ABASP estuda suspender vendas a crédito do cartão TOP e QR Code em canais digitais
Publicado em: 9 de dezembro de 2024
Decisão seria tomada, inicialmente, para diminuir os impactos negativos no fluxo de caixa da Associação; situação segue sem alterações, diz a entidade
ALEXANDRE PELEGI
A ABASP (Associação de Apoio e Estudo da Bilhetagem e Arrecadação nos Serviços Públicos de Transporte Coletivo de Passageiros do Estado de São Paulo) está estudando a suspensão das vendas a crédito do cartão TOP e QR Code em todos os seus canais digitais.
A possível medida, que portanto não tem data para vigorar, foi comunicada em ofício enviado à EMTU, Metrô, CMT, CPTM e Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos em 05 de dezembro de 2024 (cópia abaixo).
Em nota ao Diário do Transporte a ABASP informou que a compra de bilhetes QR Code e do Cartão TOP segue ocorrendo normalmente por cartão de crédito, débito e PIX em todos os canais digitais. “Alterações nas formas de pagamento são sempre informadas previamente aos clientes por meio dos canais oficiais da plataforma TOP”, informou a associação.
Ainda de acordo com o ofício circular a decisão visa mitigar os impactos negativos no fluxo de caixa da Associação, com as transações a crédito sendo consideradas um dos principais fatores de risco. A suspensão abrangeria todas as modalidades do cartão TOP e o QR Code, afetando compras realizadas pelo aplicativo, WhatsApp e Google Wallet.
A Associação comunicou a decisão à Autopass para que as tratativas para a suspensão por tempo indeterminado fossem iniciadas.
Em caso de suspensão, o eventual retorno das vendas a crédito dependeria da análise de propostas que não impactem negativamente o fluxo de caixa da ABASP e garantam o pagamento das remissões aos seus associados.
A decisão final caberá ao Conselho de Administração.
Leia a Nota da ABASP:
A ABASP informa que a compra de bilhetes QR Code e do Cartão TOP segue ocorrendo normalmente por cartão de crédito, débito e PIX em todos os canais digitais. Alterações nas formas de pagamento são sempre informadas previamente aos clientes por meio dos canais oficiais da plataforma TOP.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


Talvez seja um dos maiores problemas do TOP é o formato, pois o cartão é oferecido como um sistema bancário e não como cartão de ônibus. O correto era o TOP ser como o BOM – a oferta da emissão deveria ser apenas em postos interligados a terminais EMTU e a oferta deve ser apenas de um cartão exclusivo para uso no sistema metropolitano. A oferta do QR-Code via canal diverso é interessante na teoria, mas na prática é um risco de fraude aos próprios.
Se eu fosse a AutoPass/Abasp, “resetaria” o sistema TOP, ou seja, faria uma nova fase de geração de emissão de cartões e QR-Codes, apenas em terminais de emissão exclusivos. E desativaria totalmente o sistema “banco digital”, na verdade apenas deixando o mesmo para o crédito no sistema TOP/EMTU. Mais para frente poderia ser estudado um sistema de “banco de mobilidade” e o TOP poderia ser experimentado em sistemas municipais, tal como o BOM foi por muito tempo. Nem sei mais quais municípios adotam o TOP como cartão da mobilidade municipal, diga-se.
Mas o problema não é o banco digital pelo que entendi, e sim a compra da passagem usando cartões de crédito, tanto que a medida irá afetar até a venda de qr code se implementada.
O banco digital é um problema de venda casada, dado que há relatos de que pessoas vão nas Pernambucanas para solicitar um cartão e acaba “mandatório” a pessoa sair com um cartão do banco digital. Eu vou até tentar fazer a nova via (perdi a primeira) e espero muito que eu não seja obrigado a fazer um cartão de transporte + banco. Se eu for, vou gravar e em seguida vou no Procon.
E do jeito que fala, me vem a mente o fato que talvez as fraudes que vem ocorrendo com passagens vendidas mais baratas por grupos criminosos em estações possam ser oriundas também deste problema da venda com cartão de crédito.