Fracassa leilão para “naming rights” da estação Clínicas do Metrô; certame é relançado

Oferta final de R$ 70 mil de remuneração mensal foi recusada pela companhia; processo autoriza empresas e marcas a darem seus nomes às estações

ALEXANDRE PELEGI

Fracassou a primeira tentativa da Companhia do Metrô de São Paulo de leiloar o direito de uso da marca da Estação Clínicas da Linha 2-Verde, ou “naming rights”.

A seção para apresentação de documentos e propostas foi realizada nessa quinta-feira, 07 de julho de 2022.

Com o insucesso da primeira tentativa, o Metrô republicou neste sábado (09) o aviso de licitação para a concessão onerosa do direito de nomeação parcial da Estação.

A nova data está marcada para o próximo dia 17 de agosto.

A Estação Clínicas está interligada ao complexo hospitalar fundado em 1944, considerado um dos mais importantes polos brasileiros de disseminação de informações técnico-científicas, centro de excelência e referência no ensino, pesquisa e assistência.

ATA

Três empresas apresentaram propostas nessa quinta (07), com o maior valor inicial chegando a R$ 40 mil. As outras duas propostas foram de valores bem abaixo: R$ 5 mil e R$ 7.890.

Na etapa de lances, a DSM – Digital Sports Multimida, dona da maior proposta, chegou à oferta final de R$ 70 mil, o que não foi aceito pela companhia. Veja o trecho da Ata dessa quinta-feira (07):

HISTÓRICO

Recentemente a Companhia do Metrô colocou em licitação, juntamente com Clínicas, o naming rights da estação Consolação, ambas da Linha 2-Verde. O certame relativo à Consolação será realizado no dia 02 de agosto próximo.

Outras licitações ainda em aberto referem-se às estações Brigadeiro, da Linha 2-Verde, e Santana, da Linha 1-Azul. As seções para apresentação de documentos e propostas para as duas estações estão marcadas para dias diferentes. A estação Santana será no dia 08 de agosto, e a Brigadeiro no dia 15 de agosto.

Mais cedo neste ano, o Metrô tornou a licitar o naming rights da estação Penha, Linha 3-Vermelha. Diferentemente da licitação anterior, em que não houve sucesso, a empresa DSM – Digital Sports Multimidia foi declarada vencedora do certame, após acordo de pagamento de R$ 105 mil pela remuneração mensal. O resultado foi publicado pela Companhia do Metrô no dia 26 de maio de 2022.

A Estação Penha teve o nome vinculado à rede de lojas Besni, mudança prevista para entrar em vigor nessa quinta-feira, 30 de junho de 2022.

O processo de concessão de naming rights começou em maio de 2021, por seis estações da companhia, dentre elas a estação Consolação. Estavam ainda Saúde, da Linha-1 Azul; Brigadeiro, da Linha 2-Verde; e Penha, Carrão e Anhangabaú, da Linha 3-Vermelha. Relembre: Metrô abre licitação para concessão de naming rights para estações Saúde, Penha, Carrão, Anhangabaú, Brigadeiro e Consolação

Até o momento, no entanto, apenas três estações tiveram seus nomes concedidos à exploração de marcas da iniciativa privada: Carrão, que assumiu o nome da rede atacadista Assaí, Saúde, pela rede de farmácias Ultrafarma; e agora, estação Penha.

Os contratos assinados têm os valores mensais de R$ 168 mil (Carrão), R$ 71,9 mil (Saúde) e R$ 105 mil (Penha) como pagamento pelo uso da marca.

Na época do lançamento, o Metrô divulgou que para adotar essa iniciativa encomendara um estudo de viabilidade que mostrava o potencial da marca da Companhia e de suas estações, por onde chegam a passar 4 milhões de pessoas diariamente (fora da pandemia).

A premissa do projeto era a manutenção do nome da estação, agregando o nome da marca ou produto como um sobrenome, sem comprometer a identificação do serviço.

O Metrô se espelha em mais de 10 sistemas de metrô na América do Norte, Europa e Ásia onde já é feita a utilização dos chamados “naming rights”.

“No Metrô essa modalidade de negócio vai diversificar ainda mais as receitas não-tarifárias, que compreendem a exploração comercial e publicitária das estações, além da locação de imóveis e áreas, como em shoppings anexos às estações. No último ano essas receitas atingiram a 20% de toda arrecadação da Companhia”, informava comunicado da Companhia do Metrô em maio de 2021.


Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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