Estimativas de expansão de ônibus elétrico devem valorizar ações da WEG, dizem analistas
Publicado em: 12 de junho de 2023
Preço-alvo de R$ 39 para cada ação pode significar ganhos, mas é necessário cautela
ADAMO BAZANI
As estimativas de expansão da frota de ônibus elétricos no Brasil, em especial em São Paulo, devem ter impacto no mercado financeiro.
Analistas de diversos bancos apontaram a tendência de eletrificação de frota como possibilidade de ganhos para o valor dos papéis da WEG na B3, bolsa de valores de São Paulo.
A empresa integra a parceria de fabricantes que está produzindo a maior parte da frota até agora de 2,6 mil ônibus elétricos para a capital paulista prometidos pelo prefeito Ricardo Nunes para operar na cidade até o fim de 2024.
O Diário do Transporte esteve na fábrica da Eletra, em São Bernardo do Campo, que faz a eletrificação dos coletivos. A maior parte da produção da companhia é para a capital paulista. A WEG fornece os motores dos coletivos que estão sendo integrados.
Relembre:
O Infomoney mostrou que Bradesco BBI e BTG Pactual entendem que o mercado deve analisar a eletrificação como investimentos que podem dar retorno.
De acordo com o site especializado, de 15 corretoras que analisam a WEG, oito dão recomendação de compra de ações, seis têm recomendação neutra e uma recomenda a venda.
Entretanto, como tudo no mercado financeiro, a ordem é cautela.
Uma porque instabilidades políticas e econômicas nacionais e internacionais podem influenciar o mercado financeiro como um todo. Outro fato é que, apesar da parceria entre Eletra, Caio, WEG, Mercedes-Benz e Scania terem o maior nível de nacionalização de ônibus elétricos até então em produção no Brasil, a crise da falta de semicondutores para a indústria automotiva ainda preocupa e pode alterar cronogramas.
Além disso, a eletrificação de frota depende de políticas públicas e financiamentos internacionais, que ora resvalam em questões partidárias ou burocracias.
Por exemplo, como mostrou o Diário do Transporte, a COFIEX (Comissão de Financiamentos Externos, do Governo Federal) aprovou que a União dê garantia para que o projeto de eletrificação da frota de ônibus da cidade de São Paulo receba do BID e do BIRD US$ 500 milhões (US$ 496,6 milhões) em forma de financiamento. A contrapartida da prefeitura é de US$ 125 milhões.
Segundo a prefeitura, a aprovação pela COFIEX é um dos passos de diversos trâmites necessários para a liberação dos recursos.
A partir de agora, o caminho será:
– negociação das cláusulas contratuais;
– verificação de limites de endividamento e aprovação pela Secretaria do Tesouro Nacional;
– manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) por meio de parecer jurídico;
– aprovação da Presidência da República e encaminhamento ao Senado Federal;
– aprovação da operação de crédito externa pelo Senado Federal;
– publicação de concessão de garantia da União Federal;
– assinatura dos contratos de empréstimo, garantia e contragarantia perante BID, BIRD e União Federal.
Relembre:
Ou seja, o primeiro passo foi dado, mas o caminho é burocrático.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


