Eletromobilidade

Cientistas da USP participam de consórcio internacional que pesquisa tecnologia para transformação de CO₂ em combustível sustentável

Ideia é utilizar gás que causa o efeito estufa e transformá-lo em produtos químicos e combustíveis renováveis

ALEXANDRE PELEGI

Um grupo de cientistas de vários países, incluindo a professora Liane Rossi da USP, escreveu um artigo na importante revista científica Science, explicando como transformar o gás carbônico (CO₂) em combustível. Esse estudo mostra o que faz os materiais que ajudam nessa transformação funcionarem melhor.

O CO₂ é um dos principais gases de efeito estufa e contribui para o aquecimento global.

A ideia é pegar o CO₂ e transformá-lo em produtos químicos e combustíveis renováveis. Isso abre a possibilidade de criar os chamados e-combustíveis – alternativas sustentáveis aos combustíveis fósseis tradicionais, que podem substituir a gasolina e o combustível de avião, por exemplo.

A professora Liane Rossi, que trabalha no Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) da USP, faz parte desse grupo de cientistas. Ela ajuda a coordenar um programa que estuda como usar o gás carbônico de forma inteligente. O RCGI, que conta com cerca de 600 pesquisadores, mantém colaborações com diversas instituições, como Oxford, Imperial College, Princenton e o National Renewable Energy Laboratory (NREL).

Para transformar o CO₂ em combustível, os cientistas usam materiais chamados catalisadores. Esses materiais fazem com que o CO₂ e o hidrogênio se juntem e formem novas substâncias. Os cientistas estão buscando materiais cada vez melhores para essa transformação.

Ainda existem desafios, como a origem do CO₂ e a tecnologia utilizada para convertê-lo. Mas os cientistas estão aprendendo cada vez mais sobre como fazer essa transformação de forma eficiente. No entanto, avanços no design de catalisadores e nas técnicas de análise de materiais estão abrindo caminho para um futuro energético mais limpo.

O aumento do poder de computação, com IA (Inteligência Artificial) e computação quântica, permitirá simulações mais precisas e um melhor entendimento do comportamento dos catalisadores.

RESUMO

O artigo publicado na revista Science, cientistas da Duquesne University (EUA), Università di Bologna (Itália), Universidade de São Paulo (Brasil), Universidade de Leiden (Holanda), University College London (Reino Unido) e Centre National de la Recherche Scientifique (França) detalham os principais fatores que influenciam a atividade catalítica de catalisadores heterogêneos na hidrogenação do CO₂ para metanol. Eles destacam diferentes estratégias para aumentar a estabilidade dos catalisadores e melhorar suas propriedades de hidrogenação, reunindo os avanços mais significativos dos últimos cinco anos e os desafios para o desenvolvimento de formulações mais eficientes. Aspectos históricos e mecanísticos da hidrogenação do CO₂ também são discutidos.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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