Eletromobilidade

Hidrogênio para ônibus: garagem de empresa municipal de Frankfurt recebe estação de abastecimento

Equipamento tem capacidade para atender à frota de 23 ônibus da companhia com este tipo de tração. Enquanto na América Latina o hidrogênio para o transporte coletivo parece um sonho distante, embora haja algumas iniciativas de estudos, na Europa já há mais avanços, mesmo ainda com as limitações sobre o preço dos ônibus e a produção do combustível

ADAMO BAZANI

Enquanto na América Latina o hidrogênio para o transporte coletivo parece um sonho distante, embora haja algumas iniciativas de estudos, na Europa já há mais avanços, mesmo ainda com as limitações sobre o preço dos ônibus e a produção do combustível.

A empresa municipal de ônibus de Frankfurt, In-der-City-Bus (ICB), na Alemanha, inaugurou no último dia 23 de maio de 2024, uma estação de abastecimento de hidrogênio.

Frankfurt quer zerar as emissões de gases de efeito estufa pelos ônibus até 2030.

O equipamento tem capacidade para atender à frota de 23 ônibus da companhia com este tipo de tração. A empresa de transportes planeja comprar mais dez ônibus a hidrogênio da marca Solaris.

A instalação da estrutura recebeu financiamento de 1,7 milhão de euros do Ministério de Assuntos Econômicos, Energia, Transporte, Habitação e Áreas Rurais de Hesse.

A construção foi de responsabilidade da empresa Everfuel que, em um contrato de três anos, vai fornecer o hidrogênio em carretas.

Os ônibus são para operação em duas linhas: a M36 do Metrobus e a 64

Segundo a empresa, ao eletrificar essas duas rotas de ônibus com veículos a hidrogênio, um total de 1.472 toneladas a menos de CO2 serão liberadas no meio ambiente por ano. Além de ser isenta de emissões, a tecnologia também se destaca pelos baixos níveis de ruído – ambos os quais têm um efeito positivo no clima urbano de Frankfurt.

O recém-inaugurado posto de abastecimento de hidrogênio na garagem da In-der-City-Bus GmbH (ICB) está equipado com dois dispensadores de H2, cada um com uma pressão operacional de 350 bar, para reabastecer veículos de grande porte. O sistema tem capacidade total de 1t de hidrogênio e é totalmente redundante e modular. Isto permite uma fácil expansão da capacidade de reabastecimento para um número crescente de ônibus a hidrogênio.

Por meio de nota, o diretor administrativo da empresa municipal de transporte local traffiQ, Tom Reinhold, diz que uma das vantagens do hidrogênio é a autonomia maior em relação às baterias de ônibus elétricos do tipo plugin (carregamento externo).

“Um posto de abastecimento de hidrogênio dedicado ao transporte urbano por ônibus é um investimento no futuro. Os ônibus a células de combustível são – depois dos eléctricos a bateria – o segundo pilar do conceito de descarbonização do nosso transporte por ônibus. Devido ao seu maior alcance em comparação com os ônibus elétricos a bateria, também podemos operar nossas rotas de longa distância com zero emissões locais usando os ônibus com célula de combustível.”

A convite da Mercedes-Benz, o Diário do Transporte esteve em outubro de 2023 na BusWorld, em Bruxelas, na Bélgica, considerada a maior feira de ônibus do mundo.

Foi possível perceber que a Europa está levando a sério o hidrogênio como alternativa aos atuais veículos elétricos que apresentam problemas como a baixa autonomia das baterias, o longo tempo de recarga (crucial em grandes frotas de ônibus) e o tamanho dos bancos de baterias que deixam carros, caminhões e ônibus pesados e caros demais.

A questão esbarra no alto custo da tecnologia e produção dos veículos.

Na feira, entretanto, o discurso foi quase unânime: os ônibus e carros elétricos com a tecnologia que hoje se vê nas ruas, não são o futuro da mobilidade limpa.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/10/12/diario-do-transporte-na-busworld-brasil-ainda-sofre-de-carencia-de-micro-onibus-eletricos-e-hidrogenio-como-alternativa-para-ampliar-a-autonomia-de-baterias/

Se na Europa, América do Norte e Ásia, mesmo que de forma gradativa, o hidrogênio avança na busca por redução de emissões pelo transporte coletivo, no Brasil ainda não se pode dizer o mesmo, apesar de os estudos e testes não serem tão recentes assim.

Atualmente, há uma iniciativa envolvendo a EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), que gerencia os ônibus intermunicipais metropolitanos no Estado de São Paulo, e a USP (Universidade de São Paulo).

Veja o histórico abaixo da foto:

HISTÓRICO – O HIDROGÊNIO EM ÔNIBUS E VLT NO BRASIL:

Foram apresentados em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, entre 2009 e 2015, quatro ônibus a hidrogênio, que chegaram a circular pelo Corredor Metropolitano ABD, entre a região do ABC e a capital.

O programa de ônibus a hidrogênio foi criado ainda em 1993, com participação do Ministério das Minas e Energia e recursos do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).

Os veículos estão parados na garagem da concessionária NEXT Mobilidade, na área correspondente ao projeto de hidrogênio da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), gerenciadora, sem continuidade dos estudos.

O projeto Ônibus movido a Célula de Hidrogênio tinha vigência inicial até 31 de março de 2016 e os três veículos mais novos circularam no Corredor ABD até início de junho de 2016.

