ENTREVISTA: Gerente de Implantação da Linha 17 – Ouro de monotrilho fala como será o início das operações e as diferenças em relação aos trens da Linha 15-Prata

Roberto Torres também explicou que funcionários da ViaMobilidade serão treinados pelas fornecedoras do Metrô de São Paulo, deu detalhes sobre o contrato dos sistemas de telecomunicações da linha e confirmou a previsão de início das operações para 2026

ADAMO BAZANI/ALEXANDRE PELEGI

Diferentemente do que ocorreu com a linha 5-Lilás de metrô, para o início das operações da linha 17-Ouro de monotrilho, não haverá uma transição entre a Companhia do Metropolitano de São Paulo e a ViaMobilidade.

A concessionária vai começar direto o atendimento, desde o primeiro dia de circulação dos trens.

Quem explica é o gerente de implantação da Linha 17 – Ouro de monotrilho, Roberto Torres, em entrevista ao Diário do Transporte na última sexta-feira, 12 de julho de 2024.

De acordo com Torres, os funcionários da ViaMobilidade serão treinados pelas fornecedoras do Metrô de São Paulo, sejam de equipamentos, trens, tecnologias e estruturas físicas.

O contrato de concessão da linha 5 Lilás engloba também a linha 17. Mas a linha 5, que é de metrô de alta capacidade, já era operada pela estatal, por isso foi necessária a transferência de conhecimento.

Como a linha 17-Ouro vai “começar do zero”, o contrato já prevê a atuação da concessionária desde o início.

Entretanto, tanto a construção, como a implantação de tecnologias e a compra dos trens foram de responsabilidade do Metrô.

Assim, os fornecedores destes produtos e serviços vão aplicar os devidos treinamentos como previsto na aquisição já diretamente aos empregados da concessionária, porém, com o acompanhamento presencial de técnicos do Metrô.

Como tem mostrado o Diário do Transporte, o monotrilho da linha 17, na região do Aeroporto de Congonhas, na zona Sul de São Paulo, deveria estar pronto para a Copa do Mundo de Futebol realizada no Brasil em 2014.

A previsão agora é que a operação comercial ocorra em meados de 2026 e num trecho menor que o projeto original.

As obras começaram em 2012. O valor inicial era de R$ 3,2 bilhões num trecho de 18 estações, entre o Aeroporto de Congonhas, a Estação Jabaquara e a Estação São Paulo – Morumbi, num trajeto de 17,7 quilômetros de extensão.

Agora, este sistema de média capacidade de transporte vai sair bem mais caro e menor. Serão oito paradas entre Congonhas e a Estação Morumbi, em aproximadamente oito quilômetros, ao custo de R$ 6,1 bilhões.

Principalmente problemas relacionados a contratos tanto de obras como dos próprios trens atrasaram todos os cronogramas. Entre estes problemas, esteve a falência da empresa Scomi, da Malásia, que fabricaria os trens.

TRENS SERÃO DIFERENTES DO MONOTRILHO DA LINHA 15:

Depois de uma nova licitação, a empresa selecionada para fornecer os trens da linha 17 foi a chinesa BYD.

O primeiro trem que chegou da China ao Brasil em 29 de junho de 2024, de acordo com Roberto Torres, ainda está no Porto de Santos e deve ser liberado ainda neste mês de julho para seguir para as dependências do Metrô. O segundo trem deve chegar em dezembro e os demais serão entregues ao longo de 2025.

Ao todo serão 14 trens.

Roberto Torres disse que estas composições para a linha de 17 serão diferentes das que rodam no monotrilho da linha 15-Prata, da zona Leste.

Os trens da linha 17 terão um banco de baterias que garantem a circulação oito quilômetros em caso de pane da rede de eletricidade.

As composições ainda terão iluminação especial externa que pode ser usada em campanhas de datas comemorativas e em ações pontuais de comunicação aos passageiros.

Os trens também contam com um sistema mais moderno de bolsões de ar para suspensão que pode reduzir as trepidações típicas de um monotrilho, como as que chamam a atenção dos passageiros da linha 15.

Nos demais aspectos, os modelos se assemelham.

Os trens operam sem condutor e chegam a 80 km/h.

Cada trem é formado por cinco carros (popularmente chamados de vagão, embora não seja a designação correta). É possível o passageiro mudar de um carro para o outro pelo lado interno e a capacidade de cada composição é de 616 pessoas por viagem.

O veículo mede 3,2 metros de largura, os carros de extremidade possuem 13,5 metros cada e os intermediários medem 10 metros de comprimento cada, além da área de passagem 0,95 metros, totalizando 60,8 metros de comprimento. Cada carro possui quatro portas (duas em cada lado) medindo 1,6 metros de largura que respeitam as normas e critérios de acessibilidade. As paredes laterais estão equipadas com janelas panorâmicas, proporcionando excelente visualização do entorno do trajeto e janelas tipo basculantes, que podem ser abertas caso necessário, garantindo ventilação de emergência para os passageiros.

O monotrilho opera sobre vigas de concreto de 800 mm de largura e possui dois truques por carro, sendo cada um equipado com um motor de tração, duas rodas de carga, quatro rodas guia e duas rodas estabilizadoras.

SISTEMAS DE TELECOMUNICAÇÃO:

O gerente de implantação da Linha 17 – Ouro de monotrilho, Roberto Torres, também deu detalhes sobre o contrato de fornecimento e implantação dos sistemas de telecomunicações para o trecho Aeroporto de Congonhas – Washington Luís a Morumbi e Pátio Água Espraiada da Linha 17 – Ouro de monotrilho.

Como mostrou o Diário do Transporte, a companhia de Metrô de São Paulo assinou recentemente com a Sociedade de Propósito Específico 2N Sepsamedha Cava Transvia Omnia SPE Ltda.

O contrato é de R$ 153,8 milhões

Segundo Roberto Torres, as empresas vão entregar neste ano os projetos executivos dos trabalhos e no início de 2025 devem começar as implantações físicas de fato.

Estes sistemas contemplam Controle de Arrecadação de Passageiros Monitoração Eletrônica, de Multimídia, de Controle de Acesso, de Comunicações Móveis, de Comunicação Fixa, de Controle Local.

NÃO HÁ MAIS CONTRATOS DE IMPLANTAÇÕES PENDENTES:

Roberto Torres disse que este contrato dos sistemas de telecomunicações foi o único de implantação de equipamentos, trens, tecnologias ou obras que estava pendente para a linha 17 de fato sair do papel.

Segundo o gerente, faltam apenas dois contratos de fiscalização e acompanhamento de trabalhos cujas licitações estão em andamento.

Adamo Bazani e Alexandre Pelegi, jornalistas especializados em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rodrigo Zika disse:

    Só no Brasil que a iniciativa privada pega a operação sem tirar nada do bolso no começo, é bizarro.

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