Suspensa greve de ônibus em São Paulo; Normalização é sempre gradativa

Após reunião com intermediação da prefeitura, empresas e trabalhadores chegaram a um acordo

ADAMO BAZANI

Foi suspensa greve de ônibus na cidade de São Paulo nesta terça-feira, 14 de junho de 2022.

Os trabalhadores cruzaram os braços à zero hora com uma série de reivindicações

Houve um acordo quando ao pagamento do aumento de 12,47% retroativos a maio.

A suspensão é por cinco dias para discussão de outras cláusulas

O sindicato patronal aceitou a reivindicação dos motoristas e cobradores e ônibus para o pagamento do aumento de 12,47% nos salários seja retroativo a maio. Os ônibus devem voltar a circular nas ruas e avenidas de São Paulo ainda no fim da tarde desta terça-feira. – diz o SPUrbanuss, sindicato das empresas, em nota.

Não operaram na cidade 6,5 mil ônibus de 713 linhas, que transportariam 1,5 milhão de passageiros no pico da manhã. Estes veículos são dos subsistemas estrutural e de articulação regional, pertencentes e operados pelas chamadas empresas tradicionais, cujos funcionários são filiados ao Sindimotoristas. Estes ônibus são os de maior porte e ligam centralidades regionais ao centra da cidade, terminais a terminais ou regiões diferentes.

Já os aproximadamente 5,3 mil ônibus do subsistema local operaram normalmente. O subsistema local é composto por ônibus de menor porte, operados pelas empresas que surgiram de cooperativas de transportes, e que ligam bairro a bairro numa mesma região ou bairros distantes até terminais de ônibus ou estações de trem e metrô.

Apesar da quantidade de passageiros prejudicada, não houve registros de tumultos, tanto em terminais, estações e garagens, como quebra-quebra ou agressões.

De um lado as empresas de ônibus e prefeitura acusaram o Sindimotoristas de não cumprir a frota mínima estipulada pela Justiça de 80% nos horários de pico (das 6h00 às 9h00 e das 16h00 às 19h00) e 60% nas demais horas, sob pena de multa diária no valor de R$ 50 mil à entidade trabalhista.

O Sindicato dos Motoristas, por sua vez, alegou que as empresas e a SPTrans (São Paulo Transporte) não apresentaram plano operacional.

SITUAÇÃO ÀS 16H15, SEGUNDO A PREFEITURA E A SPTRANS:

A Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, informa que a paralisação de linhas de ônibus municipais foi encerrada às 15h20 desta terça-feira (14), após o prefeito Ricardo Nunes intermediar negociação entre trabalhadores e empresários.

O atendimento nas 713 linhas paralisadas está sendo retomado de forma gradativa e deverá se normalizar até o fim do dia. A SPTrans monitora o retorno da frota da cidade para minimizar os impactos na população.

A SPTrans lamenta o descumprimento da decisão liminar na Justiça do Trabalho que determinou a manutenção de 80% da frota operando nos horários de pico e 60% nos demais horários, e irá autuar as empresas pelo não cumprimento das viagens, que afetou os deslocamentos de 2,7 milhões de passageiros.

Neste momento, duas empresas já começaram a retornar à operação.

Relação de empresas cuja frota está circulando gradativamente

– Express (Zona Leste);
– Via Sudeste (Zona Sudeste);
– Gatusa (Zona Sul);

Relação de empresas com a operação paralisada em suas garagens:

– Santa Brígida (Zona Norte);
– Gato Preto (Zona Norte);
– Sambaíba (Zona Norte);
– Viação Metrópole (Zona Leste);
– Ambiental (Zona Leste);
– Campo Belo (Zona Sul);
– Viação Grajaú (Zona Sul);
– KBPX (Zona Sul);
– MobiBrasil (Zona Sul);
– Viação Metrópole (Zona Sul);
– Transppass (Zona Oeste); e
– Gato Preto (Zona Oeste).

Relação das empresas operando normalmente – Grupo Local de Distribuição

– Norte Buss (Zona Norte)
– Spencer (Zona Norte)
– Transunião (Zona Leste)
– UPBUS (Zona Leste)
– Pêssego (Zona Leste)
– Allibus (Zona Leste)
– Transunião (Zona Sudeste)
– MoveBuss (Zona Leste)
– A2 Transportes (Zona Sul)
– Transwolff (Zona Sul)
– Transcap (Zona Oeste)
– Alfa Rodobus (Zona Oeste)

 

As empresas cujos ônibus não foram colocados em circulação são:

– Santa Brígida (Zona Norte);

– Gato Preto (Zona Norte);

– Sambaíba (Zona Norte);

– Express (Zona Leste);

– Viação Metrópole (Zona Leste);

– Ambiental (Zona Leste);

– Via Sudeste (Zona Sudeste);

– Campo Belo (Zona Sul);

– Viação Grajaú (Zona Sul);

– Gatusa (Zona Sul);

– KBPX (Zona Sul);

– MobiBrasil (Zona Sul);

– Viação Metrópole (Zona Sul);

– Transppass (Zona Oeste); e

– Gato Preto (Zona Oeste).

As empresas que operaram normalmente (Grupo Local de Distribuição) foram:

– Norte Buss (Zona Norte)

– Spencer (Zona Norte)

– Transunião (Zona Leste)

– UPBUS (Zona Leste)

– Pêssego (Zona Leste)

– Allibus (Zona Leste)

– Transunião (Zona Sudeste)

– MoveBuss (Zona Leste)

– A2 Transportes (Zona Sul)

– Transwolff (Zona Sul)

– Transcap (Zona Oeste)

– Alfa Rodobus (Zona Oeste)

Veja as propostas:

– Terceira proposta (13 de junho)

Numa terceira proposta neste dia 13 de junho de 2022, as empresas ofereceram os 12,47% de reajuste nos salários e vale refeição pedidos pela categoria, só que a partir de outubro. Os trabalhadores querem a partir de maio, que é a data-base. Os motoristas e cobradores também insistem no PLR e 100% hora extra.

– Segunda proposta (09 de junho)

Na quinta-feira, 09 de junho de 2022, foi apresentada uma segunda proposta por parte das empresas de ônibus: 10% de reajuste salarial em parcela única em outubro.

– Primeira proposta (03 de junho)

A primeira proposta era de reajuste de 10% de reajuste e somente sobre os salários: 4% agora, 4% em setembro de 2% no fim do ano, que também não agradou a categoria.

Os motoristas chegaram a uma paralisação foi anunciada para 06 de junho de 2022, mas foi suspensa após uma audiência no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) para continuar as negociações.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/06/03/greve-de-onibus-em-sao-paulo-prevista-para-o-dia-06-de-junho-e-suspensa-por-retomada-de-negociacoes/

As reivindicações iniciais da categoria foram:

– Reajuste Salarial de 12,47%, mais aumento real;

– Vale Refeição de R$ 33,00 (unitário);

– Equiparação de todos os benefícios para os trabalhadores e trabalhadoras das empresas do sistema complementar (empresas novas);

– Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) de R$ 2.500,00;

– Fim das escalas com uma hora para refeição sem remuneração;

– Reajustes nos valores dos benefícios: Auxílio Funeral, Seguro de Vida, – Convênio Médico e Odontológico etc;

– Adequação das nomenclaturas do Plano de Carreira do Setor de Manutenção, equiparação salarial e promoção para funcionários e funcionárias Fora de Função.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes 

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