Na ocasião, a EMTU foi designada para ser a Coordenadora Nacional do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, que entrou com o apoio financeiro do Global Environmental Facility (GEF), além de recursos provenientes da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), por intermédio do MME. Para o desenvolvimento de todo o projeto foram destinados US$ 16 milhões.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/02/23/emtu-diz-que-projeto-de-onibus-a-hidrogenio-e-vitorioso-e-fala-do-gas-natural/

O primeiro ônibus foi apresentado em 2009 e chegou a transportar passageiros em 2010, como também mostrou o Diário do Transporte na ocasião.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2010/12/20/onibus-a-hidrogenio-comeca-a-rodar-com-passageiros/

O Diário do Transporte cobriu também a apresentação dos outros três ônibus.

Os veículos foram mostrados em uma cerimônia no dia 15 de junho de 2015, às 10 horas, na época da gestão de Geraldo Alckmin frente ao Governo de São Paulo.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2015/06/15/emtu-apresenta-mais-tres-onibus-a-hidrogenio-no-abc-paulista/

A reportagem acompanhou as fases de testes.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2016/03/07/testes-com-passageiros-nos-onibus-a-hidrogenio-do-corredor-abd-vao-ate-o-dia-31-de-marco/

No dia 10 de agosto de 2023, a EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) e a USP (Universidade de São Paulo) anunciaram o início de um projeto com ônibus movidos à hidrogênio e a construção de uma estação para ter capacidade de produzir em torno de 5 kg do combustível por hora.

O hidrogênio é obtido a partir do etanol.

O projeto custou em torno de R$ 182 milhões. A estação conta com edifício, instalações e equipamentos.

As células a combustível produzidas pela estação geram eletricidade internamente a partir do hidrogênio.

Os testes envolveram três ônibus, que circularão pelo Campus da USP, na região do Butantã, zona Oeste da capital paulista, e um carro da Toyota que também participa do projeto, juntamente com a Shell, Raízen, Senai e Hytron.

Os ônibus já circularam pelo Corredor Metropolitano ABD, num projeto que não avançou, e foram reformados pela encarroçadora Marcopolo, por meio de um contrato de R$ 671 mil (R$ 671.624,79), como mostrou o Diário do Transporte no dia 11 de abril de 2023.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/04/11/marcopolo-assina-convenio-com-a-usp-e-vai-atualizar-carroceria-em-projeto-de-onibus-a-hidrogenio-obtido-do-etanol/

O governador Tarcísio de Freitas disse, em nota, que devem ser criadas leis e alterada a legislação atual para incentivar a produção de hidrogênio como combustível.

“Vamos estruturar a legislação, marcos regulatórios e fomentar essa produção para que a gente ganhe escala e São Paulo, de fato, seja líder na transição energética que vai diminuir nossa pegada de carbono e dar exemplo de sustentabilidade e economia circular. Estou muito feliz de ser testemunha do esforço, do talento e da criatividade do nosso pesquisador brasileiro, do nosso pesquisador paulista”

Etanol e Hidrogênio:

A USP, o Senai e as empresas Shell Brasil, Raízen e Hytron assinaram em 1º de setembro de 2022, um acordo de cooperação para o desenvolvimento de duas plantas de produção de hidrogênio renovável a partir do etanol.

Serão construídas duas plantas dedicadas à tecnologia de produção de hidrogênio a partir do etanol, uma com capacidade para produzir 5 kg/h de hidrogênio e a outra quase 10 vezes maior, com capacidade de 44,5 kg/h.

Segundo a Universidade, o acordo também contempla a construção de uma estação de abastecimento veicular para os ônibus que circulam pela Cidade Universitária, em São Paulo. Com início da operação previsto para o segundo semestre 2023, a estação será um dos primeiros postos a hidrogênio do mundo, diz a USP.

O modelo utilizar hidrogênio produzido a partir do etanol e motores equipados com células a combustível (fuell cell). A iniciativa surge como uma solução de baixo carbono para o transporte pesado, incluindo caminhões e ônibus.

A tecnologia será desenvolvida e fabricada pela Hytron, do grupo alemão Neuman & Esser (NEA), com suporte do Instituto Senai de Inovação em Biossintéticos e Fibras do Senai Cetiqt.

A Marcopolo foi escolhida para atualizar a carroceria do ônibus movido a hidrogênio obtido do etanol no projeto entre a USP, Raízen e Shell.

Convênio no valor de R$ 671 mil (R$ 671.624,79) entre a encarroçadora e a USP – Universidade de São Paulo (USP/EP, Unidade EMBRAPII Poli USP Powertrain) foi publicado em Diário Oficial do Estado de São Paulo de 11 de abril de 2023.

A assinatura ocorreu um dia antes com validade por 12 meses.

O documento prevê a reforma de inicialmente um dos três ônibus modelo Viale a hidrogênio apresentados em 2015 em um projeto entre EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) e o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Se der certo, os outros dois ônibus devem ser reformados.

No projeto apresentado anteriormente no Corredor ABD, os veículos dependiam do hidrogênio obtido pelo processo denominado eletrólise que separa o hidrogênio da água.

Estudos iniciais da USP mostram que este procedimento, para a obtenção do combustível pode ser mais caro e mais poluente do que o hidrogênio a partir do etanol.

No fim de 2023, o Grupo CCR, gigante de concessões, anunciou que já estuda a implantação no Brasil de um sistema de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), conhecido como bonde moderno, movido a hidrogênio verde.

Em comunicado à imprensa, o presidente do Grupo CCR, Marcio Hannas, disse que a intenção é utilizar a fonte de energia produzida no Brasil.

“Nossa intenção é usar um hidrogênio verde feito no Brasil. Aqui temos as condições propícias para essa produção” – afirmou.

A concessionária conversa com produtores de trens na Ásia e na Europa para cooperações técnicas.

Uma destas companhias é a Hyundai Rotem, na Coréia do Sul.

O hidrogênio é considerado verde se sua fonte for renovável.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/02/03/brasil-podera-ter-vlts-e-onibus-a-hidrogenio-operando-ainda-nesta-decada/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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