Estudo detalha impacto do aumento do diesel no transporte público da Grande Goiânia

Conclusão é de que o impacto na tarifa técnica da RMTC seria de 10,13%. Foto: Divulgação.

Segundo o Mova-se Fórum de Mobilidade, sistema está perdendo capacidade de investimentos

JESSICA MARQUES

Um estudo divulgado pelo Mova-se Fórum de Mobilidade detalha o impacto do aumento do diesel no transporte público da Grande Goiânia, a RMTC (Rede Metropolitana de Transporte Coletivo de Goiânia).

Para o fórum, o preço do combustível demonstra que a atual política de preços da Petrobrás faz com que o sistema de transporte público perca sua capacidade de investimentos.

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No cálculo da tarifa de técnica de R$ 7,2670, a AGR (Agência Goiana de Regulação) utilizou como dado para o combustível o valor de R$ 4,139.

Segundo a fórmula que está nos contratos de concessão, o peso relativo do diesel na tarifa é de 35%.

Assim, sabendo que o acumulado do ano a alta do diesel variou em média 28,93%.

Considerando estes cálculos divulgados pelo fórum, a conclusão é de que o impacto na tarifa técnica da RMTC seria de 10,13%.

“Ressaltando que o reajuste da tarifa é anual e tem como base os valores levantados em dezembro. Portanto caso a Petrobrás não altere a sua política de preços o impacto será maior no momento do cálculo”, detalha o estudo.

“Este aumento do diesel gera um aumento mensal nos custos de produção do serviço na casa dos 2 milhões de reais ou seja R$ 24 milhões por anos – valor suficiente com comprar 48 ônibus convencionais ou 12 ônibus articulados a diesel ou até 6 ônibus articulados elétricos”, ressalta também.

INVESTIMENTOS

Para o coordenador técnico do Mova-se, o mestre em transporte Miguel Angelo Pricinote, a situação demonstra que a atual política de preços da Petrobrás faz com que o sistema de transporte público perca sua capacidade de investimentos.

Pricinote cita que, “que caso fosse repassado para o usuário este aumento a tarifa subiria para R$ 5 ou para manter congelada o valor o poder público iria ter que subvencionar este valor, passando a tarifa base contratual dos atuais R$ 7,26 para R$ 8”.

Sobre este cenário, a NTU (Associação Nacional da Empresas do Transporte Urbano) reiterou no mês passado o alerta sobre os riscos de faltar ônibus para circular fora dos horários de pico, caso os sucessivos aumentos de custos não sejam compensados de alguma forma.

“Temos cidades que já fizeram seus reajustes tarifários anuais e outras que adotaram subsídios emergenciais ou permanentes, a situação varia. Mas a grande maioria dos operadores não têm fôlego financeiro para enfrentar mais esse reajuste e terão que suspender o serviço fora dos horários de pico”, afirmou o presidente da NTU, Francisco Christovam, em nota.

Entretanto, para Pricinote, a Região Metropolitana de Goiânia não corre este risco de redução da frota, uma vez que no final de 2021 uma ação conjunto entre o governo do estado de Goiás e a prefeitura de Goiânia alteraram o modelo de remuneração dos serviços fazendo com que o mesmo ficasse equilibrado e sem pesar no bolso dos usuários do serviço.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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