Rumo Logística paralisa transporte de cargas no ramal ferroviário de Ourinhos (SP) e empregados são obrigados a aceitar transferência ou desligamento
Publicado em: 13 de janeiro de 2024
Concessionária confirma ao Diário do Transporte que não houve demanda para este ano de 2024, mas que discute possibilidade de reativação na renovação do contrato da Malha Sul; Sindicato vai acionar MPF por entender que houve descumprimento de contrato de concessão
ADAMO BAZANI
Na mesma semana em que o Governo Federal anuncia planos de investimentos de R$ 80 bilhões e concessões para estimular e ampliar o transporte ferroviário no Brasil, um dos mais tradicionais ramais de trem do País teve a suspensão das atividades oficializada.
A concessionária Rumo Logística realizou nesta sexta-feira, 12 de janeiro de 2024, reunião com funcionários do chamado ramal de Ourinhos, no interior paulista, para que os trabalhadores optem pela transferência para outras bases operacionais ou sejam desligados.
A ligação Ourinhos (SP) a Londrina (PR) tem 217 km.
Ao Diário do Transporte, a concessionária confirma que “após tratativas comerciais com clientes, não houve nenhuma demanda de serviço de transporte viabilizada para 2024”, ou seja, neste ano, não haverá operações.
A Rumo ainda informou à reportagem que vai avaliar a retomada das operações no ramal Ourinhos “nas discussões da renovação da Malha Sul, que foi qualificada pelo conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal”.
A concessão atual de toda a Malha Sul, onde está inserido o ramal de Ourinhos, se encerra em fevereiro de 2027 e a empresa quer a renovação.
O Diário do Transporte teve acesso ao termo de transferência de funcionários, que deve ser apresentado até terça-feira (16).
No documento, funcionários como maquinistas, se comprometem a se apresentarem a partir de 1º de fevereiro de 2024, à base de Uvaranas, em Ponta Grossa, em outro estado, no Paraná.
A Rumo também confirmou ao Diário do Transporte, em nota, que todos os procedimentos de transferência dos funcionários devem ser concluídos neste mês de janeiro e que haverá benefícios para quem se demitir.
São cerca de 50 trabalhadores que atuam em Ourinhos (SP) e também no Paraná, em Cambará-Cornélio Procópio e Jataizinho no trecho até Londrina.
Entre as funções estão maquinistas, manobradores, manutenção de vagões e locomotivas, operação e gestão na estação, manutenção de via permanente (trilhos), comunicação e sistemas.
A medida, entretanto, desagradou moradores da cidade de Ourinhos, já que são frentes de trabalho que se fecham na região, além de impactar, mesmo que indiretamente, na arrecadação tributária e movimentação das atividades econômicas.
O Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana, que representa os trabalhadores deste ramal, também se mostrou contrário e denunciou um provável sucateamento proposital dos serviços, inclusive com preços impraticáveis que deixaram os fretes por caminhões mais vantajosos.
Na ata de uma das reuniões com a Rumo Malha Sul, realizada em 09 de janeiro de 2024, à qual o Diário do Transporte também tece acesso, o sindicato aponta o que considera um reajuste abusivo de 65% nos valores dos fretes deste ramal.
O Sindicato cita o exemplo do preço abusivo de frete praticado pela empresa, com vistas a inviabilizar o transporte ferroviário, o custo Araucária x Londrina (507 km) que teve o frete reajustado no último ano em torno de 10,86% e Araucária x Ourinhos (724 km) que teve o frete reajustado no mesmo período em 64,92% e, portanto, no entendimento do Sindicato, com vistas a inviabilizar o transporte ferroviário na região, repassando o custo do abandono aos clientes.
O presidente da entidade trabalhista, José Claudinei Messias, diz que a prática da Rumo vai na contramão da busca pelo estímulo ao transporte ferroviário e é um descumprimento de contrato que precisa ser fiscalizado.
“Essa atitude fere o contrato de concessão e, até mesmo, o programa dos governos federal e estaduais de ampliar a oferta de transporte ferroviário anunciado no início de dezembro” – disse Messias ao Diário do Transporte.
O sindicato alerta que a empresa, que está em processo de antecipação da Concessão da Malha Sul, como fez nas Malhas Paulistas, operou o Ramal de Ourinhos pela última vez em setembro de 2023, “gerando um faturamento entre carga e descarga em torno de R$ 3 milhões, apenas em uma empresa”.
