OUÇA: Ricardo Teixeira voltará a ser secretário de mobilidade e trânsito de São Paulo em 15 dias, diz Ricardo Nunes

Exoneração foi publicada neste sábado (02); político volta a ser vereador rapidamente em recesso na Câmara

ADAMO BAZANI

OUÇA:

O atual vereador de novo e ex-secretário de Mobilidade e Trânsito, Ricardo Teixeira, vai voltar a ser secretário de novo daqui a duas semanas.  A frase parece confusa, mas é isso mesmo.

A informação é do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira, 04 de julho de 2022, durante um evento.

Como mostrou o Diário do Transporte em primeira mão, Teixeira foi exonerado por Nunes que atendeu ao pedido do político do partido União Brasil.

O desligamento foi publicado em Diário Oficial neste sábado (02).

De acordo com o prefeito, seu ex/futuro secretário vai apresentar projetos na Câmara, mesmo sendo recesso parlamentar.

“Ele [Ricardo Teixeira] saiu só durante duas semanas, ele vai apresentar alguns projetos, foi vereador. Ele retorna à Câmara, apresenta os projetos nesse período de recesso. Quem está no lugar dele é uma pessoa da própria secretaria que está interinamente. Daqui 15 dias, Ricardo Teixeira retorna normalmente. Eu que deveria ter comunicado à imprensa antes, não saberia que teria essa repercussão” – disse o prefeito.

Um dos repórteres perguntou se a saída teria alguma relação com problemas nas áreas de transporte e trânsito na cidade, como as greves de ônibus recentes, mas Nunes disse que é porque os projetos são importantes para o mandato do ex/futuro secretário.

“Não teve nada a ver. Foi só um pedido dele para poder ir à Câmara apresentar alguns projetos que são importantes para o mandato dele. Em duas semanas, ele retorna” – completou o prefeito.

Diário do Transporte apurou que este vai e vem tem, entre os motivos, relação com a vaga para suplemente que tinha sido ocupada pelo Missionário José Olímpio (PL).

Além da movimentação na Câmara, a filha de Teixeira poderá se candidatar a uma vaga de deputado nas próximas eleições e o pai deve atuar na campanha. Já existem ações de propaganda discreta a este respeito unindo pai e filha.

Ocorreu uma reformulação na Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes que passou a se chamar Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito – SMT. Na esteira desta criação em agosto de 2021, Teixeira foi escolhido para chefiar a pasta.

Também foi criada a SETRAM (Secretaria Executiva de Transporte e Mobilidade Urbana), ligada diretamente à SMT.

Na época, o titular da SETRAM foi Levi Oliveira, até então, secretário de Mobilidade e Transportes.

Hoje está à frente da SETRAM, Gilmar Pereira Miranda, nomeado secretário em fevereiro de 2022, quando, até então, era procurador do município.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/02/16/gilmar-pereira-miranda-e-o-novo-secretario-de-transporte-e-mobilidade-urbana-da-cidade-de-sao-paulo/

Se antes sob uma só secretaria (Mobilidade e Transportes), órgãos cruciais para a vida e deslocamento do cidadão na prática já não se conversavam muito, com a criação de duas secretarias, houve uma divisão a quem tais autarquias têm de responder.

Por exemplo, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) está sob o guarda-chuva da Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito – SMT e a SPTrans (São Paulo Transporte), que cuida dos ônibus da cidade, responde à SETRAM.

Mesmo com o discurso que de a SMT está em todo o comando e que há a integração de informações entre CET e SPTrans, na prática, ainda quem opera transportes e trânsito têm reclamado muito.

Ações da CET interferem nos trajetos dos ônibus e medidas da SPTrans podem afetar o trânsito. Mas muitas vezes, uma é pega de surpresa, pela outra principalmente em situações que precisam de ações rápidas.

Operadores, em especial do transporte público, dizem que a “sinergia” ideal entre trânsito e transportes ainda é bem distante da realidade.

Um dos assuntos relacionados a transportes que mais têm mais circulado nos bastidores da Câmara Municipal atualmente é sobre a suposta ligação de empresas de ônibus que surgiram de cooperativas com o crime organizado, inclusive com a possível participação de vereadores nestas companhias.

Um deles teve o nome citado pela Polícia Civil, o vereador Senival Moura (PT), apontado como integrante de um suposto esquema de assassinato e lavagem de dinheiro de uma facção criminosa envolvendo a empresa TransUnião, que opera linhas locais na zona Leste de São Paulo. Senival Moura nega

Os indícios de ligações entre vereadores e este sistema de transportes que surgiu de cooperativas não são novos e as investigações avançam sobre mais empresas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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