Prefeitura de São Paulo repassa R$ 29,5 milhões para SPObras fiscalizar e gerenciar projeto do trecho 2 do BRT Radial Leste

Sistema de corredores de ônibus de alta capacidade teve contratação das obras do trecho 1 por R$ 108 milhões. Prefeitura ainda promete relançar a licitação do BRT Aricanduva e diz que nove empresas se interessaram pelo projeto do VLT do Centro

ADAMO BAZANI

A prefeitura de São Paulo repassou R$ 29,5 milhões para mais uma fase do trecho 2, do BRT (sistema de ônibus rápidos de alta capacidade) Radial Leste.

A SPObras, empresa da própria prefeitura, é que vai receber o dinheiro para fiscalizar e gerenciar o desenvolvimento do projeto. O prazo para a finalização deste projeto é de seis meses.

O trecho 2 do BRT Radial Leste tem 3,1 km entre a Rua Almirante Brasil e Rua Armando Gardenghi, na zona Leste.

Ao todo, o BRT Radial Leste terá 9,74 km, divididos em três trechos. Quando completo, o sistema, que deveria estar pronto há mais de dez anos, deve receber 400 mil passageiros por dia.

Nesta quarta-feira (21), a prefeitura de São Paulo assinou contrato de R$ 108 milhões para construção do trecho 1 do BRT Radial Leste, que vai do Terminal Parque Dom Pedro a Rua Almirante Brasil/ Rua Professor Miguel Russiano, no Aricanduva, uma extensão de 2,1 km. As obras devem ser concluídas em um ano e meio.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/08/21/prefeitura-de-sao-paulo-assina-contrato-com-consorcio-que-vai-construir-brt-radial-leste-trecho-1-por-r-108-milhoes/

Também nesta quarta-feira (21), o prefeito Ricardo Nunes comentou que a licitação de outro sistema de ônibus de alta capacidade, o BRT Aricanduva, deve ser relançada nos próximos dias. O BRT Aricanduva deve ter 13,65 km, divididos em quatros trechos. Pelo sistema, devem ser atendidos 290 mil passageiros por dia.

Nunes ainda disse que nove empresas se interessaram pelo projeto de implantação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) do centro.

A prefeitura de São Paulo lançou um PMI (Procedimento de Manifestação de Interesse) e, com base em projetos prévios apresentados pelas empresas participantes, deve lançar o edital de licitação.

O VLT do Centro de São Paulo terá duas linhas de seis quilômetros cada e 27 paradas, das quais 13 distribuídas em cada uma das direções com uma conexão. A previsão é que os veículos atendam às regiões do Brás, Bom Retiro e Campos Elíseos.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/08/21/vlt-de-sao-paulo-tem-nove-empresas-interessadas-e-brt-aricanduva-tera-licitacao-re-lancada-diz-nunes-ouca/

BRT RADIAL LESTE:

A prefeitura de São Paulo publicou em 22 de agosto de 2024, o contrato com o consórcio que vai atuar na elaboração dos projetos e na construção do trecho 1 do BRT (Bus Rapid Transit) Radial Leste, algo que é aguardado por mais de dez anos para tentar agilizar os deslocamentos por transporte público entre a zona leste e a região central da cidade.

De acordo com o sistema de processos do município, o custo desta obra será de R$ 108,8 milhões (R$ 108.876.607,23) e o contrato para a entrega destes trabalhos é de 18 meses, ou seja, as obras devem ser concluídas em 2026.

O trecho 1 do BRT Radial Leste vai do Terminal Parque Dom Pedro II até a Rua Professor Miguel Russiano, na região de Aricanduva, formando 2,8 km.

O BRT Radial Leste, que está nos planos de corredores da prefeitura, mas que não será entregue até o fim da gestão neste ano de 2024, terá quando pronto completamente três trechos que totalizam 9,74 km, por onde devem passar mais de 400 mil passageiros por dia.

