Prefeitura de Mauá (SP) prorroga por 10 anos contrato de concessão do transporte com a Suzantur

Prorrogação dos serviços do sistema de ônibus municipais vai até 14 de agosto de 2034, com valor estimado em R$ 13,7 milhões. Companhia começou a operar depois de um controverso descredenciamento das empresas anteriores por parte do ex-prefeito Donisete Braga e do então secretário de Mobilidade Urbana de Mauá, Paulo Eugênio

ADAMO BAZANI

A Suzantur vai ficar por mais dez anos operando os transportes na cidade de Mauá, no ABC Paulista. A prorrogação do contrato, assinada pelo prefeito Marcelo Oliveira, foi publicada nesta segunda-feira, 26 de agosto de 2024, e vai até 14 de agosto de 2034. O valor estimado dessa ampliação do tempo de permanência da Suzantur é de R$ 13,7 milhões, pagos em forma de outorga.

A Suzantur é a única empresa de ônibus que opera os transportes na cidade, que tem uma população estimada de 480 mil pessoas, de acordo com o mais recente censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Antes da pandemia de covid-19, a demanda de passageiros dos ônibus de Mauá se aproximava de três milhões por mês, dos quais 458 mil de estudantes; 1,2 milhão por vale-transporte comprados pelos empregadores para os funcionários; e as demais por outras entradas, como cartão comum, passagens em dinheiro e gratuidades.

São, pelo contrato, cerca de 250 ônibus em 51 linhas, entre principais e serviços complementares e expressos.

A frota da cidade é nova e, deste total de aproximadamente 250 coletivos, 50 foram colocados zero km para circular em dezembro de 2023, já com o padrão de motores com nova tecnologia Euro 6, que polui 75% menos.

Nenhum ônibus, entretanto, tem ar-condicionado.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/12/04/suzantur-e-prefeitura-de-maua-sp-apresentam-50-onibus-0-km-com-tecnologia-euro-6-que-polui-75-menos/

A Suzantur começou a operar em Mauá (SP) após um procedimento até hoje contraditório por parte do ex-prefeito Donisete Braga e do então secretário de Mobilidade Urbana de Mauá, Paulo Eugênio, que contrariando a procuradoria do próprio município, retirou a antiga operadora da cidade, Leblon Transporte de Passageiros, com base num argumento de que teria havido por parte das concessionárias uma invasão ao sistema de bilhetagem eletrônica. A argumentação não foi consenso sequer dentro da prefeitura e a então corregedora do município, Thais de Almeida Miana, recomendou em 27 de junho de 2013 uma melhor investigação antes de qualquer atitude, o que não foi acatado por Donisete Braga que continuou o processo de descredenciamento. A Viação Cidade de Mauá (antiga Barão de Mauá), de Baltazar José de Sousa, também foi retirada, mas a empresa era alvo de reclamações dos passageiros. A Leblon, entretanto, tinha grande aprovação pelos ônibus novos, articulados (o que não existe mais em Mauá), educação dos motoristas e cobradores, conservação e limpeza dos veículos, cumprimento de horários e itinerários, entre outros itens.   O caso ainda está na Justiça (veja abaixo mais abaixo)

EXTRATO DE CONTRATO

1º Termo de Aditamento ao Ctr.64/14;Proc.12001/13; Contratada: Transportadora Turística Suzano Ltda;

Objeto: Prorrogação de prazo referente a concessão dos serviços de transporte público coletivo urbano no Município de Mauá;

Prorrogação: 10 anos;

Vigência: 15/08/24 a 14/08/34;

Valor Outorga: R$ 13.721.886,50;

Ass: 14/08/24. Marcelo Oliveira – Prefeito

RETIRADA DE EMPRESA AINDA CAUSA ESTRANHAMENTO:

Mais de dez anos depois, a retirada da Leblon Transporte ainda causa estranhamento por parte da população de Mauá pelo fato de os argumentos da prefeitura na época sobre a suposta invasão ao sistema de bilhetagem eletrônica serem alvos de contestações e as provas apresentadas pela gestão na época não serem contundentes do ponto de vista jurídico.

A Leblon quebrou um monopólio que era ligado a empresários de ônibus que atuam no ABC desde os anos de 1980, provenientes de Minas Gerais. Era o chamando informalmente de “Grupo dos Mineiros”.

Ao longo da disputa para a retirada da Leblon, surgiu até uma empresa chamada de Estrela de Mauá, que foi fundada por Baltazar e repentinamente começou a operar no mesmo lote da Leblon sob a direção de um executivo que nunca tinha tido experiência com ônibus. A Estrela de Mauá foi tirada por ordem judicial.

Como mostrou a reportagem, assim, em 2010 e 2014, operavam duas empresas: a VCM – Viação Cidade de Mauá, de Baltazar José de Sousa, e a Leblon Transporte, da família Isaak, do Paraná.

Durante a gestão do ex-prefeito Donisete Braga, ambas as empresas foram descredenciadas por supostas consultas não autorizadas pela prefeitura do sistema de bilhetagem eletrônica. Não foram comprovadas fraudes e a então corregedora do município, Thais de Almeida Miana, recomendou uma melhor investigação antes de qualquer atitude, o que não foi acatado por Donisete Braga que continuou o processo de descredenciamento. O caso ainda está na Justiça.

A Leblon Transporte chegou a ter 95% de aprovação dos passageiros de acordo com uma pesquisa de 2012 da própria prefeitura.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Patrícia Marques Ferreira disse:

    Estamos ferrado essa impresa é ima porcaria
    Pouco ônibus e demora de mas

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