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EXCLUSIVO: SPTrans avalia a inclusão de mais seis modelos de ônibus elétricos na capital paulista e ainda analisa regulamentação de pontos de recarga

Falta de infraestrutura impede avanço de frota; Corpo de Bombeiros abriu consulta púbica para criar normas para instalação dos equipamentos para recargas das baterias

ADAMO BAZANI

A SPTrans (São Pulo Transporte), que gerencia as linhas de ônibus da cidade de São Paulo, informou ao Diário do Transporte que avalia a inclusão de mais seis modelos deste tipo de veículos para o sistema paulistano.

Estes modelos possuem tecnologias de fabricantes de nacionalidades brasileira, chinesa e portuguesa e vão desde o tipo básico, passando pelos padrons até chegar a um articulado (VEJA AO FIM A REPORTAGEM A RELAÇÃO). Outras fabricantes tentam também ser avaliadas. Atualmente, são sete modelos autorizados de diferentes portes.

Enquanto isso, não há avanços na infraestrutura nas garagens e nas redes de distribuição. Também não existe uma regulamentação oficial de segurança para os pontos de recarga.

Questionada pela reportagem, a SPTrans diz que ainda estão em análise as questões relacionadas à regulamentação dos pontos de recarga.

As questões concernentes à regulamentação dos pontos de recarga de veículos elétricos estão em análise pela equipe técnica da SPTrans. – informa a nota.

Como mostrou o Diário do Transporte, em 05 de abril de 2024, o Corpo de Bombeiros informou que em todo o Estado de São Paulo não existem normas definidas para a instalação das estruturas de carregamento e abriu uma consulta pública para receber até 05 de maio sugestões de especialistas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/04/05/corpo-de-bombeiros-de-sao-paulo-abre-consulta-publica-para-regulamentar-estacoes-de-recarga-para-veiculos-eletricos-incluindo-garagens-de-onibus/

A consulta engloba todo tipo de imóvel que possa receber estações de carregamento, o que inclui as garagens de ônibus.

Ou seja, os ônibus estão sendo comprados, já inseridos no sistema, e ainda não há uma regulamentação oficial dos Bombeiros.

Segundo a Corporação, se as atuais instalações não atenderem à regulamentação quando for oficializada, poderão ter de ser desfeitas e tudo começar do zero.

Sobre a falta de infraestrutura nas garagens, o principal entrave para o aumento da frota de ônibus elétricos, a SPTrans disse que ainda está trabalhando junto aos envolvidos, mas não informou prazos para as adequações totais nas garagens e nas redes de distribuição.

Estudos da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) mostram que se 50 ônibus ou mais forem carregados ao mesmo tempo pode cair a energia elétrica de casas porque a maior parte dos bairros da cidade de São Paulo conta com redes de baixa tensão. As garagens e bairros, dizem ainda os estudos, precisam ter subestações semelhantes às de estações de metrô e trem.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/11/17/onibus-eletrico-pode-causar-falta-de-luz-com-apagao-estudo-da-antp-revela-preocupacao-quanto-a-rede-de-distribuicao-em-sao-paulo/

São apenas 117 ônibus elétricos operando até este dia 19 de abril de 2024. Em setembro, o prefeito Ricardo Nunes disse que seriam 600 unidades em 2023 em operação e a meta da prefeitura este ano é de 2,6 mil veículos.

Na nota, a SPTrans ainda explicou como é o processo de aprovação dos ônibus elétricos em São Paulo.

A SPTrans informa que para ingressar no sistema municipal de transporte público todo modelo de ônibus deve atender aos requisitos previstos no seu “Manual dos Padrões Técnicos de Veículos”. Especificamente os movidos a baterias devem atender ao “Manual dos Padrões Técnicos de Veículos – Tração Elétrica”.
Não cabe à SPTrans fazer a homologação de veículos ou plantas. Quando apresentado um novo veículo, a gestora verifica se os veículos estão em conformidade com o padrão técnico exigido e as legislações vigentes. Já a avaliação de desempenho é feita nas vias públicas da cidade de São Paulo, onde é aferida a aceleração, desaceleração e a capacidade de subida em rampa. Caso esteja em conformidade, ele é aceito para operar no sistema.
A SPTrans segue trabalhando junto a todos os envolvidos na implantação da infraestrutura para a eletrificação da frota de ônibus da cidade.  As questões concernentes à regulamentação dos pontos de recarga de veículos elétricos estão em análise pela equipe técnica da SPTrans.
Abaixo, está a lista dos modelos de ônibus elétricos já aprovados pela SPTrans e os que estão em análise:

PRONTOS NAS FÁBRICAS:

A cidade de São Paulo vai receber nas próximas semanas mais ônibus elétricos.

