EXCLUSIVO/ENTREVISTA: Volvo confirma que vai apresentar ônibus elétrico para a capital paulista no segundo semestre de 2023
Publicado em: 16 de fevereiro de 2023
Revelação foi feita pelo novo diretor operações de ônibus na América Latina montadora, André Marques ao Diário do Transporte
Texto: Adamo Bazani
Reportagem: Luana Coutinho
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A Volvo vai testar um modelo de ônibus elétrico na capital paulista ainda no segundo semestre deste ano de 2023.
A revelação foi feita à repórter Luana Coutinho, do Diário do Transporte, na manhã desta quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023, pelo novo diretor operações de ônibus na América Latina montadora, André Marques.
Segundo o executivo, na entrevista, já estão ocorrendo os diálogos com empresas de ônibus da cidade de São Paulo, inicialmente pelas companhias que já possuem veículos urbanos da marca.
As equipes técnicas, comerciais e de concessionários estão em treinamento desde agosto de 2022 e André Marques confirmou que uma das unidades em produção já segue os padrões determinados para a cidade de São Paulo.
O modelo de chassi será o BZL, chassis elétricos para veículos de até 13,2 metros de comprimento. Uma unidade conceito foi apresentada na Lat.Bus, evento de mercado de ônibus, no ano passado, que ocorreu na capital paulista.
A estimativa é que em agosto o ônibus esteja já disponível para a capital paulista rodando em demonstração.
Ainda no primeiro semestre, a partir do Brasil, serão exportadas unidades para os sistemas de ônibus de Santiago, no Chile, e Bogotá, na Colômbia.
Como mostrou o Diário do Transporte, desde 17 de outubro de 2022, não é mais permitida a compra de ônibus movidos a diesel para as linhas municipais da capital paulista, com exceção dos modelos de ônibus mídis (micrões) ou micro-ônibus, que não possuem modelos elétricos ou de outra tecnologia menos poluente em disponibilidade em escala maior no mercado.
A SPTrans informou ao Diário do Transporte que as empresas de ônibus que atendem a cidade de São Paulo já encomendam 1109 coletivos elétricos a bateria, de diversas marcas.
O número é inferior à meta de 2,6 mil ônibus elétricos operando até o fim de 2024 como meta anunciada pela prefeitura, mas novas unidades ainda podem ser encomendadas.
Relembre:
Atualmente, já foram vendidos para o mercado de São Paulo ônibus elétricos com tecnologias desenvolvidas pela Mercedes-Benz, Eletra e BYD.
A Volvo possui no Brasil algumas unidades de um modelo híbrido, como um que opera pela Suzantur, em Santo André, no ABC Paulista, além de uma frota em Curitiba.
Diário do Transporte: Eu queria saber de você a perspectiva da chegada dos ônibus elétricos chegando aqui à São Paulo. A gente falou que já têm algumas operadoras assinando com empresas concorrentes da Volvo. Tem alguma perspectiva de quando a Volvo vai começar a oferecer esses equipamentos, uma perspectiva de quantidade? E você comentou, também, de alguns ônibus que vocês estão apresentando para alguns clientes, fazendo treinamento ainda. Tem, então, um modelo pronto de ônibus elétrico?
André Marques: A questão de capacitação ela vem acontecendo desde a LatBus, quando nós trouxemos o primeiro chassi, esse chassi já foi utilizado. No nosso caso, a capacitação pode ser feita sobre o chassi, não necessariamente veículo encarroçado. Então, todo esse processo de treinamento da nossa equipe, seja equipe comercial, seja equipe técnica, equipe dos concessionários, vem acontecendo desde, mais ou menos, agosto do ano passado, julho e agosto do ano passado, quando nós já recebemos o veículo aqui, pela primeira vez. Esse é o primeiro veículo, já tá sendo encarroçado pra Santiago (Chile). Então, efetivamente, essa etapa ela vem acontecendo desde algum tempo.
Agora, em relação a segunda parte da sua pergunta, em relação à São Paulo: uma das unidaes que nós vamos produzir é dedicada para a demonstração aqui em São Paulo. Nós temos alguns operadores que, tradicionalmente, tem comprado a marca e é com esses que nós queremos trabalhar de maneira próxima. No entanto, a gente sabe do movimento que já existe de alguns operadores que já assinaram ou se comprometeram com a colocação de frota elétrica, sabendo, também, que nem tudo está assinado. Então nossa busca é parte desse volume e poder capturar já este ano.
