Tribunal de Contas do Município cria Grupo de Estudos para debater propostas da “Tarifa Zero” no transporte público da cidade de São Paulo
Publicado em: 5 de abril de 2023
Assunto foi lançado pelo prefeito Ricardo Nunes, que recentemente anunciou chamamento público para colher ideias e sugestões sobre o projeto
ALEXANDRE PELEGI
O controvertido tema da Tarifa Zero será destaque no TCM – Tribunal de Contas do Município de São Paulo.
O assunto foi lançado pelo prefeito Ricardo Nunes, que afirmou que a SPTrans avança nos estudos.
O TCM decidiu constituir um Grupo de Estudos para contribuir para a análise de propostas de alteração da tarifa do sistema de transporte coletivo da capital.
A solicitação para a criação desse grupo ocorreu em Sessão Ordinária do Tribunal, realizada em novembro de 2022, quando se discutiu a adoção da “Tarifa Zero” no sistema de transporte.
O Grupo de Estudos público será composto por seguintes servidores representantes da SCE, da SG e dos Gabinetes dos Senhores Conselheiros.
O sistema de ônibus em São Paulo custou, em 2022, R$ 10 bilhões e, a estimativa para este ano é ter custos de R$ 12 bilhões.
Diante desse montante, a prefeitura lançou a ideia de se discutir o subsídio a todo o sistema, o que poderia zerar o custo para o passageiro.
No último dia 17 de março, como noticiou o Diário do Transporte, a Setram – Secretaria Executiva de Transporte e Mobilidade Urbana e a SPTrans – São Paulo Transporte S/A, publicaram a abertura de “Chamamento Público” destinado a coletar colaborações quanto à implantação do “Projeto Tarifa Zero” no Sistema de Transporte Coletivo de ônibus da capital. (Relembre)
Para subsidiar as colaborações, a prefeitura abriu os dados do Sistema de Transporte Coletivo para consulta dos interessados. Tais dados estão disponíveis nos endereços eletrônicos https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/transportes/institucional/sptrans/acesso_a_informacao/index.php?p=295718 e http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/transportes/institucional/sptrans/acesso_a_informacao/index.php?p=158617.
Já a Câmara Municipal também vai se ocupar do Tarifa Zero. No dia 1º de março deste ano os vereadores criaram uma subcomissão, dentro da Comissão de Finanças e Orçamento, para estudar a possibilidade ou não de haver tarifa zero para todos nos ônibus da cidade. (Relembre)
TARIFA ZERO E AS PRINCIPAIS QUESTÕES:
Adamo Bazani
O assunto foi lançado pelo prefeito Ricardo Nunes, que diz que a SPTrans avança nos estudos. Mas ainda há uma série de dúvidas e entraves, como os custos da gratuidade total e as fontes de recursos. O sistema de ônibus em São Paulo custou, em 2022, R$ 10 bilhões e, a estimativa para este ano é ter custos de R$ 12 bilhões.
Ocorre que há a estimativa de estes custos aumentarem ainda mais com o “Tarifa Zero”, porque mais gente irá para os ônibus, o que exigirá ampliação da frota e da infraestrutura de terminais e corredores, insuficiente para os 13,2 mil coletivos atuais; imagina-se o que serão os custos para uma frota maior.
Além disso, pode haver uma migração de passageiros do metrô e dos trens para os ônibus se o sistema de trilhos não for também gratuito. Além disso, na conta dos R$ 12 bilhões não está prevista a inclusão dos ônibus elétricos. Cada veículo elétrico pode custar até R$ 3 milhões e ainda tem a infraestrutura de recarga de baterias e distribuição de energia. Para esta eletrificação, haverá uma fonte específica ou os investimentos iniciais que são altíssimos vão para a conta do sistema e serão assumidos pelo “Tarifa Zero”.
São dez principais dúvidas sobre o “tarifa zero”:
- Tarifa zero vai aumentar em quanto a demanda de passageiros dos ônibus?
- Vai ter de aumentar a frota em quanto?
- Este aumento de frota vai significar um custo total do sistema maior que os R$ 12 bilhões de hoje em quanto?
- Mas não é só a frota: a cidade está preparada para receber (de forma eficiente – destaca-se) mais ônibus? – Terá de reformular linhas? Os terminais e corredores de ônibus atuais são suficientes para uma frota maior?
- Vai ter migração de passageiros do metrô, trem e ônibus metropolitanos se estes não tiverem tarifa zero? Por exemplo, hoje, como Bilhete Único, o passageiro pode pegar o sistema de trilhos e ônibus de forma integrada. Se os ônibus forem de graça e o metrô/trem não, será que as pessoas não vão preferir usar mais linhas de ônibus, mesmo que demore mais, para não pagar o deslocamento.
- Antes de pensar em tarifa-zero, não seria melhor tornar o sistema de ônibus mais racional (não confundir com meros cortes de linhas) para não se subsidiar a ineficiência?
- O debate de tarifa zero não está sendo um “colocar a carroça antes dos bois”, deixando para trás questões mais urgentes, como reorganizar as linhas e os serviços, ampliar a tecnologia de gerenciamento e monitoramento e também aumentar a qualidade e dar mais infraestrutura para os ônibus que não fluem porque ficam presos no trânsito e possuem pouca prioridade no espaço urbano pela quantidade de frota e de pessoas atendidas (que vai aumentar com uma eventual tarifa zero)?
- São Paulo está trocando ônibus a diesel por ônibus elétricos que custam até três vezes mais e necessitam de uma infraestrutura de recarga e distribuição de energia que não existe na cidade. Até a consolidação de uma frota elétrica, isso vai representar um custo muito alto para o sistema vai demandar financiamento só para este fim. Quanto seria este custo e será um dinheiro só para financiar a aquisição, implantação de infraestrutura e operação dos ônibus elétricos?
- O custo dos terminais a mais necessários para uma demanda e frota maiores terão financiamento próprio ou entram na conta do tarifa-zero?
- Como será o controle de demanda? Haverá uma bilhetagem específica com cotas mensais (como é dos idosos entre 60 anos e 64 anos) para coibir fraudes e uso irresponsável do sistema de ônibus?
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


Faltou mais uma dúvida na lista:
11. Os nóias da cracolândia, os pedintes e o comércio ambulante irão incomodar os usuários durante as viagens? Sim ou com certeza?
Isso é um problema grave, mesmo. Quando houve as catracas liberadas no 2º turno da eleição passada, abriu brecha para moradores de ruas e pedintes entrarem nos onibus. Eu sei disso porque vi isso nos onibus em que eu embarquei. Se nao tiver alguma forma de segurança, essa proposta só vai se tornar um problema grave
A pergunta acima tem sua razão de ser: em Turim, a tarifa zero implicou aumento descontrolado da demanda e do vandalismo nos ônibus, ao ponto de ter que ser revertida.
A palavra “grátis” e suas variações como essa “custo zero” deveriam ser abolidas do dicionário porque não representa NADA. Tudo precisa ser pago e alguém VAI pagar. É a lei da troca equivalente. Até o próprio oxigênio tem um preço, pois destrói tudo que existe em volta, devagar, mas destrói. Inclusive à nós mesmos. Mas agradecemos por respirar