BYD no Brasil pode se tornar polo exportador de ônibus elétricos com aumento de demanda no mercado nacional
Publicado em: 10 de abril de 2024
Por enquanto, mesmo para os países próximos na América do Sul, tem sido mais competitivo produzir na China
ADAMO BAZANI
As unidades fabris da chinesa BYD podem se tornar polos exportadores de ônibus e outros veículos elétricos com o aumento da demanda local.
Com isso, seria possível incorporar à linha de produção local encomendas para outros países, em especial os latino-americanos, com preços mais competitivos.
A informação é do diretor de vendas de ônibus da BYD Brasil, Bruno Paiva, durante a série de visitas técnicas às garagens de coletivos elétricos do sistema Transmilênio, em Bogotá, na Colômbia.
O Diário do Transporte, a convite da fabricante, acompanhou as visitas entre os dias 03 e 05 de abril.
O sistema de transportes da capital colombiana está em processo de descarbonização que conta com ônibus elétricos, mas não somente esta tecnologia: ônibus a gás natural, híbridos e até os mais novos a diesel (Euro 6) integram este plano.
Atualmente, Bogotá possui 1486 ônibus elétricos, dos quais 1473 são BYD e 13 Yutong.
Ambas as marcas são chinesas.
Apesar de a BYD ter planta no Brasil, relativamente perto da Colômbia, todos estes 1473 ônibus são feitos na China. O mesmo ocorre com os demais países praticamente vizinhos do Brasil que possuem ônibus da BYD.
Segundo Bruno Paiva, se a demanda brasileira por ônibus aumentar, será possível deixar a produção local mais barata e ampliar a nacionalização dos veículos.
Atualmente, no Brasil, a BYD faz no Brasil a estrutura do chassi, baterias, pneus e rodas.
As demais peças vêm da China, como eixos, válvulas e suspensão.
O intuito é usar mais peças fabricadas no Brasil. Para isso, é necessário estabelecer parcerias com fábricas instaladas o País.
Mas as fabricantes nacionais só vão criar linhas de produção para os modelos de ônibus da BYD, se houver um volume de vendas que justifique os investimentos.
Em tese, poderia parecer mais rápido sair ônibus do Brasil para a Colômbia. Mas por causa destes fatores ligados ao volume da produção brasileira, é ainda mais rápido e barato os ônibus saírem da China direto para a Colômbia.
Isso porque, na atual situação, várias peças dos ônibus precisariam sair da China, virem para o Brasil e só depois da montagem, saírem do Brasil e irem para a Colômbia. É uma viagem a mais.
Bruno Paiva lembrou, no entanto, que a nacionalização dos ônibus BYD do Brasil já é suficiente para linhas de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e de outros bancos.
Como mostrou o Diário do Transporte, desde abril de 2020, a BYD já tem credenciados ônibus no BNDES Finame.
Relembre:
O volume de produção na China permite usar as linhas de montagem dos modelos e fazer as adaptações necessárias para a realidade operacional dos ônibus de cada país.
Somam-se como alternativas para tornar a BYD do Brasil exportadora, incentivos tributários e de financiamento que incentivam importações de peças para posterior exportação dos ônibus já montados.
No Brasil, a BYD tem até o momento 123 ônibus elétricos em operação, em cidades como São Paulo (SP), Maringá (PR), Bauru (SP), Salvador (BA), Goiânia (GO), Santos (SP), São José dos Campos (SP), Brasília (DF), Diadema (SP), Mauá (SP) e Santo André (SP), sendo que nestas últimas três cidades do ABC Paulista, a empresa operadora Suzantur comprou os veículos usados de Campinas (SP).
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



O grande problema da BYD e que ela ficou dormindo enquanto a Eletra foi ganhando a confiança das empresas de SP e ficou presa a Transwolff, acabou que as compras a maioria é Eletra e alguns da própria Mercedes, provavelmente não mexeu nos custos pra venda.