando. A ampliação da idade máxima da frota da cidade, de 10 anos para até 13 anos, foi uma medida emergencial da SPTrans para suprir a falta de infraestrutura que impede mais elétricos e, ao mesmo tempo, manter a proibição dos novos veículos a diesel.

https://diariodotransporte.com.br/2025/01/23/cidade-de-sao-paulo-possui-2-711-onibus-com-dez-anos-ou-mais-em-circulacao/

O Diário do Transporte tem mostrado que muitas garagens estão prontas dos muros para dentro e que algumas delas possuem dezenas de ônibus elétricos parados porque solicitaram ligações e adaptações das redes de distribuição, mas a ENEL não fez ainda. É o caso da empresa Mobibrasil, da zona sul, que tem 33 ônibus parados em uma das garagens, apesar de ter pedido a ligação em julho de 2024. A A2 Transportes, outra empresa da zona Sul, pediu a ligação para a ENEL em fevereiro de 2024, e não foi atendida ainda. A viação diz que não consegue concluir as compras e já têm mais de 130 ônibus a diesel com mais de 10 anos rodando, sendo que deveriam ter sido trocados.  A Transunião, na zona Leste, tem mais da metade da frota com mais de 10 anos em uma das garagens porque ENEL não conclui ligação para ônibus elétricos. Oficina vive lotada, disse o diretor operacional da empresa, Edgard Paiva da Rocha. Demanda total é de cerca de quase 300 mil passageiros por dia. São dois pátios com 33 carregadores instalados desde agosto de 2024 que custaram R$ 14 milhões, mas estão sem serventia porque a energia necessária não chega às garagens.

– ENTREVISTAS EM VÍDEO

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/03/10/video-mobibrasil-na-zona-sul-de-sao-paulo-esta-repleta-de-onibus-eletricos-que-nao-rodam-porque-enel-nao-faz-a-ligacao-solicitada-ha-quase-um-ano/

 

Há viações que já estão com equipamentos carregadores e transformadores internos já instalados nas garagens, mas não podem renovar frota porque o financiamento depende de aval que só ocorre se a rede de energia estiver adequada.

Mais uma vez, o Diário do Transporte entrou em contato com a ENEL.

METAS DA CIDADE:

As metas da prefeitura de São Paulo de 2,6 mil ônibus elétricos entre todas as empresas da cidade rodando até o fim de 2024 não foram alcançadas, principalmente pela falta de infraestrutura de recarga e distribuição de energia da ENEL para dar conta da demanda. Em toda a cidade, são atualmente, em fevereiro de 2025, menos de 500 unidades não poluentes a bateria e 201 trólebus, que precisam estar conectados à fiação aérea para rodarem.

Em 23 de janeiro de 2025, durante a entrega de um lote de 100 coletivos com baterias, o prefeito Ricardo Nunes disse que a cidade deve receber cerca de 600 ônibus totalmente elétricos com bateria ainda neste ano. Isso elevaria a frota para cerca de 1.200 unidades, contando com os trólebus, mas ainda assim seria bem inferior aos 2.600 coletivos anunciados para até o final de 2024. Na ocasião, Nunes disse, em resposta ao Diário do Transporte que esteve no evento, que é preferível ampliar a idade dos ônibus atuais em até três anos a admitir a volta da compra de veículos a diesel, já que caso fossem comprados, poderiam operar por mais dez anos no sistema.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/01/23/video-nunes-estima-600-onibus-eletricos-para-2025-na-cidade-de-sao-paulo-e-defende-que-compra-de-diesel-nao-volte-nunca-mais/

No fim de 2024, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou um projeto de lei, de autoria do ex-presidente da Casa, Milton Leite, que permitiria a volta da compra de 50% da frota a diesel Euro 6. Por causa da falta de infraestrutura para elétricos, a frota geral de ônibus da cidade tem envelhecido, uma vez que as viações estão proibidas de comprar modelos a diesel desde 17 de outubro de 2022. A SPTrans ampliou a idade máxima permitida dos ônibus de 10 anos para 13 anos.

O prefeito Ricardo Nunes aprovou apenas parcialmente o projeto de lei, vetando a possibilidade da volta de compra de modelos a diesel, mas sancionou outros pontos, como um que abre mais segurança para a busca de outras alternativas menos poluentes, como GNV (Gás Natural Veicular) e biometano (gás obtido pela decomposição de resíduos). As empresas de ônibus devem apresentar em 90 dias as necessidades de infraestrutura para a ENEL, no caso dos elétricos, ou para a COMGÁS, no caso do GNV. Estas distribuidoras têm 90 dias para concluir os projetos, mas não há prazo para execução e entrega das obras.

