ENTREVISTA: Ricardo Nunes confirma que Transwolff e UPBus podem ter contrato rescindido e aberta nova licitação. Viações são suspeitas de ligação com o PCC

Nas palavras do prefeito, uma auditoria mostrou incapacidade financeira de a UpBus e a Transwolff continuarem operando na capital paulista

ADAMO BAZANI

Colaboraram Arthur Ferrari e Guilherme Strabelli

OUÇA:

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, confirmou nesta quinta-feira, 07 de novembro de 2024, que os contratos com as empresas de ônibus UpBus, da zona Leste, e Transwolff, da zona Sul, correm o risco de fato de ser extintos.

Ambas empresas estão sob intervenção da SPTrans (São Paulo Transporte), que gerencia os transportes da cidade, desde 09 de abril de 2024, quando foi deflagrada a Operação Fim da Linha, do MPSP (Ministério Público de São Paulo), que apura supostas ligações de diretores destas duas companhias de ônibus com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). O Gaeco, braço do MP que investiga o crime organizado, investiga, entre outros crimes, lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, roubo e tráfico de armas por meio da Transwolff e da UPBus.

Nunes disse que dependendo da resposta à notificação enviada pela prefeitura às direções das empresas em 31 de outubro de 2024 pode ser aberto um processo de caducidade e aberta uma licitação para operar as áreas onde atuam.

Na questão das empresas que têm a intervenção da prefeitura, após ser concluído o relatório da intervenção, eles vão ter 15 dias de prazo para responder. Dependendo da resposta, elas continuam como concessionárias. Se (a resposta) não for satisfatória, eu inicio o processo de caducidade, que é o processo de extinção do contrato e abro a licitação logo em seguida.  – afirmou.

Nas palavras do prefeito, uma auditoria mostrou incapacidade financeira de a UpBus e a Transwolff continuarem operando na capital paulista.

Ela (auditoria) demonstrou algumas inconsistências do ponto de vista de gestão, a incapacidade financeira delas continuarem avançando. São apontamentos que eles, agora, têm o prazo de 15 dias para apresentar sua defesa e sua justificativa.

Como mostrou em primeira mão o Diário do Transporte nesta quarta-feira (06), as direções da Transwolff e da UPBus têm até a metade deste mês de novembro de 2024 para responder aos questionamentos da prefeitura.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/11/06/transwolff-e-upbus-sao-notificadas-em-primeiro-passo-de-procedimento-que-pode-resultar-em-rescisao-de-contratos-viacoes-sao-investigadas-por-ligacao-com-o-pcc/

Nunes ainda disse que salários e pagamentos de fornecedores estão garantidos, mesmo que houver rompimento contratual

Você pega a Transwolff: São 1,2 mil ônibus. São milhares de funcionários. A Up Bus são mais de 100 ônibus, 700 mil pessoas transportadas por dia. Eu sei da minha responsabilidade. Queria aproveitar vocês da imprensa para reafirmar: Tem o compromisso do prefeito de que não haverá ninguém sem o pagamento do salário, não haverá nenhum fornecedor sem recebimento e eles podem continuar trabalhando e fornecendo, porque nós vamos concluir esse processo, que vai, na verdade, dar mais segurança ao funcionário e ao fornecedor, porque agora é a prefeitura, é a mão do poder público administrando as empresas e que vai tomar a melhor decisão.

 AVALIAÇÃO EXTERNA:

Em primeira mão, no dia 02 de agosto de 2024, o Diário do Transporte mostrou que a prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Executiva de Transporte e Mobilidade Urbana (SETRAM), contratou por R$ 1,54 milhão a Fundação Carlos Alberto Vanzolini para fazer uma avaliação externa independente nas empresas Transwolff e UPBus (veja nota da Fundação logo abaixo).

A Transwolff tem cerca de 100 linhas na zona Sul, 1206 ônibus e é a terceira maior frota da cidade, sendo originária da cooperativa CooperPam.

A UpBus, empresa da zona Leste, atua em 13 linhas com 159 ônibus e chegou a se chamar Qualibus, sendo originária da garagem 2 da Associação Paulistana.

Relembre a reportagem original do Diário do Transporte:

https://diariodotransporte.com.br/2024/08/05/em-primeira-mao-nunes-contrata-por-r-154-milhao-auditoria-externa-para-transwolff-e-upbus-suspeitas-de-ligacao-com-o-pccmateria-original-publicada-em-02-08-24/

NOTA DA FUNDAÇÃO CARLOS ALBERTO VANZOLINI

A Fundação Carlos Alberto Vanzolini (FCAV) informa que foi contratada para realizar uma avaliação externa independente para apoiar a SETRAN e não para realizar auditorias externas nas empresas, como foi divulgado.

