Dia do Ferroviário é comemorado neste domingo (30)
Publicado em: 30 de abril de 2023
Profissão começou no Brasil ainda no século XIX com antigas estradas de ferro e hoje possui função de extrema importância, especialmente no transporte de carga e passageiros nas grandes cidades
WILLIAN MOREIRA
Ser ferroviário é um motivo de alegria e orgulho, uma profissão que tem seu valor histórico, inclusive no desenvolvimento do Brasil, merecendo uma data no calendário, comemorada no dia 30 de abril.
O termo “ferroviário” não é destinado somente a quem conduz trens, é também denominado a quem trabalha na ferrovia de alguma forma, no setor de operações, manutenção, almoxarifado, sinalização, limpeza e entre vários outros, formando o sistema de engrenagens que faz um trem funcionar, já que sem essa rede de trabalhadores, onde cada um desempenha uma etapa no processo, tudo seria impossível de ser realizado.
No Século XIX, quando estradas de ferro surgiram, destaque para a São Paulo Railway, construída a partir de 1860, foi um marco importante na expansão ferroviária, fruto de uma ação do Barão de Mauá junto ao Governo Imperial da época, que ressaltou a importância de se construir uma ferrovia ligando Jundiaí, no interior do estado de São Paulo, ao Porto de Santos, no Litoral Sul, para escoamento da carga da produção de café.
Porém, ela não foi a primeira ferrovia do país, sendo essa a que ligava o Porto de Mauá, na Baía de Guanabara, até Raiz da Serra, que era em direção a Petrópolis, cidade serrana do Rio de Janeiro.
Seguindo dela, outras ferrovias surgiram, como a Sorocabana, Mogiana e ligações entre estados, mas com o foco principal de escoar a produção agrícola, um processo que durou até meados da década de 1930, antes do Governo Getúlio Vargas.
Após este período, devido a diferentes projetos de ferrovias, com bitolas, que são os tamanhos, diferentes e o avanço de rodovias, a malha ferroviária via ali seu ápice de crescimento, vindo gradualmente a encolher.
O maquinista, quem conduz o trem no começo ainda no surgimento das ferrovias e de sua expansão, controlava trens de locomotivas como marias fumaças, transportando pessoas e produtos, em um sistema organizado e que contava com outros profissionais atuando para permitir que um trem partisse do ponto A ao ponto B.
De maneira mais visual e manual, a comunicação era mais lenta e cautelosa, resultando em viagens mais longas quanto a sua duração, o que foi mudando com o tempo, especialmente após a Segunda Guerra Mundial e com o avanço tecnológico e incremento de sistemas novos.
Exemplo disso, são os trens elétricos, chamados de TUE (Trem de Unidade Elétrica), que substituíram a locomotiva e vieram para atuar no transporte de pessoas principalmente em trechos urbanos, como por exemplo São Paulo e Rio de Janeiro. Ainda sim, a ligação entre as duas Regiões Metropolitanas persistiu até os anos 90, sendo realizada por trem de passageiros puxado por locomotiva.
Introdução mais ampla do rádio, no mesmo período pós guerra, depois sinalização semafórica são pontos que resultaram em uma melhoria da operação e diminuição no tempo para percorrer distâncias.
Os trens também avançaram com o tempo e em São Paulo pode ser visto isto, nos últimos 15 anos os trens de aço, fabricados nos anos 80, foram dando espaço a trens mais tecnológicos, com câmeras, retrovisores, ar-condicionado e outros elementos de conforto ao passageiro, ainda sim, dependendo do maquinista para seguir de um lugar ao outro.
Mesmo com o uso de sistemas de controle de trens que limitam a velocidade, garantem distancias seguras entre os trens e evitam acidentes, a presença de um profissional com amplo conhecimento de ferrovia e experiência na condução destes trens se faz presente.
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) é um espelho disso, com uma frota nova de trens e com profissionais dedicados, atualmente atendendo moradores de 18 cidades com cinco linhas, tendo percorrido 65 mil quilômetros em seus 31 anos de história, o que significa uma volta e meia em torno da terra, em quase 1.700 viagens programadas.
Atualmente o país possui aproximadamente 30 mil quilômetros de trilhos de norte a sul e leste a oeste, mas ampla maioria com foco no transporte de carga, com as exceções sendo os trens de passageiros nas áreas urbanas de grandes cidades e as estradas de ferro Carajás e Vitória-Minas, mas além de São Paulo, temos trens de passageiros no Rio de Janeiro, com a SuperVia, no sul, com a Trensurb e em algumas localidades com a CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos).
O Diário do Transporte já retratou uma história da ferrovia em especial, a vila de Paranapiacaba, que foi um ponto chave do desenvolvimento ferroviário de São Paulo, contando com uma grande obra de engenharia e especialmente de Romão Justo Filho, ferroviário que, na década de 1950, deu seus primeiros passos no setor, iniciando com a tarefa de limpador de trens ainda com 13 anos.
Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2019/03/10/historia-paranapiacaba-e-um-modesto-heroi-da-ferrovia/
Willian Moreira, para o Diário do Transporte



Parabéns aos Ferroviários! Setor que deve ser casa dia mais valorizado pelos governantes!