As metas intermediárias foram ajustadas, mas as finais, como zerar as emissões de CO2 até 2038 foram mantidas. Com isso, as alternativas que não sejam eletricidade ou hidrogênio são encaradas como para o momento de transição.

GÁS NATURAL PARA ÔNIBUS:

Empresas como a Sambaíba, na zona Norte, estudam aderir projetos de GNV para ônibus e, como mostrou o Diário do Transporte, preparou um modelo a diesel para ser convertido.

O prefeito Ricardo Nunes disse em 11 de fevereiro de 2025, que determinou estudos para verificar a viabilidade da implantação de ônibus a gás natural na cidade.

Os trabalhos estão sob responsabilidade do Secretário Executivo de Mudanças Climáticas, José Renato Nalini, e as discussões serão no âmbito do Comfrota (Comitê Gestor do Programa de Acompanhamento da Substituição de Frotas por Alternativas Mais Limpas).

O Comitê é vinculado à Seclima (Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas).

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/02/11/ouca-nunes-determina-estudos-para-onibus-a-gas-natural-gnv-em-sao-paulo-e-vai-recorrer-de-decisao-que-atendeu-psol-e-suspendeu-nova-lei-de-troca-de-frota/

LEI BARRADA POR AÇÃO DO PSOL:

A nova lei sobre descarbonização da frota, Lei Municipal nº 18.225, de 15 de janeiro de 2025, oriunda do projeto de Milton Leite de dezembro de 2024 e aprovada parcialmente por Nunes em janeiro de 2025, no entanto, teve seus efeitos temporariamente suspensos por determinação do desembargador Mário Devienne Ferraz do Órgão e Câmara Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, que atendeu parcialmente Ação Direta de Inconstitucionalidade movida pelo PSOL.

A lei não está anulada. A decisão, publicada em 10 de fevereiro de 2025, suspende a aplicação da lei até o julgamento final da ação.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/02/10/justica-atende-psol-e-suspende-lei-que-altera-normas-para-onibus-menos-poluentes-na-capital-paulista-veja-a-decisao-na-integra/

Entre outras alegações, o partido alega que o Projeto de Lei 825/2024, de autoria do ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite, não apresentou estudo de impacto ambiental e que flexibiliza regras, reduzindo a obrigatoriedade da compra de modelos de ônibus menos poluentes.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rodrigo Zika disse:

    Vergonhosa a Enel.

  2. Santiago disse:

    Assisti o video!
    Mas que belo teatrinho-marmelada…
    Beira o cômico…

    A sra deputada começa a apresentação saudando o Ricardo Nunes pelos tais “investimentos em ônibus elétricos”, e em seguida ela entrevista um empresário de ônibus que prontamente manifesta a sua “indignação contra a Enel”.

    Aliás, alguém conhece algum empresário de ônibus descontente com a Prefeitura??
    Alguém já viu algum empresário de ônibus questionando a desastrada e amadora “eletrificação” promovida por Ricardo Nunes???
    É claro que não!!! Pra que os empresários de ônibus iriam desmascarar alguém que é tão generoso com eles???

    Diante do previsível fracasso da sua incompetente “eletrificação”, e dos consequentes prejuizos que se acumulam, Ricardo Nunes faz o que melhor sabe fazer: Sair pela tangente fugindo das próprias responsabilidade, enquanto empurra a sua culpa aos outros.
    E agora a sua estrategia é forjar um bode- expiatorio, a fim de desviar a atenção de onde estão os verdadeiros problemas.

  3. DomRobby disse:

    Só o assunto de renovar concessão da ENEL já é uma ofensa, empresa que faltando anos para acabar seu período de exploração comercial já reduzi qtde de funcionários abaixo do mínimo, não investe em nada que some a capacidade, pois ela não vai aproveitar o lucro… E só tomou medidas preventivas e de plantão em temporais após a repercussão na mídia e dezenas de ameaças de multas, que divulgam valores mas nunca vejo alguém pagar…

  4. Ferreira disse:

    É uma vergonha…
    maís vergonha ainda, é o salário daquele que faz a coisa andar , o motorista.
    salário extremamente defasado, empresas investem milhões em infraestrutura, prefeitura paga absurdo para as empresas, mais os motoristas humm… são esquecidos.

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