Já ônibus municipais em São Paulo não terão reajuste em 2024, o que vai impedir de integração ser mais cara ainda
ADAMO BAZANI
O aumento no valor das passagens dos transportes metropolitanos decido pelo Governador Tarcísio de Freitas para a partir de 1º de janeiro de 2024 vai fazer com que as pessoas que precisam fazer a integração entre ônibus da capital paulista e sistema de trilhos desembolsem mais dinheiro para viajar.
A interação passará de R$ 7,65 para R$ 8,20 também a partir de 1º de janeiro de 2024.
A informação foi confirmada pela imprensa que integra o Governo do Estado.
A tarifa unitária nos trilhos passará de R$ 4,40 para R$ 5,00.
O valor da integração só não vai pesar mais ainda no bolso dos passageiros porque o prefeito Ricardo Nunes congelou para 2024 a tarifa dos ônibus municipais gerenciados pela SPTrans (São Paulo Transporte).
Assim, os ônibus da capital paulista continuam em R$ 4,40 e o percentual da prefeitura na integração continua o mesmo.
A decisão de Tarcísio de Freitas também vai aumentar o preço das passagens dos ônibus, Corredor ABD e VL da Baixada gerenciados pela EMTU.
Tarcísio também quebrou uma sequencia que vinha desde 2012 de tarifas unificadas dos ônibus e sistemas de trilhos.
Desde 2012 as tarifas de ônibus (SPTrans) e trilhos eram as mesmas, o que será quebrado em 2024.
2011
Ônibus (SPTrans) – R$ 2,70
Trilhos – R$ 2,65
2010
Ônibus (SPTrans) – R$ 2,30
Trilhos – R$ 2,55
2009
Ônibus (SPTrans) – R$ 2,30
Trilhos – R$ 2,40
Em nota, a STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos) diz que o reajuste na integração será de 7,19%
O reajuste aplicado na tarifa pública básica dos transportes metropolitanos levou em consideração a média acumulada da inflação do período. O mesmo percentual aplicado na tarifa comum será aplicado nas tarifas de integração somente na parcela do Estado.
Na integração com a Prefeitura do Município de São Paulo, por exemplo, o reajuste no BU Integrado Comum será em torno de 7,19%. O valor da tarifa de integração entre ônibus e trilhos no Município de SP passa a ser de R$ 7,65 para R$ 8,20.
TARCÍSIO DIZ QUE SUBSÍDIOS SERIAM INSUPORTÁVEIS:
Na coletiva na parte da tarde desta quinta-feira (14), o governador Tarcísio de Freitas disse que os subsídios aos transportes seriam insuportáveis caso não houvesse o reajuste nas tarifas dos trilhos e da EMTU.
Segundo o Governador, os subsídios com aumento de tarifa vão ficar na casa dos R$ 2 bilhões em 2024, mesmo patamar de 2023. Sem reajuste, os subsídios seriam maiores, de acordo com Tarcísio.
Sobre a indisposição criada pela forma como o anúncio foi feito, de maneira não oficial inicialmente, Tarcísio se esquivou e disse que tinha avisado o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.
Pela manhã, foi ventilado que as tarifas de ônibus municipais da capital paulista (SPTrans) aumentariam também, mas no início da tarde, a prefeitura desmentiu a informação ventilada e disse que os ônibus não terão reajuste no valor das passagens.
Tarcísio disse que sem subsídios, as tarifas de trilhos estariam na casa dos R$ 6 e da EMTU a partir de R$ 8 e que teme pela solvência das estatais Metrô e CPTM com o congelamento.
Veja na íntegra o que disse Tarcísio:
“Na verdade, houve a conversa. A decisão não foi conjunta. Temos uma situação de estrutura de custo completamente diferente, sobretudo, do transporte sobre trilhos. Os subsídios para o transporte sobre trilhos, para as empresas, sobretudo, CPTM e Metrô, já estão chegando na casa do insuportável. Temos que tomar cuidado com a solvência dessas empresas. Temos uma tarifa que se fossemos realmente reajustar, pelo que é devido, já estaria na casa dos R$ 8,00 para EMTU, mais de R$ 6,00 na CPTM e Metrô, são três anos sem reajustes. A gente precisava fazer isso.
A prefeitura tem uma outra situação, ela opera o transporte sobre pneus, e percebeu que ela consegue suportar mais tempo a atual estrutura de custo e ao atual nível de subsídio. A prefeitura resolveu seguir com a tarifa de R$ 4,40 congelada, e o Estado vai reajustar a tarifa da EMTU, da CPTM e do Metrô, em um patamar que deve ser metade da inflação acumulada no período desses três anos que estão sem reajustes. Isso é fundamental para fazermos o ajuste financeiro dessas empresas. Outras medidas vão ser tomadas, como a antecipação de recebíveis, iremos investir mais para auferir receitas não tarifárias, tem questão de PDV, ou seja, toda uma reestruturação das empresas no que diz respeito a estrutura de custeio, para que a gente possa manter as nossas operações.
Não tem problema nenhum em relação a integração. Nós já tivemos essa situação no passado, as tarifas já estiveram descasadas, momento em que a tarifa do metrô descolou, era mais alta que a tarifa do ônibus. Aí você tem um repasso diferente quando aquele usuário estiver adquirindo o bilhete da integração. No mais, não muda muita coisa no cotidiano do cidadão de São Paulo.
A prefeitura tem condição de manter a tarifa em R$ 4,40. Nós não temos mais condições de manter a tarifa. Mesmo reajustando, vamos aportar um recurso importante em termos de subsídio. Não podemos mais estar tirando o dinheiro de outras áreas que são prioritárias. Nós temos um desafio da saúde, desafio da segurança pública, então não dá mais para tirar para subsidiar a atividade de transporte. Então temos que equilibrar um pouco a conta. O subsídio ainda vai ser pesado ano que vem, ou seja, aquele reajuste que está sendo aplicado não traz neutralidade para a tarifa, não traz a receita neutra, ou seja, o Estado ainda vai aportar dinheiro para subsidiar o transporte. Do contrário, teremos uma situação de precarização dessas empresas, e aí começamos a perder qualidade. Depois de três anos sem reajuste é importante que façamos isso.”
SUBSÍDIOS AO SISTEMA DE ÔNIBUS:
Como mostrou o Diário do Transporte, a prefeitura de São Paulo separou no projeto do Orçamento para 2024, R$ 5,1 bilhões para subsidiar o sistema de ônibus gerido pela SPTrans.
Relembre:
Somente neste ano, já foram injetados nos serviços, em torno de R$ 5,5 bilhões.
Os subsídios são para bancar a diferença entre o que é arrecadado nas catracas dos ônibus e os custos totais do sistema, que em São Paulo giram em torno de R$ 11 bilhões.
A prefeitura diz que, sem subsídios, hoje a tarifa seria de aproximadamente R$ 8.
Com isso, os subsídios são usados para custeio de integrações pelo Bilhete Único e gratuidades previstas em lei.
Os R$ 5,1 bilhões do Orçamento não levam em conta os custos da tarifa zero aos domingos, Natal, Ano Novo e aniversário da cidade. Para este fim, a Câmara aprovou, em primeira votação, uma emenda de R$ 500 milhões no projeto do Orçamento.
A troca de ônibus a diesel por elétricos, a ser custeada pela prefeitura que pagará a diferença entre os modelos a combustão e a eletricidade, tem no Orçamento para 2024 a previsão de R$ 2,5 bilhões como injeção do município e ainda haverá mais R$ 5,75 bilhões captados por meio de financiamentos em instituições nacionais, como BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, e internacionais como BID e Bird.
Relembre:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