Trecho 01 – Terminal Parque Dom Pedro a Rua Almirante Brasil/ Rua Professor Miguel Russiano, com extensão aproximada de 2.800 m;

Trecho 02 – Rua Almirante Brasil a Rua Armando Gardenghi, com extensão aproximada de 3.100 m; e

Trecho 03- Rua Armando Gardenghi a Rua Professor Miguel Russiano, com extensão aproximada de 3.840 m.

Com 9,74 Km de extensão, o BRT terá início no Terminal Parque Dom Pedro II por onde os ônibus circularão sobre o viaduto Nakashima, entrarão na Av. Alcântara Machado (Radial Leste) em nível e seguirão pela Rua Melo Freire até o entroncamento da Rua General Souza Neto com a Av. Conde de Frontim, após 200m da Av. Aricanduva e seu término na Rua Professor Miguel Russiano.

O BRT contará com faixa exclusiva para ônibus localizada à esquerda em pavimento rígido (concreto), com as demais faixas em pavimento flexível (asfalto).

A prefeitura diz que, para agilizar o embarque dos passageiros, as paradas de ônibus serão elevadas ao mesmo nível da entrada dos ônibus e terão cobrança desembarcada (passagem vai ser paga nas paradas/estações e não dentro dos ônibus), incluindo sistemas inteligentes de gestão e monitoramento, porta automática de plataforma e informação de linhas, horários e previsão de chegada dos ônibus em totens.

O projeto ainda prevê a implantação de sistema semafórico inteligente, por meio de fibra ótica, que permitirá maior fluidez aos ônibus no horário de pico, dando preferência ao transporte coletivo nos cruzamentos.

O BRT Radial Leste deve ter acessibilidade em toda a extensão, com novas calçadas, travessias e ciclovia ao longo do corredor até a ciclovia existente (metrô Tatuapé).

Os serviços no lote 01 serão feitos pelo Consórcio Corredor Radial, formado pelas empresas FBS Construção Civil e Pavimentação S.A., Zetta Infraestrutura e Participações S.A, e Construtora Augusto Velloso S.A.

Como havia mostrado o Diário do Transporte, a licitação teve as seguintes propostas.

LOTE 1CONSÓRCIO CORREDOR RADIAL (FBS Construção Civil e Pavimentação S.A)/ ZETTA Infraestrutura e Participações S.A./ Construtora AUGUSTO VELLOSO S.A.) = R$108.876.607,23

LOTE 2CONSÓRCIO BRT- RADIAL LESTE I (TRIADE Pavimentação e Construções S.A./ ERA TÉCNICA Engenharia Construções e Serviços Ltda/ ALMEIDA SAPATA Engenharia e Construções Ltda) = R$ 141.725.840,08

LOTE 3 – CONSÓRCIO SEA RADIAL LESTE I (SOUZA COMPEC Engenharia e Construções Ltda/ Construtora ETAMA Ltda/ ARVEK Técnica e Construções Ltda) = R$135.393.333,05

O TCM havia suspendido a concorrência, alegando que o edital poderia gerar um sobrepreço às obras de mais de 65 milhões aos cofres públicos, ou seja, 13% do valor total, sendo a maior parte deste valor (R$ 54,2 milhões), com fornecimento e montagem de estruturas metálicas.

Entre os apontamentos era de que esta licitação, que na época projetava ultrapassar R$ 500 milhões, deveria ter audiências públicas, o que não foi constatado pelo TCM.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/07/05/prefeitura-de-sp-formaliza-empresas-vencedoras-de-licitacao-de-r-400-milhoes-das-obras-do-corredor-de-onibus-brt-radial-leste-i/

Como mostrou o Diário do Transporte, a licitação destinada a contratar empresa ou consórcio de empresas para as obras do Corredor BRT Radial Leste I foi lançada no dia 22 de dezembro de 2022. A SPObras (São Paulo Obras), empresa pública do município, responsável pelo processo licitatório, suspendeu a concorrência em 21 de janeiro de 2023. (Relembre)

CORREDOR RADIAL LESTE I

O Corredor Radial Leste Trecho I terá início no Terminal Parque Dom Pedro II por onde os ônibus caminharão sobre o viaduto Nakashima, adentrará na Avenida Alcântara Machado em nível e seguirá pela Rua Melo Freire até o entroncamento da Rua General Souza Neto com a Avenida Conde de Frontin, após 200m da Avenida Aricanduva.

