Dos ônibus para os barcos: Transwolff, na zona Sul, é autorizada pela prefeitura de SP a comprar embarcações para o sistema hidroviário de passageiros na Billings

Empresa atua na região onde o transporte por ônibus integrará com o sistema de barcos

SPTrans fez aditamento ao contrato de concessão da empresa, que opera o Lote D11 do Grupo Local de Distribuição;com isso, transportadora será responsável pela operação assistida do Aquático entre os parques Cantinho do Céu e Mar Paulista. 

ALEXANDRE PELEGI/ADAMO BAZANI

Dos ônibus para os barcos…

A Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, concedeu autorização à empresa Transwolff, para adquirir as embarcações do futuro Sistema Hidroviário de Transporte Público Coletivo de Passageiros na Represa Billings, o Aquático. A empresa vai ser remunerada pelos serviços.

Não houve licitação para esta autorização. Foi feito um aditamento ao contrato que a Transwollf tem pelos ônibus.

O sistema terá cerca de 3km de extensão entre os parques Cantinho do Céu e Mar Paulista e será integrado aos demais meios de transportes. Para isso, terá atracadouros e terminais de ônibus para permitir a transferência dos usuários entre os modais.

A data do início de operação ainda não foi definida.

A autorização foi publicada no Diário Oficial da Cidade nesta sexta-feira, 30 de junho de 2023.

Veja os detalhes:

A concessionáriade ônibus Transwollf será responsável pela operação experimental do Transporte Aquático entre os parques Cantinho do Céu e Mar Paulista.

Em nota, a SETRAM – Secretaria Executiva de Transporte e Mobilidade da Capital informa que o projeto prevê duas embarcações para transporte de passageiros com capacidade para transportar 60 usuários sentados, 2 (duas) portas laterais exclusivas para as operações de embarque e desembarque de passageiros, espaço para cadeirantes e banheiro acessível, espaço para acomodação de bicicletas, ar-condicionado, tomada USB.

Os veículos devem obedecer as normas aplicáveis da Autoridade Marítima (NORMAM). Além disso, a concessionária deverá adquirir embarcação de apoio para futura utilização em ocorrências de resgate, reboque, manutenção, transporte de materiais, dentre outras atividades voltadas à garantia da segurança e da continuidade do serviço”, informa a SETRAM.

A empresa, que tem a concessão do Lote D11 do Grupo Local de Distribuição do transporte coletivo por ônibus do município, recebeu um aditamento ao contrato assinado com a SPTrans para poder atuar desta forma no sistema Aquático.

A assinatura do termo de aditamento ao Contrato nº 048/19-SMT.GAB foi aprovada em Resolução de Diretoria após manifestação da Assessoria Jurídica.

Cabe agora à SPTrans formalizar os ajustes, conforma determinação do Secretário Executivo de Transporte e Mobilidade – SETRAM, Gilmar Pereira Miranda.

O “Aquático”, com cerca de 3km de extensão, será integrado aos demais sistemas de transportes. Para isso, terá atracadouros e terminais de ônibus para permitir a transferência dos usuários entre os modais.

Ou seja, ele se integrará aos corredores de transporte de ônibus, garantindo a multimodalidade e o uso do Bilhete Único em todo o sistema.

“O Aquático SP será o primeiro meio de transporte coletivo por embarcações na cidade. O projeto consta no Programa de Metas 2021-2024 e o transporte hidroviário está previsto no Plano Diretor Estratégico e no Plano de Mobilidade. O Sistema de Transporte Público Hidroviário será implantado na Represa Billings e deve beneficiar diretamente 385 mil pessoas residentes na Zona Sul da Capital, nos bairros do Grajaú, Cocaia e Pedreira. O projeto prevê a construção de atracadouro de barco, parada de ônibus e interligação entre os transportes terrestre e hidroviário”, informa a SETRAM.

Com a iniciativa, a população do bairro Cantinho do Céu, no Grajaú, poderá realizar a travessia por embarcações até Pedreira, ganhando redução de tempo em suas viagens.

O atendimento inicial será feito por meio de operação assistida.

AQUÁTICO

A prefeitura, desde o início do ano de 2022, vem promovendo uma série de medidas que, integradas, possibilitam a implantação do sistema Aquático.

Em 17 de novembro de 2022, o prefeito Ricardo Nunes publicou dois decretos declarando de utilidade pública, para fins de desapropriação, imóveis particulares destinados à continuidade dos preparativos para implantar o projeto de transporte na Billings.

No primeiro decreto, os imóveis particulares estão situados no Distrito do Grajaú, Subprefeitura da Capela do Socorro, e são necessários para a implantação do acesso ao Terminal Atracadouro Cocaia. A área total abrange 348,57 metros quadrados.

Já no segundo decreto, os imóveis somam 12.853 metros quadrados, localizados no Distrito de Pedreira, Subprefeitura de Cidade Ademar, e serão utilizados para a implantação do Estaleiro Pedreira.

