ENTREVISTAS: Mais três empresas que surgiram de cooperativas são investigadas no mesmo esquema da TransUnião, diz delegado

Ônibus da TransUnião apreendidos

 

Deic investiga lavagem de dinheiro em empresa de ônibus que surgiu de cooperativa na zona Zona Leste e suposta ligação de vereador a assassinato de Adauto Soares Jorge

ADAMO BAZANI/WILLIAN MOREIRA

OUÇA:

– Delegado geral da Polícia Civil de São Paulo, Oswaldo Nico Gonçalves

– Delegado Anderson Honorato dos Santos, do Deic

Ao menos outras três empresas de ônibus, que surgiram de cooperativas de transportes, são investigadas no mesmo esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado que é apurado na companhia TransUnião, alvo de uma operação do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) nesta quinta-feira, 09 de junho de 2022.

A informação é do delegado geral da Polícia Civil de São Paulo, Oswaldo Nico Gonçalves, em entrevista ao Diário do Transporte nesta tarde.

“Temos mais três empresas mexendo com isso, mas tudo depende de prova, ainda não podemos falar nomes porque as investigações estão sob sigilo. São do mesmo sistema de cooperativa que viraram S.A.” – disse Nico.

O delegado geral disse ainda que todo o dinheiro que entrar na empresa pelos ônibus apreendidos irá para uma conta administrada pelo poder público e que a Polícia vai enviar um relatório completo para a prefeitura estar a par das investigações.

Foram apreendidos 18 ônibus, sendo 14 que estavam operacionais e quatro em manutenção.

O delegado Anderson Honorato dos Santos, do Deic, departamento que investiga o crime organizado, responsável pelas investigações, disse que para não prejudicar a população, os ônibus serão devolvidos ao serviço nas ruas.

Entretanto, a Polícia vai pedir o bloqueio judicial da arrecadação pelos trabalhos destes veículos.

A empresa Transunião Transportes S.A, que teve origem na garagem 3 da cooperativa Associação Paulistana, além de operar o lote de Distribuição D 3 (Área Operacional Nordeste 1) assumiu parte da operação da área 5- Sudeste da capital paulista, referente ao subsistema local da região no lugar da Imperial Transportes Urbanos, que teve origem na cooperativa Nova Aliança.

São 524 ônibus da companhia.

Como mostrou o Diário do Transporte, os trabalhos deflagrados nesta quinta-feira, 09 de junho de 2022, são fruto de uma investigação que se iniciou com o assassinato em 04 de maio de 2020, de um dos diretores da empresa que teve origem em cooperativas de transportes, Adauto Soares Jorge, como mostrou o Diário do Transporte na ocasião.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/03/05/policia-apura-crime-de-mando-em-morte-de-diretor-da-transuniao/

Duas pessoas foram presas durante a operação nesta quinta-feira (09): Devanil Souza Nascimento (Sapo) e Jair Ramos de Freitas (Cachorrão)

A empresa Transunião Transportes S.A., que teve origem na garagem 3 da cooperativa Associação Paulistana, além de operar o lote de Distribuição D 3 (Área Operacional Nordeste 1) assumiu parte da operação da área 5- Sudeste da capital paulista, referente ao subsistema local da região no lugar da Imperial Transportes Urbanos, que teve origem na cooperativa Nova Aliança.

Um dos alvos também foi o vereador pelo PT, Senival Moura, que, segundo as investigações, possui 13 ônibus na TransUnião.

Os policiais entendem que o parlamentar pode ter ligação com a morte de Adauto Soares Jorge que, ainda segundo a Polícia, seria uma espécie de “testa de ferro” do vereador.

A Polícia apura que a TransUnião era usada para lavar dinheiro do crime organizado, tráfico de drogas e de uma facção criminosa que atua dentro e fora de presídios.

Em nota, a Polícia explica ainda que Adauto, entretanto, não estaria realizando o repasse de valores a contento para membros da facção,  motivo pelo qual foi desligado da empresa e teve a morte decretada pela organização criminosa.

Policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais  – DEIC deflagram nesta data a Operação PRODITOR, decorrente da apuração de crimes de homicídio, lavagem de dinheiro e organização criminosa, relacionados ao envolvimento do crime organizado com a direção da empresa Transunião, de transportes urbanos. A ação acontece na Capital e no município de Mogi das Cruzes.

É coordenada pela 2ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Crimes Patrimoniais de Intervenção Estratégica do Departamento, com o  cumprimento de oito mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão.

As investigações se iniciaram com a apuração da morte de Adauto Soares Jorge, ex Presidente citada empresa de transportes, executado em 04 de março de 2020, e descortinaram o envolvimento do  crime organizado com a empresa.

Foi apurado que a vítima era “testa de ferro” do vereador Senival Moura na direção da empresa, que era utilizada para a lavagem de dinheiro de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital). O próprio vereador era proprietário de 13 ônibus que prestavam serviços para a empresa, que tem contrato com a prefeitura da capital no valor de R$100 milhões anuais.

Adauto, entretanto,  não estaria realizando o repasse de valores a contento para membros do PCC,  motivo pelo qual foi desligado da empresa e teve o “salve” decretado pela organização criminosa.

No dia do crime, a vítima foi levada por Devanil  Souza Nascimento,  vulgo “Sapo”, motorista de Senival, para uma padaria, sendo executada logo após sua chegada, ainda no estacionamento do estabelecimento, por Jair Ramos de Freitas, vulgo “Cachorrão”, que após a prática do homicídio virou diretor da empresa.

Foi decretada judicialmente a prisão temporária de “Cachorrão” e “Sapo”, bem como buscas em endereços relacionados a eles, ao vereador e a outros investigados, incluindo o atual presidente da empresa, Lourival de França Monario. Foi determinada, ainda, a apreensão de 18 coletivos pertencentes aos investigados.

