Parceria entre Transdata e SIGO criou uma espécie de “carteira virtual, que dispensa a necessidade de o usuário ter diversos cartões de transportes para se deslocar; Santo André está instalando sistema
ALEXANDRE PELEGI/ADAMO BAZANI
Uma tecnologia promete eliminar a necessidade de o passageiro ter um monte de cartões de transportes para se deslocar.
Criado em parceria pelas empresas SIGO e Transdata, o sistema permite o pagamento da tarifa por meio de celular, independentemente de o usuário ter o aplicativo ou bilhete de determinada cidade.
O celular se torna uma espécie de “carteira virtual”.
Se o sistema de transporte já tiver aderido a esta tecnologia, basta o passageiro abrir um único aplicativo, encostar no validador da catraca do ônibus, estação ou terminal e pagar a tarifa.
Além de ser mais prática para o passageiro que numa mesma viagem precisaria usar dois ou três cartões, esta tecnologia pode ajudar quem, por exemplo, está de passagem em uma determinada cidade, vai ficar um dia só e terá de se deslocar de transporte público, que é o chamado usuário eventual. Esse usuário hoje em dia é obrigado a “adivinhar” onde vende o cartão de transporte porque nem todos os ônibus estão aceitando dinheiro.
A tecnologia está sendo instalada nos ônibus da cidade de Santo André, no ABC Paulista, onde será possível pagar a passagem com PIX, cartões de crédito e débito, e com esta “carteira virtual”, como noticiou o Diário do Transporte.
Relembre
O diretor de negócios da SIGO, parceira da Transdata, Janser Prioli, disse ao Diário do Transporte, que além de trazer vantagens para o passageiro, esta tecnologia também é vantajosa para o empresário de ônibus, já que o dinheiro cai direto na conta do operador.
“Isso tudo a custo zero, como se fosse um PIX que você recebe em sua conta”, explica o executivo.
“Isso reduz custos. Hoje muitos sistemas dependem de uma rede de recarga, de locais de validação, de terminais, etc, e tudo isso tem um custo, obviamente. Só que além do custo que tudo isso traz embutido, há o tempo de repasse do crédito pago pelo cliente para o caixa da empresa de transporte, hoje estimado de cinco a sete dias”, ressalta Janser Prioli.
Dessa forma, o empresário passa a ter várias entradas de créditos ao longo do dia, correspondentes aos créditos feitos a cada girada da catraca. E isso, claro, bate com o relatório da bilhetagem do dia.
O diretor de produtos da Transdata, Rafael Teles, explicou a motivação principal da parceria:
“A gente percebeu que a maioria dos bancos e fintechs só se interessa em captar o cliente do transporte, mas o ecossistema de transporte coletivo é muito maior e tem outras necessidades que também precisam ser atendidas. A parceria com a Sigo nasceu desse entendimento, de que é preciso oferecer soluções completas em meios de pagamento, não apenas no ambiente embarcado, mas também nas operações de recarga, rede de vendas e até na prestação de contas nas garagens“, ressalta Teles.
O profissional explica que a nova plataforma de ITS da Transdata, Atlas, foi pensada para facilitar a integração de novos parceiros financeiros para os sistemas de transporte. “Hoje, além da Sigo, estamos integrados com a Cielo e o BRB, Banco Regional de Brasília. Ou seja, estamos abertos a parceiros que entendam a necessidade do passageiro e do operador de transporte coletivo, a Sigo é um exemplo disso, mas há espaço para mais”.
O diretor da Transdata encerra dizendo que “é preciso pensar além da bilhetagem que já temos, para além do próprio conceito e modelo de negócios dos sistemas de transporte coletivo que temos. É um chavão, mas nunca fez tanto sentido falar em reinvenção”.
Alexandre Pelegi e Adamo Bazani, jornalistas especializados em transportes