No caso do Cocaia, em 14 de fevereiro de 2023 o prefeito declarou de utilidade pública área destinada ao Terminal de ônibus Cocaia, equipamento planejado para ser implantado próximo à Estrada Canal do Cocaia. Com isso, tanto os modais ônibus como barcas já estão atendidos em uma das pontas da travessia. Faltava, portanto, definir a área do atracadouro, agora contemplada.

O Terminal Pedreira, como mostrou o Diário do Transporte, também já foi atendido. No dia 06 de julho de 2022, Ricardo Nunes publicou decreto de utilidade pública contemplando cerca de 22 mil metros quadrados de imóveis particulares para a implantação do Terminal Atracadouro Pedreira, em Cidade Ademar. Este Terminal acomodará linhas de ônibus da localidade, permitindo a transferência dos usuários do sistema de ônibus para as embarcações de travessia aquática entre Cocaia e Pedreira.

Todos estes atos vão compondo o quebra-cabeça necessário ao funcionamento do Aquático, com a implantação de corredores de ônibus que darão acesso ao sistema (Sabará e Miguel Yunes), além dos terminais para os coletivos da SPTrans, que funcionarão integrados com os atracadouros.

Na edição do Diário Oficial de 09 de setembro de 2022, a empresa gerenciadora do transporte da capital publicou também aviso de licitação para desenvolvimento dos projetos executivos do Corredor de ônibus Sabará. O certame é destinado a contratar serviços especializados de engenharia para a consolidação dos projetos básicos e desenvolvimento dos projetos executivos para a obra do Corredor de ônibus Sabará. A data de entrega das propostas é 21 de novembro.

O decreto dando início à desapropriação de áreas para a implantação do corredor Miguel Yunes foi publicado no Diário Oficial de 12 de janeiro de 2022, como noticiou o Diário do Transporte. O Corredor, também na zona sul da Capital, tem 4,8 km de vias exclusivas para ônibus. Os imóveis particulares estão situados no Distrito de Campo Grande, Subprefeitura de Santo Amaro, necessários à implantação do Miguel Yunes. Relembre: Prefeitura de São Paulo desapropria área para implantação de corredor Miguel Yunes, Zona Sul da capital

Na medida mais recente da prefeitura, após a homologação da licitação da empresa que vai desenvolver estudos, laudos, projetos funcional e básico, além de estudos e licenciamento ambiental do sistema de Transporte Hidroviário, a SPTrans publicou no dia 19 de abril de 2023, a contratação da execução de levantamentos batimétricos multifeixe em áreas da represa Billings.

O resumo do contrato informa que a empresa Victoriane Construções Ltda prestará os serviços especializados para a execução dos levantamentos pelo valor de R$ 500 mil (R$ 499.999,99 – base março/2023).

O prazo é de seis meses, contados a partir da data de assinatura.

Os levantamentos batimétricos são realizados para medir profundidades associadas a uma posição da embarcação na superfície da água.

As profundidades são de extrema importância para que seja possível visualizar a topografia submersa.

De acordo com a Marinha brasileira, o ecobatímetro multifeixe obtém as profundidades sobre uma faixa e não somente ao longo da linha de sondagem como no método tradicional.

Isso permite obter uma grande quantidade de profundidades, cobrindo o leito e garantindo que todos os perigos sejam encontrados e delimitados.

TRAVESSIA COMO PARTE DO HIDROANEL METROPOLITANO

Para o consultor Frederico Bussinger, que ocupou diversos cargos na área de transporte do estado e da capital paulista, caso a desapropriação das áreas tanto para os atracadouros, como para os corredores de ônibus sejam concluídas, e os corredores de ônibus implantados, o projeto do Aquático fica exequível.

Ele ressalta que pode-se grosso modo dizer que há dois tipos de transporte hidroviário. “Há os longitudinais (que seguem curso de rios) e os de travessias (como é o caso do Aquático da Billings). As travessias em geral são mais viáveis, pois sua alternativa, normalmente, são caminhos/estradas bem mais longas – ou seja, eles cortam caminho”.

Frederico diz que os longitudinais, por terem alternativas concorrentes (geralmente rodovias/avenidas), nem sempre são viáveis. “Ou não o são em todas as circunstâncias. É o caso da navegação pelos Rios Tietê e Pinheiros (parte do Hidroanel): para mim só são viáveis para Cargas (pessoas não – pois as “linhas de desejo” lhe são ortogonais) e, bem assim, por razões para além da economia direta (emissões, redução de congestionamentos, etc)”, completa Bussinger.

Bussinger faz questão de ressaltar, entretanto, que essas travessias são parte do projeto do Hidroanel Metropolitano. “A conexão entre as represas e rios daria a São Paulo cerca de 170 a 190 km de águas navegáveis, que auxiliariam também no abastecimento dos municípios e controle de cheias”.

