Metrô e CPTM firmam convênio para projeto de intervenção urbana do polo intermodal Barra Funda
Publicado em: 3 de junho de 2022
Em julho de 2021 o Metrô de SP contratou por R$ 98 mil uma empresa de consultoria para realizar estudos para a exploração comercial da Estação e terrenos no seu entorno pertencentes às duas estatais
ALEXANDRE PELEGI
A Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô, a São Paulo Urbanismo – Spurbanismo e a CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, firmaram no dia 26 de maio de 2022 um convênio de Cooperação técnica e institucional destinado a desenvolver o PIU Barra Funda.
O PIU – Projeto de Intervenção Urbana é um estudo técnicos necessário a promover o ordenamento e a reestruturação urbana em áreas subutilizadas e com potencial de transformação na cidade de São Paulo.
Na edição do Diário Oficial do Estado (D.O.E.) desta sexta-feira, 03 de junho de 2022, a CPTM publicou um extrato do Convênio.
Nessa quinta-feira (02), em nota encaminhada ao Diário do Transporte, a CPTM informou que o convênio em parceria com o Metrô “tem como objetivo a elaboração de um projeto de revitalização em toda a área do prédio da Estação Palmeiras-Barra Funda com o objetivo de torná-la um polo comercial, além de melhorar o conforto dos passageiros.
O projeto será desenvolvido pela iniciativa privada. CPTM e Metrô estão neste momento em processo de obtenção das devidas diretrizes com a Prefeitura de São Paulo”.
Já na publicação do Extrato do Convênio no D.O.E. desta sexta, a Companhia traz mais detalhes:
“O objetivo é reorganizar e qualificar o espaço público no entorno do Terminal Barra Funda; ampliar e melhorar as condições de transposição da barreira ferroviária, melhorando o acesso ao terminal e promovendo a mobilidade ativa e a integração dos usos do espaço público do entorno com os usos principais e acessórios do complexo; transformar, ampliar e modernizar o complexo intermodal para abrigar novas atividades e usos acessórios; e fortalecer o caráter do entorno do terminal como uma centralidade regional de serviços”.
MODELAGEM DA CONCESSÃO COMERCIAL
No dia 1º de julho de 2021 a Companhia do Metrô contratou por R$ 98 mil, após licitação, a empresa Contacto Consultores Associados para o fornecimento de elementos técnicos, econômicos e jurídicos com vistas à exploração da Estação Palmeiras-Barra Funda e terrenos no seu entorno de propriedade.
Ainda de acordo com o contrato, a consultoria deveria elaborar estudo para exploração imobiliária contemplando as áreas à norte da estação, e deveria ainda “elaborar estudo para exploração comercial contemplando as áreas internas à estação intermodal, em área paga e não paga, terminal rodoviário, terminal urbano e terminal turístico”.
Como mostrou o Diário do Transportes, o Terminal Intermodal da Estação Palmeiras – Barra Funda, de propriedade da Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô, e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM, está sendo objeto de estudos para concessão para exploração comercial pela iniciativa privada desde 2019.
Em agosto daquele ano, as duas companhias abriram a fase de consulta pública para o empreendimento. Relembre: Metrô e CPTM abrem consulta pública para concessão de uso do Terminal Palmeiras-Barra Funda
Em comunicado oficial na época, as duas companhias informavam que a consulta visava obter contribuições e manifestações “quanto à viabilidade da proposta de Concessão de Uso para Construção, Reforma e Exploração Comercial do Polo Intermodal da Estação Palmeiras-Barra Funda e de seu Entorno, inclusive, mas não se limitando à análise vocacional da área, considerando, como retorno de seu investimento, as receitas que serão obtidas através da exploração comercial dos empreendimentos associados e espaços comerciais a serem construídos. As Companhias avaliarão sugestões, contribuições e propostas a fim de estruturar, a partir delas, os subsídios que nortearão o correspondente edital”.
Para nortear a concessão, o próprio Metrô divulgou em seu site cinco documentos contendo estudos e análises iniciais sobre a proposição. Dentre as propostas iniciais, estão desde a possibilidade de cobertura fotovoltaica, construção de hotel e uma completa reorganização dos fluxos dentro e fora da estação.
O primeiro documento, por exemplo, fornece o estudo de volumetria preliminar, e traz as oportunidades de exploração de receita não tarifária, por meio de empreendimentos associados, modificações no mezanino e cobertura da estação. Tais ações teriam como resultados a melhoria do conforto e do deslocamento dos passageiros, além do aumento potencial de ganhos com aluguéis de espaços comerciais.
Este trabalho, feito por um grupo de consultores da Egis/AREP, a pedido da Agência Francesa de Desenvolvimento, CODATU e Secretaria dos Transportes Metropolitanos do Governo do Estado de São Paulo, traz o projeto de pré-viabilidade de integração modal, reestruturação e desenvolvimento urbano sustentável do polo de transporte da estação.
O projeto proposto corresponde ao diagnóstico realizado em três escalas:
- na escala da estação, o objetivo é a reorganização dos fluxos para melhoria da acessibilidade e maior eficiência da integração modal;
- na escala do Polo Multimodal, propõe-se estreitar os laços entre a estação e seu entorno: utilizar a estação como uma ponte conectando o norte e o sul;
- na escala metropolitana, o objetivo é criar uma centralidade na Barra Funda, com uma identidade forte.
O Terminal Intermodal da Estação Palmeiras – Barra Funda, localizado na Zona Oeste da capital paulista, situa-se em um complexo viário que comporta o sistema urbano de ônibus municipais e intermunicipais, as linhas 7-Rubi e 8-Diamante da CPTM, a Linha 3 Vermelha do Metrô-SP, e o terminal rodoviário, que transporta diariamente 40 mil pessoas em viagens intermunicipais e interestaduais, com linha internacional com viagens até a Bolívia.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



Será que se esqueceram de prever a possível (e necessária!) chegada do Trem de Alta Velocidade a essa estação intermodal? Perguntar mão ofende, heim!