A avaliação externa independente terá o objetivo fornecer subsídios à Administração Pública Municipal para fins de maior entendimento sobre a viabilidade econômico-financeira e operacional das empresas para fins de tomada de decisão.

A Fundação Carlos Alberto Vanzolini (FCAV) é uma organização sem fins lucrativos, criada há 57 anos e gerida pelos professores do departamento de Engenharia de Produção da Universidade de São Paulo (Poli-USP) para melhorar a efetividade do processo de desenvolvimento sustentável do Brasil.

OPERAÇÕES ENVOLVENDO EMPRESAS DE ÔNIBUS

POR ADAMO BAZANI

– OPERAÇÃO FIM DA LINHA – MINISTÉRIO PÚBLICO DE SP (TRANSWOLFF E UPBUS)

Condução: Ministério Público com Receita Federal e Polícias Civil e Militar sobre a Transwolff, que tem cerca de 100 linhas na zona Sul, 1206 ônibus e é a terceira maior frota da cidade É originária da cooperativa CooperPam. A operação é também foi sobre a UpBus, empresa da zona Leste com 13 linhas e 159 ônibus, que chegou a se chamar Qualibus, originária da garagem 2 da Associação Paulistana

Deflagração da Fase I: 09 de abril de 2024.

O Ministério Público, a Receita Federal e as polícias Civil e Militar deflagraram a Operação “Fim da Linha” que identificou um suposto esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e outros crimes sob responsabilidade do PCC (Primeiro Comando da Capital) por meio de diretores de duas empresas de ônibus (Transwolff e UpBus).

Foram presos no dia Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora (um dos donos da Transwolff), ⁠Robson Flares Lopes Pontes (Transwolff), ⁠Joelson Santos da Silva (Transwolff), por causa dos mandados de prisão. Também houve prisões em flagrante por porte de armas. Sócio da UpBus, Alexandre Salles Brito, foi preso em 16 de abril de 2024

Já Silvio Luís Ferreira, o Cebola, sócio da Upbus, por não ser encontrado no dia, foi considerado foragido. Também teve a prisão decretada, outro sócio da UpBus, Decio Gouveia Luiz, apelidado de Décio Português.

Desdobramento em 25 de junho de 2024: O Ministério Público de São Paulo realizou EM  25 de junho de 2024, a apreensão de 23 armas de fogo atribuídas ao presidente afastado da empresa de transportes UpBus, Ubiratan Antônio da Cunha.

Foi um desdobramento da Operação Fim da Linha, deflagrada em 09 de abril de 2024, que investiga a possível relação de diretores da UpBus, e da Transwolff, que opera na zona Sul da capital paulista, com o PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa que atua dentro e fora de presídios.

Ubiratan Antônio da Cunha é um dos réus no processo que apura as supostas ligações entre parte dos transportes da cidade de São Paulo e o crime organizado.

Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado ), do Ministério Público, a Polícia Civil havia sido procurada por integrantes da cooperativa Aliança Paulistana, que deu origem à UpBus por terem sido expulsos, com emprego de força física e intimidação verbal, da sede da empresa.

Ainda de acordo com a promotoria, a expulsão e a ameaça ocorreram no dia 05 de junho de 2024, por Ubiratan, mesmo sendo impedido por ordem da Justiça de frequentar a garagem.

Desdobramento em 16 de julho de 2024: Atendendo a pedido do MPSP, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), a Justiça decretou a prisão preventiva do presidente afastado da empresa de transportes Upbus, Ubiratan Antônio da Cunha. Um dos alvos da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024, se tornou réu pela prática dos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. O mandado foi cumprido nesta terça-feira (16/7) pela 2ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (DEIC), da Polícia Civil.

No dia 5 de junho, a Polícia Civil foi procurada por integrantes da cooperativa sucedida pela Upbus em razão de terem sido expulsos da sede da empresa pelo dirigente da sociedade, atualmente impedido por ordem da Justiça de frequentar o local. Os fatos foram comunicados ao Ministério Público.

Posteriormente, o MPSP descobriu que, na mesma semana, o interventor nomeado pelo município foi atraído por funcionários da Upbus sob o pretexto de tomarem um café em um estabelecimento nas redondezas da garagem. O dirigente esperava por ele no local, em afronta à decisão judicial.