POSICIONAMENTOS:

O Diário do Transporte procurou a TransUnião, o vereador Senival Moura e a prefeitura de São Paulo.

– TRANSUNIÃO:

Ninguém foi localizado para comentar e nos telefones fixos, não há atendimento. O espaço continua aberto.

– SENIVAL MOURA:

Em nota, o vereador Senival Moura nega que tenha envolvimento com os fatos investigados pela Polícia.

Veja na íntegra:

Eu, Vereador Senival Moura venho me manifestar através desta nota pública sobre os acontecimentos noticiados em todos os meios de comunicação hoje.

Antes de comentar sobre os fatos ocorridos no dia de hoje quero reafirmar a minha história de atuação, liderança e organização do transporte alternativo na Cidade de São Paulo a qual tenho muito orgulho disso.

Sobre o Adauto Jorge Soares sinto até hoje essa perda, principalmente, pela forma cruel e violenta que foi.

Adauto junto comigo e vários outros companheiros lutamos pela regulamentação do transporte coletivo na Cidade de São Paulo. Entre o início da operação clandestina e a transformação em empresas passaram-se 30 anos.

Portanto, Adauto era um companheiro de luta, trabalhador e meu amigo.

Vale ressaltar que no momento da morte do Adauto, nem eu e nem ele tínhamos mais qualquer vínculo com a empresa Transunião S/A.

Essa manhã fui surpreendido por uma operação policial em minha casa, mas quero aqui reafirmar  que eu não tenho nenhum envolvimento com as ações    que estão sendo noticiadas. Entretanto eu estou a disposição da justiça para quaisquer esclarecimentos , eu que sou formado em direito confio plenamente na justiça e sou um defensor do Estado Democrático de Direito.

Por fim, passarei por esse momento com a mesma serenidade, tranquilidade e consciência tranquila que sempre nortearam a minha vida.

Ver. Senival Moura

PREFEITURA DE SÃO PAULO:

Em nota ao Diário do Transporte, a SPTrans diz que mesmo com a apreensão dos ônibus, não houve impactos na operação

A Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, informa que a TransUnião tem frota de 564 veículos. No momento, não há alteração na operação do sistema. A população que depende do serviço, em média 315 mil pessoas, segue sendo plenamente atendida.  As linhas operadas pela empresa estão operando normalmente.

A Secretaria Executiva de Mobilidade e Transportes (SETRAM) e da SPTrans não foram informadas formalmente a respeito do teor das investigações na Transunião, entretanto vai acompanhar e colaborar com a polícia em tudo que for solicitada.

A Transunião é concessionária operadora do transporte público, após ter vencido processo licitatório público. Os contratos, válidos por 15 anos a partir de 2019, estão disponíveis no site de Acesso à Informação, no link https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/mobilidade/acesso_a_informacao/index.php?p=284142.

UPBUS:

A reportagem mostrou que são investigadas outras empresas com origem em cooperativa, como a UPBus, onde ocorreu uma operação na semana passada.

Em 02 de junho de 2022, a Polícia Civil apreendeu armas, munições, computadores e documentos na UPBus, operadora da zona Leste de São Paulo.

O Denarc (Departamento de Narcóticos) da Polícia Civil de São Paulo está convencido que uma empresa de ônibus com origem em cooperativa de transportes do sistema urbano da capital paulista fazia lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e tinha membros ligados a uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/06/02/ouca-policia-civil-apura-que-upbus-fazia-lavagem-de-dinheiro-do-trafico-de-drogas-e-apreende-armamento-com-pessoas-ligadas-a-empresa-de-onibus/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Willian Moreira, em colaboração especial para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Regis Campos disse:

    Lembrando novamente que esse esquema começou na gestão petista de Marta Suplicy e dos Irmãos Tatto. Onde houver um esquema criminoso dentro da máquina estatal, lá estará um petista ou um dos seus associados.

  2. carlos souza disse:

    Qualquer partido.São todos iguais.Só votando nulo e rompendo com essa pôha de universo mesmo.Cada um por si e o resto que se phyodhy@.Direita,esquerda,centro ou o que quer que fosse,só dá mehrdhy@.Por que?Ênquanto essa mehrdhy@ de voto obrigatório não acabar e não houver eleições só com candidaturas avulsas e chapas individuais,,essa mehrdhy@ nunca vai acabar e quem se phyodhe é o povo.

  3. carlos souza disse:

    E continua com o atual prefeito,da mesma quadrilha do vampiresco criminoso,vulgo Treme-Tremer.Impeachment foi pouco.Cassação da chapa e intervenção judiciária,ou seja,o Poder Judiciário assumindo tudo em definitivo até a posse de um governo eleito por eleições regulares,oficiais,voto 100% facultativo e só com chapas individuais e avulsas seria o correto.Referendo revogatório geral,como na Bolívia,seria o correto.Ah.E o Maluf(Udido) que roubou uma k-h@y@dA de dinheiro,o que explica o fim da CMTC?São todos iguais.Só mandando o resto do universo criminoso e ilegal,e consequentemente,esse sistema criminos,mentiroso,fraudulento e ilegal pra poothy@ kypahyw mesmo.

  4. Carlos disse:

    Isso não é novidade pra ninguém, até o sindicato dos motoristas esta nas mãos do crime organizado. Só o MP não sabe ou se daz de besta. Basta ver, que sempre que há eleições para presidente do sindicato, tem várias mortes de adversários.

  5. Francisco Alves disse:

    Pois é, logo essas investigações vão chegar a Praça do Três Poderes, deve ter gente por lá que já esta com a barba de molho, não posso dizer com o cabelo em pé. Kkkkkkk
    Todo mal que se faz aos outros sempre retorna em dobro.

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