Comissão da Câmara Municipal de São Paulo fará audiência para discutir se seria possível tarifa zero nos ônibus da capital paulista

Ônibu a diesel 0 km continuam chegando nas viações

Diretor-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, foi convidado

ADAMO BAZANI

A Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente da Câmara Municipal de São Paulo realiza uma audiência pública para debater se é possível ou não implantar tarifa zero para todos os passageiros nos ônibus da capital paulista.

O encontro será realizado na quarta-feira, 14 de dezembro de 2022, a partir de 11h, no Salão Nobre da Câmara com transmissão em redes sociais da casa.

O diretor-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, foi convidado

E OS PROBLEMAS MAIS CONCRETOS DOS TRANSPORTES DE SÃO PAULO?

Ainda há dúvidas se é intuito mesmo do prefeito Ricardo Nunes é debater a gratuidade irrestrita para os mais de sete milhões de passageiros por dia nos mais de 13 mil ônibus da cidade ou se a proposta foi lançada como uma cortina de fumaça para desviar do foco problemas relacionados a área de transportes na capital paulista, como:

– As indefinições geradas pela circular emitida pela SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de ônibus, que proibiu repentinamente o acréscimo de ônibus 0 km a diesel mesmo sem haver uma lei ou uma previsão nos contratos desta proibição. Os contratos com as empresas de ônibus e a Lei de Mudanças Climáticas estipulam reduções de poluição, mas não proíbem nenhum tipo de modelo de ônibus. Há mais de 400 ônibus a diesel 0 km de que já foram comprados;

–  O atraso na reorganização das linhas, que depois da pandemia foi prometida para começar em setembro de 2022, e que poderia reduzir os custos do sistema de transportes;

– Ainda não foi implantado integralmente o SMGO, que é o novo sistema que monitora os ônibus e ajuda a melhorar o planejamento das linhas;

– Muitas empresas de ônibus que surgiram de cooperativas estão na mira da Polícia Civil que diz ter elementos que comprovem a forte atuação da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em diversas viações que tiveram origem em cooperativas. Vários homicídios e lavagem de dinheiro do tráfico de drogas teriam relação com estas empresas e seus diretores

Nunes diz que o intuito é tornar o transporte mais acessível e estimular o uso do transporte público, fomentando, inclusive, a economia local. Um novo estudo foi encomendado e deve ser entregue até fevereiro de 2023.

A tarifa zero parece estar ainda bem longe da realidade dos transportes paulistanos.

A discussão mesmo é como manter o atual sistema de ônibus na capital paulista.

E nesse quesito, a SPTrans (São Paulo Transporte) e o Executivo Municipal trabalham com números bem diferentes para subsidiar a operação das cerca de 1,3 mil linhas municipais atendidas por 13 mil ônibus que transportam diariamente sete milhões de usuário, em média, considerando ida e volta.

Enquanto a gestão Ricardo Nunes propõe para o Orçamento de 2023, R$ 3,7 bilhões de subsídios às operações de ônibus, a SPTrans, gerenciadora dos transportes municipais, pede R$ 7,4 bilhões.

Os valores foram apresentados em 16 de novembro de 2022, pelo diretor de Administração de Infraestrutura da SPTrans (São Paulo Transporte S/A), Anderson Clayton Maia, em audiência pública sobre o Orçamento na Câmara Municipal de São Paulo.

“Encaminhamos a proposta de R$ 7,4 bilhões para o próximo ano e a Prefeitura propõe R$ 3,7 bilhões. Assim, teremos a necessidade de suplementação no valor de R$ 3,7 bilhões para 2023”, disse o técnico.

Segundo Anderson Clayton Maia, todo o sistema de ônibus em São Paulo no ano que vem vai custar R$ 12 bilhões. Deste total, cerca de R$ 5 bilhões devem ser arrecadados pelas catracas e seriam necessários em torno de R$ 7 bilhões para cobrir tudo.

O valor é maior que os R$ 10 bilhões anunciados pelo prefeito Ricardo Nunes.

Ainda de acordo com o técnico, neste ano de 2022, o sistema consumiu R$ 4,6 bilhões de subsídios até o início de novembro

SPTRANS DIZ QUE SÃO PROJEÇÕES:

Em nota, a SPTrans informou ao Diário do Transporte que os valores apresentados são projeções de custos e subsídios e negou que haja divergência entre o valor de R$ 7,4 bilhões apresentado e os R$ 3,4 bilhões que estão na proposta de Orçamento pela prefeitura.

A SPTrans esclarece que durante audiência pública do orçamento realizada nesta quarta-feira (16/11), técnicos apresentaram projeções de custos e subsídios ao sistema de transporte público municipal. Não há qualquer divergência. Tampouco o técnico falou sobre tarifa zero. Em nenhum momento este tema foi objeto de sua fala durante toda a audiência. Em relação à possibilidade de tarifa zero trata-se de estudo solicitado pela Prefeitura, como já explicado anteriormente.

Relembre toda a matéria, inclusive com o áudio do técnico da SPTrans neste link:

https://diariodotransporte.com.br/2022/11/16/ouca-tarifa-zero-nada-sistema-de-onibus-de-sao-paulo-vai-custar-r-12-bilhoes-em-2023-sptrans-pede-r-74-bilhoes-e-prefeitura-propoe-r-37-bilhoes-para-subsidios/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. José disse:

    A Tarifa Zero seria ótima! Porém… o que fazer com os usuários de drogas ilícitas??! Os arruaceiros… E outras figuras indesejáveis nos Transportes Públicos…
    E os Cobradores dos Ônibus das Empresas TRADICIONAIS? COMO FICARÃO?
    É COMPLICADO… !

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