O ramal Ourinhos possui terminais ferroviários com bases de distribuição de combustíveis que abastecem a região norte do Estado do Paraná e Sul/Sudeste de São Paulo, além de proporcionar carregamento de álcool destinado aos estados do Sul do país, bem como indústrias de adubo e para exportação de açúcar, soja e milho.
Há nove terminais de combustível e dois pátios de manobra.
O sindicato diz que vai acionar o Ministério Público Federal em Ourinhos, bem como ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Ministério dos Transportes, deputados e senadores, bem como o Governo de São Paulo e a prefeitura de Ourinhos para que a situação seja revertida.
“Os clientes precisam ser respeitados e fatos como este não podem mais ocorrer, pois vão na contramão da proposta de valorização do transporte ferroviário no país, principalmente nesse momento de crise energética e os resultados climáticos do excesso de poluição, que o transporte via caminhões vem agravando ainda mais e a ferrovia tem papel importante.” – disse ainda Messias

Ainda na nota enviada ao Diário do Transporte, a empresa Rumo diz que fará este processo de transição de “forma respeitosa” aos envolvidos.
Veja na íntegra:
Após tratativas comerciais com clientes, não houve nenhuma demanda de serviço de transporte viabilizada para 2024. A Rumo segue continuamente avaliando novas oportunidades.
Além disso, novas possibilidades para esse ramal serão avaliadas nas discussões da renovação da Malha Sul, que foi qualificada pelo conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal.
A empresa propôs para todos os colaboradores do complexo ferroviário de Ourinhos a oportunidade de transferência para outras unidades operacionais e administrativas, prestando todo suporte necessário e garantindo a continuidade dos contratos de trabalho. A previsão é que todos os procedimentos de transferência sejam concluídos neste mês.
Caso o colaborador opte pelo encerramento do vínculo empregatício, a Companhia prestará todo o suporte e vai oferecer um pacote de benefícios. A Rumo fez reuniões com o sindicato e reforça que a prioridade é que este processo ocorra de forma respeitosa com todos os envolvidos.
Na mesma semana em que o Governo Federal anuncia planos de investimentos de R$ 80 bilhões e concessões para estimular e ampliar o transporte ferroviário no Brasil, um dos mais tradicionais ramais de trem do País teve a suspensão das atividades oficializada.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Estranho! a empresa quer parar as atividades enquanto busca renovação da concessão??? parece que quer forçar a barra do governo, ou renova com eles ou entrega sucateada a concessão!
Que abuso de puder dessa concessionária Rumo. Sucateia a si própria em detrimento de todo o seu funcionalismo. Incapacidade e incompetência de progredir.
Como sempre, o transporte ferroviário no Brasil deixou de ser importante a partir do momento que os barões do pedágio começaram a dar as cartas, e assim tantos e tantos trechos de trilhos estão sendo abandonados como é o caso da antiga NOB, posso até estar sendo hipócrita em dizer, más da a concessão aos chineses que muito rapidamente teremos linhas revitalizadas, equipamentos novos e até transporte de passageiros. Assim esta acontecendo com as hidrelétricas. Más…
É triste, tanto pela situação dos trabalhadores quanto pela situação do transporte ferroviário.
A imprensa divulgou um aumento de trechos ferroviários na Europa em virtude de alternativa para o transporte, devido à crise climática.
E nós tendo essas notícias de fechamento de linhas ferroviárias…
Ei. Não era a privatização da RFFSA (Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima) ou da FEPASA (Ferrovias Paulista Sociedade Anônima), que “iriam melhorar o sistema ferroviário” ??? Quanto engano !!! Mais uma privatização que não deu certo !!!
O problema é que a demanda cai a cada dia, e de forma vertiginosa.
Já existem empresas de transportes rodoviário, agonizando e podem deixar de operar também.
Preocupante!!
Ou seja, vão realocar o pessoa e mandar embora aqueles que são mais novos de empresa em outros ramal, funcionários em outro ramal estão na mão da liderança que favorecem seus peixadas… Se fecharam o ramal de Ourinhos foi pra cortar o pessoal…
O problema tá nessa transferência de pessoal, se fecharam o ramal de Ourinhos foi pra cortar o pessoal e com isso aqueles que estão a pouco tempo na empresa em outros ramal vão ser mandado embora pois a máfia da liderança sem supervisão clara, ocorre em favorecimento dos peixadas… Infelizmente fizeram isso pra cortar mesmo o pessoal…