Emplacamentos de ônibus somam alta de 45,83% no primeiro semestre, mas no mês, resultados foram negativos, diz Fenabrave

Residual dos chassis Euro 5 está acabando e segundo semestre preocupa

ADAMO BAZANI

Os emplacamentos de ônibus no Brasil no primeiro semestre de 2023 registram alta de 45,83% em relação à semelhante período de 2022.

Neste ano, de janeiro a junho, foram emplacados 13.399 veículos de transportes coletivos e, nos seis primeiros meses do ano passado, foram comercializados para o mercado nacional, 9.188.

O resultado foi divulgado nesta terça-feira, 04 de julho de 2023, pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), que representa as concessionárias e representantes.

Grande parte desta alta ocorre por causa dos emplacamentos das últimas unidades de modelos com base na tecnologia Euro 5, que deixou de ser produzida para o mercado nacional.  Desde janeiro de 2023, está em vigor no Brasil a tecnologia Euro 6, que é menos poluente, porém, cujos ônibus e caminhões podem custar até 30% mais.

No ano passado, para escapar destes valores de aquisição maiores, os empresários de ônibus que puderam, anteciparam as compras previstas para este ano.

O que explica esta antecipação de compra ainda surtir efeitos nos emplacamentos acumulados do primeiro semestre, é que existe um tempo de três a seis meses entre a compra de um ônibus, produção do chassi, encarroçamento e, por fim, licenciamento.

Chassis e carrocerias são comprados com fornecedores diferentes. Primeiro é fabricado o chassi em São Bernardo do Campo/SP (Mercedes-Benz e Scania), Curitiba/PR (Volvo), Campinas/SP (BYD), Sete Lagoas/MG (Iveco), Resende/RJ (Volkswagen) ou Caxias do Sul/RS (Agrale e Volare).

Depois de já pronto, este mesmo chassi é transportado até Caxias do Sul/RS (Marcopolo/Volare), São Mateus/ES (Marcopolo), Botucatu/SP (Caio e Irizar), Cascavel/PR (Mascarello), Erechim/RS (Comil), Flores da Cunha/RS (EMA – Maxibus Carrocerias e Equipamentos Ltda) ou São Marcos/RS (BepoBus).

Nas encarroçadoras os ônibus são finalizados. Porém, em muitos casos são necessários equipamentos, como de bilhetagem, câmeras, etc, que são instalados em locais próprios ou nas garagens.

A estimativa para o segundo semestre de 2023 é que o ritmo de emplacamentos caia já acompanhando a redução da produção dos modelos Euro 6.

Um sinal é a queda de emplacamentos entre maio de junho, de 5,48%.

Em maio, foram emplacados 2.237 ônibus e, em junho deste ano, foram 2.115 unidades.

MARCAS:

O ranking de marcas de ônibus tem poucas mudanças no topo há anos, com a Mercedes-Benz liderando, seguida de Volkswagen e Marcopolo (que inclui os miniônibus produzidos pela Volare, vendidos já montados).

Os números se referem ao acumulado do semestre, algumas marcas incluem minibus e vans.

1º MERCEDES-BENZ: 7.212 ônibus – 53,82% de participação no mercado.

2º VOLKSWAGEN:  2.992 ônibus – 22,33% de participação no mercado.

3º MARCOPOLO:  1.973 ônibus – 14,72% de participação no mercado.

4º VOLVO: 503 ônibus – 3,75% de participação no mercado.

5º IVECO: 463 ônibus 3,46% de participação no mercado.

6º SCANIA: 126 ônibus – 0,94% de participação no mercado.

7º AGRALE: 120 ônibus – 0,90% de participação no mercado.

8º LVTONG: 4 veículos – 0,03% de participação no mercado.

9º INDUSCAR: 3 veículos: – 0,02% de participação no mercado.

10º HIGER: 1 ônibus: 0,01% de participação no mercado.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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