SuperVia e governador do Rio de Janeiro não chegam a acordo e concessionária confirma desistência do negócio

Representante da Mitsui, controladora da concessionária, afirmou a Cláudio Castro que devolverá a concessão até o fim deste ano

ALEXANDRE PELEGI

A reunião entre o governador do Estado do Rio de Janeiro, Claudio Castro, e Masato Kaneko, da japonesa Mitsui, controladora da SuperVia, realizada na tarde desta quinta-feira, 27 de abril de 2023, não mudou a decisão da concessionária de desistir da concessão do sistema de trens metropolitanos.

Como mostrou o Diário do Transporte, em ofício encaminhado à Secretaria Estadual de Transportes, a Mitsui comunicou não ter mais interesse em operar na malha ferroviária.

No encontro com o governador, a Mitsui reafirmou sua impossibilidade de aportar mais recursos na operação, e anunciaram que encerrarão a operação do sistema até o fim deste ano.

Um dos principais motivos tem a ver com a não concordância por parte do Estado de aportar dinheiro para SuperVia como compensação das perdas sofridas durante a pandemia.

Como mostrou o Diário do Transporte, a SuperVia, assim como muitos sistemas de transporte de massa, foi muito afetada pela pandemia, o que a levou a uma situação crítica.

Transportando 600 passageiros por dia antes da pandemia, a SuperVia viu este número despencar para 350 mil.

O presidente da Gumi Urban Mobility, Kazuhisa Ota, principal acionista da empresa japonesa Mitsui, que controla a SuperVia desde 2019, afirmou em agosto de 2022, em depoimento aos deputados estaduais do Rio, que a empresa entraria em colapso.

Tivemos perda de receita por conta da pandemia e o sistema entrará em colapso em agosto de 22, ou seja, se não houver um aporte financeiro do Governo do Estado, já que fizemos um investimento de R$ 965 milhões desde 2019. Mas o sistema continua deficitário”.

A concessionária vem alegando continuadamente um forte desequilíbrio econômico-financeiro no contrato assinado com o Estado.

Com o contrato de concessão valendo até 2043, após aditivo em 2010, a SuperVia, em contrapartida, ficou obrigada a realizar vários investimentos, o que não ocorreu.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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