Coppe destaca pontos para melhorar a mobilidade urbana e o transporte coletivo da Região Metropolitana do Rio de Janeiro em workshop realizado nesta quarta (15)

Foto: Divulgação

Semove relata perda de 40% dos passageiros pagantes no setor de ônibus nos últimos dez anos

YURI SENA

O Programa de Engenharia de Transportes (PET) da Coppe/UFRJ realizou um workshop nesta quarta-feira,m15 de maio de 2024, que abordou o impacto da pandemia de Covid-19 nos padrões de deslocamento na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Evento apresentou dez pontos essenciais para uma mobilidade urbana eficiente, e contou com a presença de especialistas em mobilidade urbana, representantes de prefeituras e do Governo do Estado, além do secretário de Mobilidade e Infraestrutura do Espírito Santo, Fábio Damasceno.

Coordenado pelo Professor Glaydston Mattos Ribeiro, do PET/Coppe, o projeto de mapeamento da nova mobilidade urbana foi dividido em três etapas. A primeira envolveu uma pesquisa de campo com 4.300 entrevistados para identificar os padrões de deslocamento da população. Na sequência, houve um debate com as empresas operadoras do sistema de transporte público. Na última fase, os pesquisadores da Coppe consultaram iniciativas e trabalhos técnicos de outros países para reunir as melhores ideias para aprimorar o transporte coletivo.

Com a coleta desses dados, foi proposto um debate com as autoridades responsáveis.

“Os principais pontos de atenção são: restaurar a confiança dos usuários; tempos de viagem eficientes; rotas com poucas transferências e alta frequência; uso de veículos não poluentes e sustentáveis; redução da tarifa por meio de subsídios; investimento em infraestrutura; pedágio urbano; utilização de tecnologia para melhorar a comunicação com o usuário; melhor integração; e coordenação de autoridades metropolitanas. Promover o uso de veículos não poluentes também é uma medida complementar que contribui para tornar o sistema de transporte urbano mais sustentável e eficiente”, detalhou o professor Glaydston Mattos Ribeiro.

Durante o workshop, a diretora de Mobilidade Urbana da Semove, Richele Cabral, destacou que o declínio do sistema de transporte público não é uma consequência exclusiva da pandemia. “Nos últimos dez anos, mais de 40% dos passageiros pagantes deixaram de utilizar o sistema de ônibus, levando ao fechamento de 30 empresas e à redução de 44,5% no número de colaboradores”, explicou.

A pesquisa revelou que 14% dos entrevistados migraram do transporte público para o transporte individual, seja por aplicativo ou particular.

Em municípios da Baixada Fluminense, como São João de Meriti e Mesquita, a mudança atingiu mais de 37% dos passageiros consultados. Para os pesquisadores da Coppe, ficou clara a necessidade de um transporte mais qualificado e acessível especialmente em relação ao tempo de viagem e conforto.

Richele Cabral reforçou a importância de investimentos para tornar as cidades mais acessíveis. “Não existe um sistema de transporte de qualidade sem que se tenha uma cidade com a infraestrutura adequada. Isso é um trabalho em conjunto, não adianta ter um sistema novo se a cidade não está preparada para atender as demandas da população, que busca rapidez nos seus deslocamentos. Os passageiros buscam ter tempo para todas as suas atividades”, afirmou.

O evento foi encerrado com um debate sobre avanços no transporte público na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A reunião contou com Fábio Damasceno, secretário de Mobilidade e Infraestrutura do Espírito Santo; Simone Costa, da secretaria municipal de Transportes do Rio de Janeiro; Renato Barandier, secretário de Urbanismo e Mobilidade de Niterói; e José Roberto de Lima, diretor do Detro-RJ, com mediação de Glaydston Ribeiro, do PET/Coppe.

Yuri Sena, para o Diário do Transporte

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