No entanto, a falta de infraestrutura para a recarga das baterias dos veículos impede que o avanço da frota seja maior.

Enquanto há indefinições sobre como as garagens e as redes de distribuição serão preparadas, quanto tempo isso vai demorar, o preço e quem vai pagar a conta, as fábricas estão produzindo os veículos, muitos já parados nos pátios das montadoras.

Nesta quinta-feira, 18 de abril de 2024, na Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, havia ao menos 15 unidades prontas para a Viação Metrópole Paulista, que opera na zona Leste.

Na planta, estão sendo produzidos os chassis de ônibus elétricos para outras empresas de São Paulo, modelo eO500 U, de piso baixo, do tipo Padron.

A produção, tanto na Mercedes-Benz como em outras fábricas, poderia estar num ritmo maior se não fossem estes entraves relacionados à falta de infraestrutura.

Em 13 de novembro de 2023, o Diário do Transporte revelou que somente três empresas da cidade de São Paulo, Sambaíba, Metrópole Paulista e MobiBrasil, devem comprar mais 548 ônibus elétricos com previsão de entrega até 2025.

Deste total, a divisão é:

– 300 ônibus elétricos pela empresa Sambaíba, que atende à zona Norte da cidade de São Paulo.

– 180 ônibus elétricos pela empresa Viação Metrópole Paulista, que opera nas zonas Leste e Sul da cidade de São Paulo.

– 68 ônibus elétricos comprados pela MobiBrasil, operadora da zona Sul da capital paulista.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/11/14/sambaiba-vai-trazer-300-onibus-eletricos-metropole-paulista-vira-com-180-e-mobibrasil-vai-colocar-mais-68-coletivos-deste-tipo-ate-2025-na-cidade-de-sao-paulo/

Desde 17 de outubro de 2022, as empresas de ônibus da capital paulista não podem comprar mais ônibus a diesel, com exceção de micro-ônibus e mídis, que possuem ainda poucas opções de modelos no mercado. A proibição veio por meio de uma circular da SPTrans (São Paulo Transporte), que gerencia o sistema de linhas, datada de 14 de outubro de 2022.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/10/16/sptrans-proibe-inclusao-de-onibus-novos-a-diesel-na-cidade-de-sao-paulo-a-partir-de-segunda-17-veja-o-documento-confirmado-oficialmente/

Recentemente, empresas como Sambaíba, da zona Norte, e MobiBrasil, da zona Sul, receberam ônibus a diesel 0 km com tecnologia Euro 6 de restrição de poluentes.

Ocorre que este tipo de ônibus Euro 6 só começou a ser obrigatório no Brasil em janeiro de 2023, ou seja, dois meses depois da proibição de veículos a diesel pela SPTrans.

As empresas de ônibus e a SPTrans dizem que estes modelos Euro 6 foram encomendados antes de 17 de outubro de 2022.

Na ocasião, ainda poderiam ser comprados modelos Euro 5, que custavam até 30% menos que os Euro 6.

Desde a proibição dos modelos a diesel, foram colocados no sistema de transportes da capital paulista mais de mil ônibus movidos a óleo diesel, A justificativa da SPTrans foi a mesma: todos comprados antes da restrição.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/02/06/exclusivo-enquanto-frota-de-onibus-eletricos-nao-avanca-como-prometido-cidade-de-sao-paulo-recebeu-1146-onibus-a-diesel-mesmo-com-proibicao-desde-outubro-de-2022/

Até esta quinta-feira, 18 de abril de 2024, são apenas 117 ônibus elétricos cadastrados para circulação.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, em 18 de setembro de 2023, durante entrega de um lote de 50 ônibus elétricos da atual geração de modelos, disse que naquele ano, estariam em circulação 600 unidades. Apesar dos números bem reduzidos, a prefeitura diz que está mantida a meta de 2,6 mil ônibus elétricos até o fim de 2024.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/04/17/sistema-de-transporte-da-capital-paulista-tera-2-600-onibus-eletricos-em-2024-mesmo-com-intervencao-em-duas-empresas-garante-sptrans/

Até as questões de infraestrutura se resolverem, a frota de ônibus na cidade tende a envelhecer.

O Diário do Transporte mostrou que em 09 de abril de 2024 foram publicados aditivos aos contratos com as empresas da capital ampliando em dois anos a idade máxima dos ônibus que podem circular desde que as companhias comprovem a compra dos elétricos.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/04/09/sptrans-amplia-em-dois-anos-idade-maxima-dos-onibus-a-diesel-ja-que-quantidade-de-onibus-eletricos-nao-avanca-por-falta-de-infraestrutura/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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