VÍDEO: É justo só o setor de transportes financiar uma infraestrutura que vai beneficiar outros ramos?
Publicado em: 17 de junho de 2024
Segurança também é uma das questões em debate. De forma pioneira, o Diário do Transporte trouxe o tema em novembro de 2023 em uma entrevista exclusiva com o então porta-voz do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado São Paulo, Capitão André Elias, que disse que ainda não há um protocolo definido para ocorrências envolvendo veículos elétricos
ADAMO BAZANI
Colaborou Guilherme Strabelli
Três ônibus marcaram o Dia da Mobilidade Elétrica, evento realizado neste sábado, 15 de junho de 2024, na capital paulista para mostrar os avanços da indústria de veículos movidos a eletricidade e componentes, como equipamentos de recarga de baterias e de segurança. (veja vídeos aéreos ao fim da reportagem)
Os veículos de transporte coletivo foram os seguintes:
– Ônibus Padron 15 m (três eixos): tecnologia Eletra, chassi Scania K310, baterias/motores WEG, carroceria Caio; operado pela empresa Ambiental Transportes, da capital paulista.
– Ônibus Padron 12,1 m (dois eixos): tecnologia Eletra, chassi Mercedes-Benz O500 U, baterias/motores WEG, carroceria Caio; será enviado para o sistema de transportes de Porto Alegre (RS).
– Ônibus Midi Escolar (dois eixos): tecnologia Eletra, chassi Mercedes-Benz OF 1721 L, baterias/motores WEG, carroceria Caio; está passando por homologações e deve ser disponibilizado nas próximas licitações do Programa Caminho da Escola, do Governo Federal, ou para compras públicas diretas por governadores e prefeitos, além de até mesmo por instituições particulares de ensino.
O evento já é realizado há vários anos e sempre é marcado por uma carreata que sai da Rua Treze de Maio, na Bela Vista, em direção ao Pacaembu, na zona Oeste, passando por vias como avenida Paulista, em um trajeto de 5,2 km. No Pacaembu, foram realizadas discussões, exibições de veículos e equipamentos, além de test drive.
Foram demonstrados também carros, minicarros, motos, bicicletas e outros veículos elétricos.
A gama de produtos mostrou que a disponibilidade de veículos a eletricidade no Brasil está bem maior que há cerca de dez anos.
Mas a eletrificação dos deslocamentos no País ainda esbarra em algumas questões.
Uma delas é a falta de infraestrutura para recargas de baterias, segurança e distribuição adequada de energia para alimentar uma frota que tende a crescer.
A capital paulista é um exemplo desta lacuna.
A prefeitura de São Paulo anuncia que desde 2021 a meta de 2,6 mil ônibus elétricos até dezembro de 2024 no sistema gerenciado pela SPTrans (São Paulo Transporte). Mas faltando menos de seis meses para o fim do ano, são apenas 179 unidades cadastradas nas linhas municipais, ou seja, somente 6,88% da meta.
A falta de infraestrutura nas garagens para recarregar as baterias e na rede de distribuição é o principal motivo para a frota não avançar como anunciou a gestão do prefeito Ricardo Nunes.
SÓ O TRANSPORTE VAI PAGAR A CONTA?:
Estudos da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) mostram que em redes de baixa tensão, que integram a maioria dos bairros da cidade de São Paulo, se 50 ônibus elétricos carregarem as baterias ao mesmo tempo, ainda que na madrugada, pode faltar energia em casas, hospitais e estabelecimentos comerciais que ficam nas imediações das garagens.
Estes estudam mostram como adequados investimentos para transformar as redes de baixa tensão para média e alta tensão e colocar subestações de energia nas garagens de ônibus, semelhantes às que existem em estações de trem e metrô.
O problema da capital paulista, segundo especialistas, é que foram colocadas metas de frota de ônibus, os veículos começaram a ser comprados pelas empresas, a prefeitura conseguiu linhas de financiamentos de R$ 5,75 bilhões para estas compras, mas sem antes resolver este problema da infraestrutura.
A questão reside em quem vai pagar a conta da infraestrutura.
As empresas de ônibus e até integrantes do gerenciamento dos transportes, nos bastidores e sem se exporem, sustentam que a infraestrutura de distribuição, com o aumento da tensão, vai beneficiar a todos inclusive grandes empreendimentos imobiliários, comerciais e industriais, e que não seria justo que somente o setor de transportes (leia-se passageiros e subsídios).
SEGURANÇA:
Outra questão relacionada a veículos elétricos é sobre as normas de segurança de combate a incêndio e também dos pontos de recarga.
De forma pioneira, o Diário do Transporte trouxe o tema em novembro de 2023 em uma entrevista exclusiva com o então porta-voz do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado São Paulo, Capitão André Elias, que disse que, assim como está ocorrendo em todo o mundo, ainda não há um protocolo definido para combate a incêndio e prevenção em ocorrências envolvendo veículos elétricos.
Relembre:
Após a reportagem, foram realizadas ações entre fabricantes, Bombeiros e demais autoridades, como um workshop promovido pela Mercedes-Benz na fábrica em São Bernardo do Campo (SP) no dia 29 de janeiro de 2024.
Relembre:
Os Bombeiros de São Paulo abriram também uma consulta pública para discutir padrões de segurança para instalação de pontos de recarga nos imóveis do estado de São Paulo, tanto residenciais (casas, condomínios e edifícios), como comerciais, a exemplo de prédios de escritórios, igrejas, estacionamentos privados, shoppings, supermercados e, logicamente, garagens de ônibus.
EMPRESAS PARTICIPANTES:

Entre as empresas participantes do Dia da Mobilidade Elétrica estiveram ELETRA/Caio (ônibus), ENEL X, GWM, BYD, OSTEN Group, JAC Motors, JEEP e BMW. Também terão participação no evento as marcas Food Truck SP, Concept Blindagem, JLR, Tupi Mobilidade, Mobye Mobilidade Elétrica, Fusco-Moto Seguro, além das marcas apoiadoras Roger’s Garage, LED ABC, Água Serra de Cunha e Prata Mixer.
Também foram arrecadados donativos para as vítimas das enchentes do Rio Grande do Sul.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


A razão é lógica, 90% dos ônibus fornecidos pra São Paulo são com chassi Mercedes a combustão e carroceria CAIO.
A Mercedes acabou de lançar o seu modelo a combustão Euro 6, e a CAIO “não” é fabricante de ônibus, quem dirá ônibus elétrico.
Sendo assim, a motivo do retardamento é óbvio, GARANTIR a reserva de mercado para as empresas que influenciam a política paulistana.