Metrô de São Paulo anuncia emissão de ações no valor de R$ 4 bilhões para aumento do capital social

Companhia oferece direito de preferência na subscrição de quase um milhão de ações ordinárias para fortalecer seu capital autorizado

ALEXANDRE PELEGI

A Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô comunicou aos seus acionistas o início do prazo de 30 dias para exercerem o direito de preferência na subscrição de 999.116 ações ordinárias.

As ações, de classe única e nominativas, sem valor nominal, são oferecidas ao preço de R$ 4.068,8754 cada, totalizando R$ 4 bilhões (R$ 4.087.644.406,65).

O aumento do capital social de uma empresa estatal é uma transação financeira que pode ocorrer através da emissão de novas ações ou quotas, ou pela integração de reservas.
As razões para aumentar o capital social incluem desde o investimento em novos projetos até a redução de dívidas. Na prática, é uma medida que visa manter a saúde financeira da empresa.

As ações nominais são aquelas que conferem direito a voto em assembleias e eleições da empresa. A emissão está dentro do limite do Capital Autorizado da Companhia, que é de R$ 52,6 bilhões (R$ 52.674.522.453,75).

O Conselho de Administração do Metrô autorizou a emissão e colocação das novas ações. O direito de compra das ações foi proporcional ao número de ações de cada titular.

O direito de preferência dos acionistas pode ser exercido proporcionalmente à razão de 10,9674% ao número de ações que cada acionista possuía na data de 26 de fevereiro de 2025. Os acionistas podem exercer seu direito na Gerência de Execução Financeira – GEF – Tesouraria, localizada na Rua Boa Vista nº 175 – Bloco B – 5º andar, São Paulo, Capital, em dias úteis, das 8:00 às 11:45 e das 12:45 às 17:30 horas.

A integralização do direito de preferência será feita em dinheiro ou da forma que a Tesouraria determinar, no ato da subscrição.

Como mostrou o Diário do Transporte, em fevereiro de 2024 o Metrô de São Paulo anunciou procedimento semelhante, com a emissão de ações ordinárias no valor de R$ 2,7 bilhões. Relembre:

Metrô de SP anuncia venda de ações ordinárias num total de R$ 2,7 bilhões

META DE TARCÍSIO É PRIVATIZAR COMPANHIA

O governador Tarcísio de Freitas tem manifestado a intenção de alterar o modelo societário, permitindo a entrada de sócios privados, além da oferta de ações em bolsa ou até mesmo a venda de subsidiárias.

Em 2023, o governo contratou estudo para uma nova estrutura societária composta por “diferentes modelos de negócios, riscos associados e retornos potenciais”. Na justificativa da contratação a companhia afirmou que o objetivo é alcançar “significativa redução sustentável de custos” e liberar recursos para “atividades estratégicas“.

O programa SP Nos Trilhos do governo de São Paulo, que visa expandir a infraestrutura de transporte sobre trilhos, foi lançado em junho de 2024, excluiu a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) de seu planejamento estratégico.

Essa ausência ocorreu em um contexto de privatização das linhas do Metrô, com o governo planejando conceder as linhas 1 (Azul), 2 (Verde), 3 (Vermelha) e 15 (Prata) à iniciativa privada. Existe a possibilidade de desestatização total da empresa pública.

O governo justificou a medida com os prejuízos acumulados pelas estatais nos últimos anos, com a intenção de que tanto o Metrô quanto a CPTM não operem mais as linhas diretamente, ficando responsáveis pelo planejamento de transporte do estado. No entanto, o decreto do programa SP Nos Trilhos não detalha a participação do Metrô no planejamento de novas linhas.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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