02 de agosto de 2024: Em primeira mão, no dia 02 de agosto de 2024, o Diário do Transporte mostrou que a prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Executiva de Transporte e Mobilidade Urbana (SETRAM), contratou por R$ 1,54 milhão a Fundação Carlos Alberto Vanzolini para fazer uma avaliação externa independente nas empresas Transwolff e UPBus

31 de outubro de 2024: Em 31 de outubro de 2024, a prefeitura enviou notificação à Transwolff e UPBus, que desde 09 de abril de 2024 passaram a estar sob intervenção do poder público. Foi o primeiro passo para uma eventual (até então) possibilidade de extinção dos contratos com estas viações. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, confirmou em 07 de novembro de 2024, que os contratos tinham o risco de fato de ser extintos. Nas palavras do prefeito, uma auditoria (avaliação externa) mostrou incapacidade financeira de a UpBus e a Transwolff continuarem operando na capital paulista.

Ela (auditoria) demonstrou algumas inconsistências do ponto de vista de gestão, a incapacidade financeira delas continuarem avançando.

– OPERAÇÃO ATARAXIA – DENARC (UPBUS)

Condução: Denarc – sobre UPBus (empresa da zona Leste com 13 linhas), que chegou a se chamar Qualibus, originária da garagem 2 da Associação Paulistana

Deflagração da Fase I: 02 de junho de 2022

Investigações começaram há mais de um ano a partir da morte Anselmo Santafausta, o Cara Preta, por questões ligadas ao crime organizado.

Segundo as apurações, boa parte dos mais de 60 sócios da empresa têm passagens pela polícia e ainda é envolvida com a criminalidade. A UPBus, de acordo coma Polícia, lava dinheiro de facções criminosas. O esquema também envolvia ganhos na Loteria Federal também para dar uma aparência legal ao dinheiro obtido em atividades criminosas.

Deflagração da Fase II: 15 de junho de 2022

Foram bloqueados entre R$ 40 milhões e R$ 45 milhões em imóveis e veículos da empresa de transportes urbanos UPBUS, que opera na zona Leste de São Paulo, e de investigados da “Operação Ataraxia”, que apura o uso da companhia de ônibus por uma facção criminosa para lavagem de dinheiro.

Todos os veículos da empresa UPBUS, dentre eles quase 250 ônibus, também foram objetos de sequestro, impedindo eventual a alienação dos veículos por parte da empresa.  Estes ônibus poderão continuar operando, só que os ônibus não podem ser vendidos e a arrecadação da operação vai para conta judicial.

UPBus não se manifestou

OPERAÇÃO PRODITOR

Condução: Deic – sobre TransUnião (empresa da zona Leste com 524 ônibus), que surgiu da cooperativa Nova Aliança

Deflagração: 09 de junho de 2022

Investigações começaram após assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-diretor, ocorrido em 04 de maio de 2020.

Polícia aponta que Adauto era “testa de ferro” do vereador Senival Moura (PT) na direção da empresa, que era utilizada para a lavagem de dinheiro de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital). O próprio vereador era proprietário de 13 ônibus que prestavam serviços para a empresa. O parlamentar nega.

A Polícia chegou a apreender 18 ônibus, 14 operacionais e quatro que estavam na reserva em manutenção, mas os veículos foram devolvidos para operação.

A TransUnião não se manifestou.

MINISTÉRIO PÚBLICO:

O Gaeco, do Ministério Público do Estado de São Paulo, passou também investigar a possível ligação de empresas de ônibus da capital paulista com o crime organizado.

De acordo com o delegado-geral Oswaldo Nico Gonçalves, em 15 de junho de 2022, foi montada uma força-tarefa entre os promotores e a Polícia Civil.

CÂMARA MUNICIPAL:

Em 15 de junho de 2022, na Câmara Municipal de São Paulo, foi protocolado por um delegado da Polícia Civil um pedido na corregedoria da casa para investigar o vereador Senival Moura, do PT.

No dia 10 de junho de 2022, um pedido de abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) foi aberto pelo vereador Mario Palumbo Junior, o delegado Palumbo, do MDB. Houve poucas assinaturas no início: Fernando Holiday (Novo), Érica Hilton (PSOL), Sonaira Fernandes (Republicamos) e Marlon Luz (MDB), porém, Marlon Luz retirou sua assinatura.