DDT: A gente ainda não consegue falar de quantidade, por exemplo? Quantos ônibus podem ser fornecidos?
AM: Aí, realmente, é o que eu comentei, nós temos que entender o grau de compromisso desses que já foram assinados e trabalhar, mas tudo isso, sempre no marco do desempenho do nosso veículo. Nós acreditamos muito na nossa solução e o que nós queremos é que os operadores conheçam e também tenham essa percepção positiva, para tomar uma decisão, realmente, de seguir adiante conosco.
DDT: E o modelo que vocês querem colocar para rodar aqui em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Curitiba, é o mesmo modelo, então, de Santiago (Chile)?
AM: Obviamente, as configurações de veículo mudam, toda questão de carroceria muda, a base é a mesma. A base é o BZL, que é o chassi que nós temos hoje disponível para o mercado. Então, realmente, a base estrutural, componentes é a mesma, o que vai mudar é a carroceria, quem é o encarroçador preferido de determinado operador e nós estamos prontos para trabalhar com todos eles.
DDT: Quando que a gente vai ter os veículos sendo testados aqui? Já tem uma data?
AM: A partir do segundo semestre. Julho, agosto nós teremos esses veículos prontos. Os primeiros, na verdade, em Bogotá (Colômbia), em Santiago a gente deve ter já no final do primeiro semestre, mais ou menos maio ou junho.
Os veículos BZL, novo chassi elétrico da Volvo, já estão em produção, na Suécia, desde 2022
O modelo roda na Europa e a base dos componentes técnicos é a mesma utilizada nos veículos completos vendidos na Europa desde 2015
A princípio, o Brasil vai receber dois veículos, ainda em produção de chassi. A previsão é que no segundo trimestre o primeiro veículo chegue ao país para ser encarroçado. De acordo com André Marques, aqui no Brasil os ônibus serão encarroçados pelas principais empresas urbanas, Caio e Marcopolo, cada uma responsável por um veículo.
Dois veículos já estão na América Latina, para encarroçamento local, um deles no Chile e outro em Bogotá, na Colômbia.
De acordo com Marques, a Volvo acredita que o movimento urbano segue para a eletrificação, por isso, a decisão de investimento nessa área. Em 2025, os produtos do segmento urbano estarão disponíveis, já o segmento rodoviário deve demorar ainda um pouco mais.
Descrição do veículo: BZL, de piso baixo, podendo funcionar com um ou dois motores elétricos de 200 Kws, aproximadamente 270 cavalos, em cada motor. Transmissão de duas velocidades, para aproveitar os dois momentos do motor elétrico. Flexibilidade para acoplar de três a cinco baterias, dependo da operação, gerando rendimento de até 300 quilômetros de autonomia, em operações urbanas típicas. O veículo pode ser recarregado durante a noite, no pátio, ou por meio de pantógrafo. O tempo médio para completar a carga, dependendo da potência do carregador, é de três a quatro horas.
Em São Paulo, a tendência é que seja usado o veículo com um motor, mas regiões com mais relevo ou com ruas mais acidentadas, devem receber ônibus mais potentes, com dois motores.
A configuração será padron, com 12,5 metros ou 13,2 metros, com piso rebaixado.
São Paulo e Curitiba serão as primeiras cidades a receber os novos modelos, por já existir um movimento definido com os gestores e testes programados. O Rio de Janeiro vem na sequência.
A partir do segundo semestre, a expectativa é que os veículos venham da Suécia, mas ainda não há uma quantidade definida.
O investimento em eletrificação é de 1,5 bilhão, até 2025, para ônibus e caminhões, que tem muitos componentes compartilhados. Esse número é consolidado para a América Latina.
O modelo de ônibus elétrico foi testado em 2022, em Santiago, com os mesmos componentes usados no veículo que deve operar no Brasil, mudando o encarroçamento, que seria local.
Adamo Bazani e Luana Coutinho, jornalistas especializados em transportes


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