Deputados do Paraná cobram da ANTT explicações sobre paralisação pela Rumo Logística do ramal Ourinhos (SP) X Londrina (PR)

Informação sobre suspensão das operações foi trazida em primeira mão pelo Diário do Transporte; Rumo confirmou que neste ano não vão mais realizar os serviços no trecho e funcionários foram demitidos ou remanejados

ADAMO BAZANI

Os deputados estaduais do Paraná Luiz Cláudio Romanelli (PSD) e Tercílio Turini (PSD) protocolaram nesta quarta-feira, 17 de janeiro de 2024, um requerimento cobrando explicações da  ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) sobre a paralisação da linha férrea de 217 quilômetros entre Londrina e Ourinhos (SP), operada pela Rumo Logística.

A informação sobre a suspensão das atividades do ramal foi confirmada no dia 12 de janeiro de 2024, em primeira mão, pelo Diário do Transporte.

Na ocasião, a Rumo confirmou à reportagem que “após tratativas comerciais com clientes, não houve nenhuma demanda de serviço de transporte viabilizada para 2024”, ou seja, neste ano, não haverá operações.

Foi realizada uma reunião com funcionários que tiveram apenas duas opções: ou serem transferidos para outras bases operacionais da Rumo ou serem desligados.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/01/13/rumo-logistica-paralisa-transporte-de-cargas-no-ramal-ferroviario-de-ourinhos-sp-e-empregados-sao-obrigados-a-aceitar-transferencia-ou-desligamento/

“A concessionária (Rumo) alega que a falta de demanda comercial motivou a decisão, o que é um absurdo e um verdadeiro retrocesso”, avalia Romanelli, de acordo com nota da Assembleia Legislativa do Paraná.

Também vão ser enviados questionamentos à direção da Rumo, ao Ministério dos Transportes e ao Tribunal de Contas da União (TCU) questionando a suspensão da operação.

A ferrovia São Paulo-Paraná, segundo Romanelli, tem quase um século de história, um canal de transporte de cargas como combustíveis, fertilizantes e grãos dos mais diversos tipos.

 “A decisão é absurda pois o transporte ferroviário é o segundo modal mais barato do mundo. É viável financeiramente e o menos poluente. Além disso, a paralisação do trem carece de visão estratégica em relação à economia verde, a que mais cresce no mundo”, disse ainda de acordo com a nota.

“Na Assembleia Legislativa não vamos ficar de braços cruzados. Vamos acionar a Agência Nacional de Transportes Terrestres e tomar outras medidas para reverter a decisão. Foi muito triste poder assistir o povo procopense ver ontem em Cornélio pela última vez o trem passar. Isso faz parte do processo civilizatório da nossa região. Nós não vamos aceitar. A Rumo tem um contrato e ela tem que cumprir“, completou.

O ramal entre Londrina e Ourinhos, afirma Romanelli, tem uma participação direta no desenvolvimento do Norte Pioneiro. “Cornélio Procópio desenvolveu-se às margens do km 125 da ferrovia. A estação na cidade foi fundada em 1930. Antes de ser chamado de Cornélio Procópio, a vila era conhecida como KM 125”, disse.

O Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana, que representa os trabalhadores deste ramal, também se mostrou contrário e denunciou um provável sucateamento proposital dos serviços, inclusive com preços impraticáveis que deixaram os fretes por caminhões mais vantajosos.

Na ata de uma das reuniões com a Rumo Malha Sul, realizada em 09 de janeiro de 2024, à qual o Diário do Transporte também tece acesso, o sindicato aponta o que considera um reajuste abusivo de 65% nos valores dos fretes deste ramal.

O Sindicato cita o exemplo do preço abusivo de frete praticado pela empresa, com vistas a inviabilizar o transporte ferroviário, o custo Araucária x Londrina (507 km) que teve o frete reajustado no último ano em torno de 10,86% e Araucária x Ourinhos (724 km) que teve o frete reajustado no mesmo período em 64,92% e, portanto, no entendimento do Sindicato, com vistas a inviabilizar o transporte ferroviário na região, repassando o custo do abandono aos clientes.

O presidente da entidade trabalhista, José Claudinei Messias, diz que a prática da Rumo vai na contramão da busca pelo estímulo ao transporte ferroviário e é um descumprimento de contrato que precisa ser fiscalizado.

“Essa atitude fere o contrato de concessão e, até mesmo, o programa dos governos federal e estaduais de ampliar a oferta de transporte ferroviário anunciado no início de dezembro” – disse Messias ao Diário do Transporte.

