SPTrans e USP assinam termo de cooperação para estudos de implantação do Aquático, sistema de transporte público hidroviário

A Represa Billings é um dos maiores reservatórios de água da Região Metropolitana de SP

Convênio tem prazo de 60 meses; Administração Municipal tem avançado em processos de desapropriação para corredores de ônibus e atracadouros

ALEXANDRE PELEGI

A Prefeitura de São Paulo está avançando no caminho da implantação do primeiro modo de transporte coletivo por embarcações na cidade, o “Aquático”, situado na represa Billings.

A meta da prefeitura é integrar o futuro Sistema de Transporte Público Hidroviário de São Paulo (STPHSP) à rede de transporte coletivo da capital.

No Diário Oficial desta terça-feira, 19 de julho de 2022, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU/USP) divulgou Termo de Cooperação Técnica firmado com a SPTrans – São Paulo Transportes dedicado ao estabelecimento de cooperação para “buscar subsídios técnicos e científicos envolvendo a futura implantação do Sistema de Transporte Público Hidroviário (STPHSP)”.

O convênio, que não envolverá custos, visa a promoção da melhoria da mobilidade urbana no Município de São Paulo, a partir de dados fornecidos pela SPTrans e estudos conjuntos desenvolvidos entre a Faculdade e a empresa municipal.

O “Aquático”, com cerca de 3km de extensão, será integrado aos demais sistemas de transportes. Para isso, terá atracadouros e terminais de ônibus para permitir a transferência dos usuários entre os modais. Ou seja, ele se integrará aos corredores de transporte de ônibus, garantindo a multimodalidade e o uso do Bilhete Único em todo o sistema.

HISTÓRICO

Como vem mostrando o Diário do Transporte, a prefeitura tem publicado decretos de utilidade pública com vistas a desapropriar áreas necessárias à implantação do sistema de transporte por barcos.

Em 14 de fevereiro deste ano, o prefeito declarou de utilidade pública área destinada ao Terminal Cocaia, equipamento planejado para ser implantado próximo à Estrada Canal do Cocaia. Trata-se de terminal de ônibus que integra o projeto do ‘Aquático’ – Sistema de Transporte Público Hidroviário na Represa Billings. Relembre: Prefeitura de SP inicia processos de implantação do Terminal Cocaia, na Billings, e da continuação de parte do corredor Leste Itaquera

No dia 06 julho, Ricardo Nunes publicou decreto que declara de utilidade pública cerca de 22 mil metros quadrados de imóveis particulares para a implantação do Terminal Atracadouro Pedreira, em Cidade Ademar. Este Terminal acomodará linhas de ônibus da localidade, permitindo a transferência dos usuários do sistema de ônibus para as embarcações de travessia aquática entre Cocaia e Pedreira.

Na edição do Diário Oficial de 08 de julho de 2022, o prefeito Ricardo Nunes publicou dois decretos de utilidade pública de imóveis particulares, passo que antecede as medidas legais de desapropriação das áreas, necessárias à implantação dos equipamentos do transporte coletivo.

As áreas citadas nos dois decretos estão situadas nos Distritos de Santo Amaro, Campo Grande e Pedreira, Subprefeituras de Santo Amaro e Cidade Ademar (implantação de corredor de ônibus); e distrito de Cidade Ademar (implantação de terminal).

O Decreto nº 61.528 define a necessidade de desapropriações necessárias à implantação do corredor de ônibus, com área total de 61.876,15 m². Trata-se, neste caso, do Corredor Sabará, com aproximadamente 6,9 quilômetros de extensão, localizado nas Subprefeituras da Capela do Socorro, Cidade Ademar e Parelheiros, na Zona Sul.

Já o Decreto nº 61.529 se refere às desapropriações necessárias para a construção do Terminal Jardim Miriam, que será construído na região Sul da cidade, localizado na Avenida Cupecê, entre as ruas Luís Stolb e Francisco Alves de Azevedo.

CORREDOR SABARÁ

No primeiro Decreto, do corredor Sabará, fica evidente sua importância para o futuro sistema hidroviário da Billings.

Como se pode ver no mapa abaixo, tanto o corredor Nossa Senhora do Sabará, quanto o Miguel Yunes, desembocam na Pedreira, um dos polos da represa que será local de embarque e desembarque da travessia para Cocaia.

Em nota, a SPTrans confirmou ao Diário do Transporte que o projeto está vinculado ao “Aquático”:

Esta é uma via importante que proporcionará a locomoção dos munícipes da região de forma mais ágil, diminuindo o tempo de viagem do trajeto e aumentando a acessibilidade a outras regiões da cidade. O traçado no sentido bairro tem início na Rua Isabel Schimidt, Rua Carlos Gomes, Rua Borba Gato e desenvolve-se ao longo das avenidas Nossa Senhora do Sabará, Emérito Richter, Estrada do Alvarenga e Rua do Mar Paulista, no futuro Terminal Pedreira do Aquático”.

O decreto dando início à desapropriação de áreas para a implantação do corredor Miguel Yunes foi publicado no Diário Oficial de 12 de janeiro de 2022, como noticiou o Diário do Transporte. O Corredor, também na zona sul da Capital, tem 4,8 km de vias exclusivas para ônibus. Os imóveis particulares estão situados no Distrito de Campo Grande, Subprefeitura de Santo Amaro, necessários à implantação do Miguel Yunes. Relembre: Prefeitura de São Paulo desapropria área para implantação de corredor Miguel Yunes, Zona Sul da capital

Com a publicação nessa sexta do decreto para o Nossa Senhora do Sabará, a prefeitura fecha a dupla de corredores que se integrará ao sistema Aquático na região da Pedreira. O corredor Sabará, segundo a SPTrans informou ao Diário do Transporte, tem aproximadamente 6,9 quilômetros de extensão, localizado nas Subprefeituras da Capela do Socorro, Cidade Ademar e Parelheiros, na Zona Sul.