Em conjunto com o BRT Aricanduva, o objetivo do Corredor é estabelecer uma ligação estrutural de grande capacidade e eficácia para a circulação de ônibus, desde o extremo sudeste da cidade até a região central, informa o edital publicado pela SPObras.

Veja a localização:

A extensão viária deverá comportar ainda, além das faixas de tráfego, os passeios, ciclovias, travessias, passarelas, encontros viários, Obras de Artes Especiais – OAE, Obras de Artes Correntes – OAC, paradas, buscando preferencialmente a travessia para acesso às estações em nível.

O projeto deve contemplar a faixa destinada à ciclovia no trajeto.

O pavimento para as faixas exclusivas deverá ser em concreto, enquanto para a faixa de tráfego geral será do tipo flexível.

As Paradas deverão ser projetadas respeitando uma distância aproximada de 600 m. Deverão ser dotadas de plataformas conforme padrões definidos pela SPTrans. Deverão ainda ser portar painéis eletrônicos informativos, de sinalização horizontal, vertical e semafórica específica para as travessias de pedestres.

Este trecho do corredor Radial Leste I passa pelas áreas das Subprefeituras Sé, Mooca e Penha e conta com 12 estações, 16 plataformas no sentido  Bairro-Centro e 16 plataformas no sentido Centro-Bairro, respeitando uma distância aproximada de 600m, a saber:

Parada Rua da Figueira;

Parada Men de Sá;

Parada Hipódromo;

Parada Bresser;

Parada Dr. Fomm;

Parada Serra de Jairé;

Parada Tuiuti (Metrô Tatuapé);

Parada Serra do Japi (CB);

Parada Serra do Japi (BC);

Parada Monte Serrat;

Parada Altair;

Parada Alarico Silveira.

JUSTIFICATIVA DO PROJETO

(Fonte: SPObras)

A implantação do Corredor de ônibus BRT – Radial Leste I faz parte do Programa Corredores de Ônibus de São Paulo, integrante do Programa de  Mobilidade Urbana a ser implantado pela São Paulo Obras – SPObras e operado pela São Paulo Transportes S/A – SPTrans,  empresa responsável pela gestão do sistema de transporte municipal de São Paulo.

A Zona Leste de São Paulo concentra uma significativa proporção populacional no contexto municipal, com elevado número de usuários de transporte coletivo. Mesmo que parcialmente esta região seja atendida por dois eixos estruturais do transporte sobre trilhos, a Linha 3 –Vermelha do Metrô e a Linha 11 – Coral da CPTM, estes já apresentam sinais de saturação, e os ônibus continuam a se configurar como a espinha dorsal do transporte público da cidade.

No entanto, o congestionamento do sistema viário diminui a eficiência dos sistemas coletivos devido ao compartilhamento das vias. O que é agravado pela falta de agilidade dos veículos relacionada às suas dimensões e, principalmente, por se caracterizar como um sistema que pressupõe paradas sistemáticas.

Considerando o fato de que a Zona Leste é a região da cidade com o menor número de corredores de ônibus exclusivos e que o eixo da Radial / Aricanduva constitui a principal ligação viária para a Região Sudeste da cidade, beneficiando uma população de cerca de 1,5 milhões de pessoas, justifica-se a necessidade de implantação do Programa de Corredores de Ônibus da Zona Leste pela SPOBRAS para atender as demandas
existentes e previstas para 400 mil passageiros/dia útil.

As melhorias previstas neste programa devem constituir um conjunto específico de intervenções que têm como objetivo implantar um Sistema de Transporte Coletivo na região Leste de São Paulo. Entende-se que essas medidas são de fundamental importância para essa região e deverão impactar positivamente o desempenho das linhas de ônibus. O que se espera é a melhoria da frequência das linhas de ônibus e do tempo de viagem do sistema.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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