Mobilização

O deputado Tercilio Turini considerou, ainda de acordo com a Assembleia um absurdo a decisão da empresa Rumo de desativar o ramal ferroviário entre Londrina e Ourinhos (SP) e suspender o transporte de cargas na Ferrovia São Paulo-Paraná.

“É uma medida que vai na contramão de todo esforço para fortalecer o desenvolvimento do Norte e Norte Pioneiro. Estamos num momento em que os municípios batalham por mais infraestrutura e logística para atração de investimentos, indústrias e novos empreendimentos. Precisamos unir lideranças políticas e do setor produtivo, mobilizar a comunidade e buscar alternativas para reverter essa decisão”, afirma Turini.

Desmonte

O sindicato dos ferroviários afirma que a concessionária vem desativando trechos produtivos de diversas regiões do país, sucateando o modal, promovendo o comércio clandestino de trilhos e o desmonte do patrimônio público. O sindicato ainda acusa a Rumo de agir contra os interesses dos contratos de concessões, de não investir na manutenção e modernização dos trechos assumidos, o que resulta em tarifas elevadas que inviabilizam o transporte ferroviário.

A decisão da concessionária atenta ainda ao Novo PAC – programa de obras do governo federal – em que as ferrovias foram elencadas como prioridade com investimento previsto de R$ 94,2 bilhões até 2026. “Um meio de transporte que sai na frente quando o assunto é sustentabilidade, eficiência e segurança, e ainda carrega consigo o desenvolvimento socioeconômico por onde passa”, diz o governo federal que reitera que “o transporte ferroviário no Brasil foi negligenciado por décadas”.

No PAC, está a Nova Ferroeste que prevê a modernização da atual conexão entre Cascavel e Guarapuava, ligando Maracaju (MS) a Paranaguá, com ramais para Foz do Iguaçu e Chapecó (SC). O investimento previsto é de R$ 35,8 bilhões para a construção e compra de material rodante para os 1.567 quilômetros de trilhos da ferrovia.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. EDMILSON DE SOUSA CORDEIRO disse:

    Aqui também onde eu moro faz 3 meses que paralisaram também eu moro em Andradina Sp é a rota da noroeste fizeram a mesma coisa igual aí em Ourinhos

  2. Tanys disse:

    Se eles não querem operar tentem colocar trens de transporte de pessoas, ônibus cada dia mais caro sendo que temos trilhos ótimos que poderiam fazer o trajeto de passageiros a um valor melhor.

  3. Jean Carlo disse:

    Essa rumo não presta nem pra roçar ( Curitiba) ao longo da ferrovia no trecho Curitiba Paranagua moradores fazem a roçada … Manutenção no trecho Rio Branco do Sul ( fabrica de cimento
    da Votorantim)Curitiba é raro …muitas passagens no trecho urbano estão colapsados …entregue a acidentes pela falta de manutenção…trecho de serra (Curitiba Paranagua) e triste ver Casa de Dom Pedro em ruinas … Estação Marumbi entre outros pontos historicos da ferrovia estarem depredados e em ruinas …Rumo tem que perder a concessão… Rumo quer vender petroleo para caminhão (Rumo é grupo Raizen que tem subsidiaria a Shell no Brasil) …diesel pra caminhão é mais lucro do que trem para o grupo.

  4. Wander Cesar disse:

    A resposta da empresa vai ser de que não há cargas.Cargas há,e muita.O problema é que essa aumentou o frete de tal forma que o transporte rodoviário fica mais vantajoso(?).
    Qual a intenção disso? Parar as operações em ramais que dão pouco lucro,para concentrar nas novas linhas CONSTRUÍDAS PELO GOVERNO (dinheiro público). Estou falando da Ferrovia Norte Sul.Ferrovia nova,dormentes de concreto,trilhos novos,etc. Ou seja vai demorar para precisar de uma manutenção pesada , então o lucro alto é garantido.Enquanto isso,a empresa vai abandonando os ramais onde o lucro é menor .Já havia abandonado Ourinhos /Jaguariaíva,também a Noroeste,e agora ,o que restou do ramal de Ourinhos.A VLI ,que no Sudeste e parte do Nordeste já vem fazendo isso ha anos…Mas o governo federal desde o 2020 vem renovando antecipadamente a concessão dessas empresas e não cobra soluções para o que está abandonado.

  5. Carlos Borgo disse:

    Essas concessionárias querem apenas o filé e não aceitam roer osso. Esses contratos de concessão elaborados ainda no Governo FHC (PSDB) acabou com as ferrovias e privilegiou as rodovias. Basta observar que rodovia sob concessão ninguém abandona, né?

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