Construção da Estação 14 Bis-Saracura da linha 6-Laranja pode ser reavaliada, diz oficialmente o governo do estado
Publicado em: 13 de fevereiro de 2025
Nova recomendação do Iphan pode impactar o cronograma de obras
ÁDAMO BAZANI / ARTHUR FERRARI
O Governo do Estado de São Paulo admitiu de forma oficial que a construção da estação 14 Bis da linha 6-Laranja de metrô pode ser reavaliada. Há inclusive a possibilidade de a parada nem mesmo chegar a ser incluída no trajeto.
Em resposta aos questionamentos feitos pelo Diário do Transporte, a SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos) do Governo de SP disse que apenas 10% da estação concluída.
Como mostrou a reportagem, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) fez uma série de recomendações que impediram a realização das obras. No local as pesquisas indicam que havia o quilombo Saracura, onde foram encontrados vestígios arqueológicos. Se não houver uma definição até o dia 28 de fevereiro, a estação pode ser rediscutida.
No início deste mês o Iphan mandou novas recomendações, como explica a SPI em nota.
O Governo de São Paulo reforça que, desde 2022, mantém um diálogo contínuo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para viabilizar a construção da Estação 14-Bis, garantindo o cumprimento das exigências arqueológicas previstas. Durante todo esse período, diversas tratativas foram realizadas para permitir o andamento do projeto, sendo que, nesta terça-feira (11), o governo recebeu um ofício do Iphan com novas orientações sobre o prosseguimento do resgate arqueológico na área.
As obras da Estação 14-Bis atingiram até o momento 10% de execução, concentrando-se em etapas essenciais para garantir a segurança da área, como a construção de paredes de contenção que permitem a realização do resgate arqueológico de forma adequada. O cronograma do projeto foi planejado de maneira a integrar as atividades de engenharia com as diretrizes estabelecidas, assegurando a execução dos trabalhos de forma coordenada e alinhada com os procedimentos necessários.
Caso a nova decisão do Iphan de não liberar o resgate na área 04 não seja revertida, ou seja, se não for autorizada a liberação do local para o avanço das obras até o dia 28 de fevereiro de 2025, o governo de São Paulo irá reavaliar a construção da estação 14-Bis de modo a evitar impacto no cronograma.
A data limite de 28 de fevereiro de 2025 para a liberação da escavação da estação, sem novas interrupções, é essencial para que as etapas de escavação, desmontagem dos anéis dentro da estação e execução da laje de fundo sejam concluídas antes da instalação da via permanente (trilhos) e do sistema de energia. Caso esses serviços sejam executados dentro do túnel antes da desmontagem dos anéis, não será mais possível removê-los, inviabilizando a ligação da plataforma com o trem.
É importante ressaltar que o cronograma da primeira fase da Linha 6-Laranja, que compreende o trecho entre Brasilândia e Perdizes, permanece inalterado, com entrega prevista para o final de 2026.
Como mostrou o Diário do Transporte, o projeto da Estação 14 Bis-Saracura vem passando por várias dificuldades desde o início. Ainda em julho de 2023 o Iphan havia autorizado a retirada de artefatos arqueológicos do local das obras. Um ano depois, em julho de 2024, a Linha Uni, concessionária responsável pelas obras, disse que a parada poderia ser inviabilizada caso não houvesse liberação do instituto até agosto.
Relembre
Ádamo Bazani e Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte


Não sei se a turma do Iphan está mesmo preocupada com os vestígios arqueológicos. Ou se quer apenas conquistar os seus 15 minutos de fama e de soberba, com um eventual cancelamento da estação 14-Bis.
Com todo o tempo decorrido, já teria sido plenamente possível chegar-se a um consenso que preservasse a história do lugar e que também garantisse a implantação dessa importante estação do nosso Metrô.
O grande problema parece estar sendo falta de boa vontade, e excesso de intransigência.
Curioso é que deixaram destruir toda a cidade. A cidade foi toda descaracterizada e só silêncio.
Enquanto isso, o mesmo Iphan deixou cair parte do teto de igreja em Salvador, essa sim de grande interesse histórico e não esses cacos de cerâmica que estão sendo encontrados.
Órgão inútil e com uma postura ridícula.
Ter conhecimentondoa acontecimentos históricos é importante, mas não tem o direito de impedir o progresso, ainda mais para uma obra que irá beneficiar milhares de pessoas todos oa dias. Fico impressionado com a dalta de visão do Iphan neste caso.
Se o IPHAN inviabilizar a obra, estará prejudicando milhões de usuários que se beneficiaram com o metrô. O metrô no bairro irá trazer benefícios. Mais turismo , aumento considerável de pessoas no comércio local , valorização dos imóveis e maior acessibilidade a todos que queiram visitar o bairro.
A questão parece ser puramente burocrática.
Engraçado que o mesmo pessoal que reclama do IPHAN provavelmente quando viaja para Roma, Grécia, Etc fica estupefato e tirando foto nos sítios arqueológicos existentes mas sendo aqui no Brasil, tem que priorizar o “progesso”.
Enfim a hipocrisia e vira latismo.
Parabéns ao IPHAN por manter a postura e manter a posição para a preservação histórica.
Há maneiras de conciliar ambas as necessidades. Vi, no metrô do México, verdadeiros museus referentes aos achados históricos, construídos em meio às estações. Além de tudo, incentiva os cidadãos a visitar e a observar as descobertas da arqueologia.
Ah, segue o projeto. Cancela essa estação aí, Faz uma praça no lugar e já era.
Fizeram isso, Marcelo, na estação Caxingui da Linha 4 – Amarela. E hoje o bairro se ressente da falta de atendimento do metrô … Vc não acha isso um equívoco, já que há maneiras consagradas de resolver o assunto?