Dia do Motorista: profissionais do BRT Sorocaba relatam seu dia a dia

Camila Botelho conta que se sente realizada como motorista do BRT Sorocaba

Profissionais contam como a rotina acaba construindo familiaridade com os passageiros

ALEXANDRE PELEGI

A concessionária BRT Sorocaba decidiu como forma de lembrar o “Dia do Motorista”, comemorado nesta segunda-feira, 25 de julho de 2022, destacar histórias daqueles que fazem o serviço operar o ano inteiro.

Responsáveis por conduzir os ônibus de forma segura e fazer com que os passageiros cheguem ao seu destino com tranquilidade, a rotina de trajeto e horários acaba construindo familiaridade dos motoristas com os passageiros. Com o tempo, uma relação amistosa e ainda mais cordial vai sendo fortalecida.

Os motoristas do BRT são profissionais que um dia sonharam com a profissão e hoje se tornaram inspiração para outras pessoas.

A Concessionária destaca dois profissionais para mostrar o que rola na relação com os passageiros: Geraldo Junior e Camila Botelho. Os dois participaram do Projeto Escalada, iniciativa de desenvolvimento profissional do BRT que forma motoristas.

Geraldo Salles Junior, motorista BRT Sorocaba

O motorista Geraldo Salles Junior, 33 anos, relata que devido a dinâmica da própria função é inevitável não criar uma rotina com os passageiros. Ele destaca que existem muitas situações legais que a profissão proporciona e uma delas é a amizade com os usuários. Todos os dias convivendo com as mesmas pessoas vai estimulando um contato maior. Segundo ele, já chegou convites de aniversário, churrasco e casamento. Isso mesmo, casamento. Um casal de noivos que pegava o ônibus todos os dias tornaram-se amigos do Geraldo e um dia embarcaram no ônibus com um convite. Ele foi ao casamento, se divertiu e até hoje a amizade continua.

Já Camila Botelho, 40 anos e motorista, diz que muitas histórias tocam o coração. Ela conta que tem um passageiro com limitação visual que embarca no ônibus que dirige todos os dias à noite. Ele entra, a cumprimenta, fica todo trajeto e desce no ponto final. Devido a limitação visual e o adiantar da hora, Camila para o ônibus na frente do prédio dele para que possa desembarcar com segurança. Realizando essa ação, fez surgir um laço de muito respeito e afeto ao passageiro fiel que sempre está na linha.

“Me formei no magistério (Pedagogia), mas eu queria dirigir e tinha o sonho de me tornar motorista. Estou na profissão há 4 anos e para chegar até aqui passei por vários cargos dentro da empresa. Uma curiosidade é que quando mudava de função sentia medo, mas a líder de recursos humanos sempre me incentivava e estimulava para que eu passasse para um próximo nível até que eu alcançasse o meu sonho. Hoje, sou realizada como motorista e gosto muito do contato com o público”, relata Camila .

O pessoal vê a gente passando, mas não sabe o horário que chegamos e que dormimos. Durmo às 20h, acordo todos os dias às 2h30 da manhã, por que as 4h já temos que estar na garagem e logo mais saindo para rodar. Essa é a minha rotina. São 8 anos na profissão de motorista e me sinto muito feliz por isso. Eu gosto do meu trabalho bem feito, ser elogiado pelos passageiros, estar no horário. Ter o reconhecimento do passageiro é muito bom. Para mim, transportar pessoas é uma missão. Ser motorista é conduzir vidas”, conta Geraldo.

A Concessionária BRT Sorocaba colheu também o depoimento do motorista Fabrício Rodrigues, 45 anos, que conta que sua relação com o transporte vem desde a infância.

Fabrício Rodrigues, motorista BRT Sorocaba

Ainda menino brincava de ser motorista. Pegava uma cadeira, um rodo e um chinelo e simulava que estava dirigindo. Para ser ainda mais real, chamava meus irmãos, primos e amigos para sentarem logo atrás e fingirem que eram os passageiros. No passado, era apenas uma brincadeira de criança, hoje, é uma realidade que me traz alegrias. Já são 22 anos na profissão de motorista. Sou muito feliz. Falar um “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite” e ter a recíproca dos passageiros é muito bom. Pegamos um vínculo com os passageiros, passamos todos os dias no mesmo horário e vamos interagindo com as pessoas. As vezes passa outro ônibus, mas eles não vão. Ficam esperando a gente”, relata Fabrício.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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