Construção da Estação 14 Bis-Saracura da linha 6-Laranja pode ser reavaliada, diz oficialmente o governo do estado

Nova recomendação do Iphan pode impactar o cronograma de obras

ÁDAMO BAZANI / ARTHUR FERRARI

O Governo do Estado de São Paulo admitiu de forma oficial que a construção da estação 14 Bis da linha 6-Laranja de metrô pode ser reavaliada. Há inclusive a possibilidade de a parada nem mesmo chegar a ser incluída no trajeto.

Em resposta aos questionamentos feitos pelo Diário do Transporte, a SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos) do Governo de SP disse que apenas 10% da estação concluída.

Como mostrou a reportagem, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) fez uma série de recomendações que impediram a realização das obras. No local as pesquisas indicam que havia o quilombo Saracura, onde foram encontrados vestígios arqueológicos. Se não houver uma definição até o dia 28 de fevereiro, a estação pode ser rediscutida.

No início deste mês o Iphan mandou novas recomendações, como explica a SPI em nota.

O Governo de São Paulo reforça que, desde 2022, mantém um diálogo contínuo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para viabilizar a construção da Estação 14-Bis, garantindo o cumprimento das exigências arqueológicas previstas. Durante todo esse período, diversas tratativas foram realizadas para permitir o andamento do projeto, sendo que, nesta terça-feira (11), o governo recebeu um ofício do Iphan com novas orientações sobre o prosseguimento do resgate arqueológico na área.

As obras da Estação 14-Bis atingiram até o momento 10% de execução, concentrando-se em etapas essenciais para garantir a segurança da área, como a construção de paredes de contenção que permitem a realização do resgate arqueológico de forma adequada. O cronograma do projeto foi planejado de maneira a integrar as atividades de engenharia com as diretrizes estabelecidas, assegurando a execução dos trabalhos de forma coordenada e alinhada com os procedimentos necessários.

Caso a nova decisão do Iphan de não liberar o resgate na área 04 não seja revertida, ou seja, se não for autorizada a liberação do local para o avanço das obras até o dia 28 de fevereiro de 2025, o governo de São Paulo irá reavaliar a construção da estação 14-Bis de modo a evitar impacto no cronograma.

A data limite de 28 de fevereiro de 2025 para a liberação da escavação da estação, sem novas interrupções, é essencial para que as etapas de escavação, desmontagem dos anéis dentro da estação e execução da laje de fundo sejam concluídas antes da instalação da via permanente (trilhos) e do sistema de energia. Caso esses serviços sejam executados dentro do túnel antes da desmontagem dos anéis, não será mais possível removê-los, inviabilizando a ligação da plataforma com o trem.

É importante ressaltar que o cronograma da primeira fase da Linha 6-Laranja, que compreende o trecho entre Brasilândia e Perdizes, permanece inalterado, com entrega prevista para o final de 2026.

Como mostrou o Diário do Transporte, o projeto da Estação 14 Bis-Saracura vem passando por várias dificuldades desde o início. Ainda em julho de 2023 o Iphan havia autorizado a retirada de artefatos arqueológicos do local das obras. Um ano depois, em julho de 2024, a Linha Uni, concessionária responsável pelas obras, disse que a parada poderia ser inviabilizada caso não houvesse liberação do instituto até agosto.

Relembre

Linha Uni diz que se não receber liberações do IPHAN até agosto, estação 14 Bis-Saracura vai atrasar ou pode ser inviabilizada

Ádamo Bazani e Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Não sei se a turma do Iphan está mesmo preocupada com os vestígios arqueológicos. Ou se quer apenas conquistar os seus 15 minutos de fama e de soberba, com um eventual cancelamento da estação 14-Bis.

    Com todo o tempo decorrido, já teria sido plenamente possível chegar-se a um consenso que preservasse a história do lugar e que também garantisse a implantação dessa importante estação do nosso Metrô.

    O grande problema parece estar sendo falta de boa vontade, e excesso de intransigência.

    1. Cesar Mello disse:

      Curioso é que deixaram destruir toda a cidade. A cidade foi toda descaracterizada e só silêncio.

    2. Alberto disse:

      Enquanto isso, o mesmo Iphan deixou cair parte do teto de igreja em Salvador, essa sim de grande interesse histórico e não esses cacos de cerâmica que estão sendo encontrados.
      Órgão inútil e com uma postura ridícula.

  2. Adriano disse:

    Ter conhecimentondoa acontecimentos históricos é importante, mas não tem o direito de impedir o progresso, ainda mais para uma obra que irá beneficiar milhares de pessoas todos oa dias. Fico impressionado com a dalta de visão do Iphan neste caso.

  3. regis paiva disse:

    Se o IPHAN inviabilizar a obra, estará prejudicando milhões de usuários que se beneficiaram com o metrô. O metrô no bairro irá trazer benefícios. Mais turismo , aumento considerável de pessoas no comércio local , valorização dos imóveis e maior acessibilidade a todos que queiram visitar o bairro.

    A questão parece ser puramente burocrática.

  4. Gabriel disse:

    Engraçado que o mesmo pessoal que reclama do IPHAN provavelmente quando viaja para Roma, Grécia, Etc fica estupefato e tirando foto nos sítios arqueológicos existentes mas sendo aqui no Brasil, tem que priorizar o “progesso”.

    Enfim a hipocrisia e vira latismo.

    Parabéns ao IPHAN por manter a postura e manter a posição para a preservação histórica.

    1. laurindojunqueira disse:

      Há maneiras de conciliar ambas as necessidades. Vi, no metrô do México, verdadeiros museus referentes aos achados históricos, construídos em meio às estações. Além de tudo, incentiva os cidadãos a visitar e a observar as descobertas da arqueologia.

  5. Marcelo disse:

    Ah, segue o projeto. Cancela essa estação aí, Faz uma praça no lugar e já era.

    1. laurindojunqueira disse:

      Fizeram isso, Marcelo, na estação Caxingui da Linha 4 – Amarela. E hoje o bairro se ressente da falta de atendimento do metrô … Vc não acha isso um equívoco, já que há maneiras consagradas de resolver o assunto?

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