Veja em:

https://diariodotransporte.com.br/2022/06/10/apos-operacoes-policiais-pedido-de-cpi-dos-onibus-de-sao-paulo-e-protocolado-na-camara-municipal/

CONTROLADORIA DO MUNICÍPIO:

A CGM (Controladoria Geral do Município) da capital paulista abriu sindicância para apurações internas sobre as empresas de ônibus que têm contrato com a prefeitura e que são investigadas pela Polícia Civil a respeito de um suposto envolvimento com o crime organizado em São Paulo.

De acordo com a prefeitura, haverá um compartilhamento de informações com as frentes policiais.

“A decisão foi tomada pela CGM após liderar reunião de representantes da gestão municipal com a Polícia Civil para compartilhamento das informações apuradas nas investigações sobre a utilização de empresa de transporte público para lavar dinheiro para organização criminosa”.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. ANDERSON ALESSANDRO OLIVEIRA ARAUJO disse:

    Perguntinha: no caso da recisão contratual das empresas, quem assumiria? Só a TransWolff opera mais de 20 linhas que originalmente eram de empresas estruturais (Campo Belo, Metrópole Paulista, Grajaú) e, ao meu ver, essas empresas não tem nenhum interesse em fazer essas linhas de bairro; se tivessem, não teriam “jogado” essas linhas pra eles… e a população mais uma vez será prejudicada.

    1. diariodotransporte disse:

      Como diz a reportagem, licitação

    2. José disse:

      Acho que vai ter aquela OPERAÇÃO ARCO – IRIS que aconteceu na Zona Leste- Área 04, antes da EXTINTA E SACANEADA pelo PT, HIMALAIA, assumir… entre os dias da Marta Suplicy, José Serra… A SAMBAIBA era a PRINCIPAL EMPRESA participante dessa operação, que durou uns 03 anos… os Ônibus , muitos vieram usados de Campinas e Valinhos… voltaram p/ nós, aqui na AREA 02 – ZONA NORTE, totalmente detonados e sujos! Lamentável..
      Mas, p Prefeito está certo em dar CADUCIDADE aos Contratos!
      E eu acho que deveriam INVESTIGAR tmb TODAS AS OUTRAS EX COOPERATIVAS! E EMPRESAS “TRADICIONAIS” TMB ! Só acho…

      1. William Santos disse:

        José, a investigação do MP não teve como alvo único a Transwolff e a UPBus. Obviamente o órgão investigou todas as demais empresas provenientes das cooperativas. O que houver aqui é que essas duas demonstraram indícios muito fortes (inclusive de uma pessoa ligada à diretoria da Transwolff sendo presa em flagrante com posse de uma arma! Não estou dizendo que não haja mais empresas, mas a investigação já aconteceu..

        Sobre a operação Arco-ìris, naquela época não foi um rompimento de contrato simplesmente, mas um DESCREDENCIAMENTO. Quando isso acontece, a interrupção das operações é imediata. No caso do rompimento, as empresas envolvidas ainda continuarão operando, porém com um prazo, dessa forma as linhas passam a ser operadas por outras empresas gradativamente até que tudo se finalize.

        Então, a chance dessa operação Arco-Iris acontecer denovo é muito remota, atépor ser num momento bastante oportuno: Fim de ano, a demanda caindo, pessoas tirando férias…

        Estou curioso quanto à essa licitação ai! Provavelmente empresas também provenientes de cooperativas deverão entrar no certame. Isso se algumas pessoas ex-funcíonárias da própria Transwolff não criarem uma empresa. MP-SP e a prefeitura precisam é ficar de olho nisso! A UPBus, com todo respeito, pelo tamanho dela e quantidade de linhas, mais facil repassar as operçaões para a Pessego e a Transunião

  2. Reginaldo JS Teixeira disse:

    Tem que tirar a movebuss tbm, empresa horrível!
    Trata os passageiros feito lixo.

  3. Bruno disse:

    Olhem, do “jeito” que a situação acontece, só digo uma coisa: que volte a CMTC !!!! Privatiza que melhora !!!! E eis ae mais um “fiasco” das privatizações !!!! Foi para isso também que o ladrão do Paulo Maluf (PP SP) privatizou a CMTC ???? Para deixar as empresas nas mãos de bandidos vulgares ???? Bandido bom é bandido morto !!!!

    #VoltaCMTC

    #QueremosaCMTCdeVolta

  4. Rodrigo Zika disse:

    Vamos ver, não vejo outra cooperativa com ônibus sobrando pra assumir as linhas.

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