Apesar do avanço, ele lamenta uma grande dificuldade que se tem para a implementação do transporte hidroviário na Região Metropolitana de São Paulo: as visões pontuais, fragmentadas…  “agora é a travessia”, diz o consultor.

A meu ver é importante que se tenha a visão de conjunto, e que se saiba a casa que cada tijolinho está ou pode estar construindo”. E ilustra melhor sua noção de conjunto:

Antes tratou-se isoladamente do projeto imobiliário na região da Usina da Traição (entroncamento da Av. Marginal Pinheiros com a Av. Bandeirantes) Antes a eclusa da Penha (ora sendo concluída). Antes o aprofundamento das Calhas. Antes a eclusa do Cebolão …. e assim por diante”, conclui Bussinger.

Simulação do Aquático, na proposta de atracadouro em tração. A primeira fase do projeto será entre as regiões de Estrada da Cocaia e o bairro de Pedreira. Imagem: Grupo Metrópole Fluvial/FAU-USP


Aprovada e depois promulgada no mês de junho daquele ano, a Lei 16.010/2014 determina integrar o transporte por rios e represas da cidade ao sistema de transporte por ônibus e trilhos, tudo pago com o Bilhete Único. Pela Lei, os portos estarão integrados ao sistema de ônibus, metrôs e trens.

Uma vez eleito, o falecido prefeito Bruno Covas incluiu em seu Plano de Metas, hoje aprovado pela Câmara, a implantação do Sistema de Transporte Público Hidroviário na represa Billings. A proposta inclui a construção de atracadouros integrados a terminais de ônibus para embarque e desembarque na rede de transporte público hidroviário.

CONVÊNIO COM A USP

No Diário Oficial de 19 de julho de 2022, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU/USP) divulgou Termo de Cooperação Técnica firmado com a SPTrans – São Paulo Transportes dedicado ao estabelecimento de cooperação para “buscar subsídios técnicos e científicos envolvendo a futura implantação do Sistema de Transporte Público Hidroviário (STPHSP)”.

O convênio, que não envolverá custos, visa a promoção da melhoria da mobilidade urbana no Município de São Paulo, a partir de dados fornecidos pela SPTrans e estudos conjuntos desenvolvidos entre a Faculdade e a empresa municipal.

Relembre: SPTrans e USP assinam termo de cooperação para estudos de implantação do Aquático, sistema de transporte público hidroviário

 


Modelo na utilização do transporte hidroviário, Londres possui alguns barcos com acesso à internet sem fio e lanchonetes. Apesar da importância histórica, hidrovias londrinas passaram por um processo de abandono e foram recuperadas apenas nos anos 1960.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. WILLIAM SANTOS disse:

    Acho que isso explica porque a Transwolff tem adquirido tantos ônibus usados ultimamente. Tem muita coisa acontecendo na empresa

    1. Mila Maluhy disse:

      Tem muita coisa acontecendo com essa prefeitura!!

  2. Rinaldo Oliveira de Santana disse:

    É eu tenho percebido isso mas não tinha ideia eu sou motorista de empresa transwolff tenho muito orgulho de trabalhar nela espero ter portunidade para fazer parte de todas novidades da empresa acredito que ela tem potencial para todos os tipos de transporte

  3. Mila Maluhy disse:

    Gostaria de saber aonde acessar os estudos de viabilidade, de impacto ambiental e demais impactos desse projeto.
    Como vão fazer a navegação quando a represa estiver com o nível baixo? (quase metade do ano).

    1. Ligeiro disse:

      Pede via Lei de Acesso a Informação. Geralmente eles tem um site com tudo isso, se não tiver, aplica LAI (só conversar com jornalistas e advogados especializados em requerimentos via Lei de Acesso).

      1. Milena Saad Maluhy disse:

        Obrigada!

    2. Clayton Puras Berti disse:

      Fiz parte da empresa Viação Cidade Dutra comecei no sistema de cobrador e me esforcei para passar pra motorista e uma empresa Boa tenho orgulho em ter feito parte do quadro de funcionários 2011 até 2020 , e agora faço parte da empresa transwolf tenho orgulho em dar seguimento com o nome da minha família que fez parte do crescimento da transwolf , torço para empresa crescer e gerar mais emprego acredito no potencial da empresa e seus funcionários e na sustentabilidade e vai diminuir o trânsito o engarrafamento pra todos , acredito que vai ser um grande empreendimento, lembrando que SP tem suas comportas para manter nosso abastecimento de água até para outras cidades vizinhas , Boa sorte a todos nos moradores da Z/S

  4. Xany disse:

    Cantinho do céu bairro perigoso , onde nem viatura quase não entra , imagina passageiros fazendo esse trajeto perigoso e pedir para ser roubado

  5. Jeremias Melo disse:

    Onde fica Cantinho do Céu?

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