TRAVESSIA COMO PARTE DO HIDROANEL METROPOLITANO

Para o consultor Frederico Bussinger, que ocupou diversos cargos na área de transporte do estado e da capital paulista, caso a desapropriação das áreas tanto para os atracadouros, como para os corredores de ônibus sejam concluídas, e os corredores de ônibus implantados, o projeto do Aquático fica exequível.

Ele ressalta que pode-se grosso modo dizer que há dois tipos de transporte hidroviário. “Há os longitudinais (que seguem curso de rios) e os de travessias (como é o caso do Aquático da Billings). As travessias em geral são mais viáveis, pois sua alternativa, normalmente, são caminhos/estradas bem mais longas – ou seja, eles cortam caminho”.

Frederico diz que os longitudinais, por terem alternativas concorrentes (geralmente rodovias/avenidas), nem sempre são viáveis. “Ou não o são em todas as circunstâncias. É o caso da navegação pelos Rios Tietê e Pinheiros (parte do Hidroanel): para mim só são viáveis para Cargas (pessoas não – pois as “linhas de desejo” lhe são ortogonais) e, bem assim, por razões para além da economia direta (emissões, redução de congestionamentos, etc)”, completa Bussinger.

Bussinger faz questão de ressaltar, entretanto, que essas travessias são parte do projeto do Hidroanel Metropolitano. “A conexão entre as represas e rios daria a São Paulo cerca de 170 a 190 km de águas navegáveis, que auxiliariam também no abastecimento dos municípios e controle de cheias”.

Apesar do avanço, ele lamenta uma grande dificuldade que se tem para a implementação do transporte hidroviário na Região Metropolitana de São Paulo: as visões pontuais, fragmentadas…  “agora é a travessia”, diz o consultor.

A meu ver é importante que se tenha a visão de conjunto, e que se saiba a casa que cada tijolinho está ou pode estar construindo”. E ilustra melhor sua noção de conjunto:

Antes tratou-se isoladamente do projeto imobiliário na região da Usina da Traição (entroncamento da Av. Marginal Pinheiros com a Av. Bandeirantes) Antes a eclusa da Penha (ora sendo concluída). Antes o aprofundamento das Calhas. Antes a eclusa do Cebolão …. e assim por diante”, conclui Bussinger.

AQUÁTICO

O “Aquático” será integrado aos demais sistemas de transportes. Para isso, terá atracadouros e terminais de ônibus para permitir a transferência dos usuários entre os modais.

A São Paulo Transporte S/A (SPTrans) estima que com a implantação do sistema de travessia da represa por barcos, reduzirá o tempo de deslocamento dos moradores entre as regiões da Estrada da Cocaia e o bairro de Pedreira, além de beneficiar também a região do Grajaú. A demanda prevista é de 10 mil passageiros por dia útil.

Vale lembrar que Ricardo Nunes, então vereador da capital em 2014, propôs um projeto que previa a incorporação do Sistema de Transporte Público Hidroviário de São Paulo (STPHSP) à rede de transporte coletivo.

Aprovada e depois promulgada no mês de junho daquele ano, a Lei 16.010/2014 determina integrar o transporte por rios e represas da cidade ao sistema de transporte por ônibus e trilhos, tudo pago com o Bilhete Único. Pela Lei, os portos estarão integrados ao sistema de ônibus, metrôs e trens.

Uma vez eleito, o falecido prefeito Bruno Covas incluiu em seu Plano de Metas, hoje aprovado pela Câmara, a implantação do Sistema de Transporte Público Hidroviário na represa Billings. A proposta inclui a construção de atracadouros integrados a terminais de ônibus para embarque e desembarque na rede de transporte público hidroviário.

 

O “Aquático” será integrado aos demais sistemas de transportes. Para isso, terá atracadouros e terminais de ônibus para permitir a transferência dos usuários entre os modais.

A São Paulo Transporte S/A (SPTrans) estima que com a implantação do “Aquático” reduzirá o tempo de deslocamento dos moradores entre as regiões da Estrada da Cocaia e o bairro de Pedreira, localizados próximos à represa, além de beneficiar também a região do Grajaú. A demanda prevista é de 10 mil passageiros por dia útil.

Vale lembrar que o prefeito Ricardo Nunes, então vereador da capital em 2014, propôs um projeto que previa a incorporação do Sistema de Transporte Público Hidroviário de São Paulo (STPHSP) à rede de transporte coletivo.

Aprovada e depois promulgada no mês de junho daquele ano, a Lei 16.010/2014 determina integrar o transporte por rios e represas da cidade ao sistema de transporte por ônibus e trilhos, tudo pago com o Bilhete Único. Pela Lei, os portos estarão integrados ao sistema de ônibus, metrôs e trens.

Uma vez eleito, o falecido prefeito Bruno Covas incluiu em seu Plano de Metas, hoje aprovado pela Câmara, a implantação do Sistema de Transporte Público Hidroviário na represa Billings. A proposta inclui a construção de atracadouros integrados a terminais de ônibus para embarque e desembarque na rede de transporte público hidroviário.

 


Modelo na utilização do transporte hidroviário, Londres possui alguns barcos com acesso à internet sem fio e lanchonetes. Apesar da importância histórica, hidrovias londrinas passaram por um processo de abandono e foram recuperadas apenas nos anos 1960.

 

 

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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