ENTREVISTA: Greve de ônibus em São Paulo é aprovada para o dia 06 de junho em assembleias nas garagens, diz Valdevan Noventa

Atos atrasaram saída dos ônibus na capital paulista nesta quarta (1º); SPTrans vai autuar viações

ADAMO BAZANI

OUÇA:

Os motoristas e cobradores de ônibus da cidade de São Paulo aprovaram em assembleias nas garagens a realização de uma greve para a próxima segunda-feira, 06 de junho de 2022, caso as reivindicações trabalhistas da categoria não sejam atendidas ou não haja uma contraproposta que considerem satisfatória.

A informação é do presidente do Sindmotoristas, sindicato que representa a categoria, Valdevan Noventa, em entrevista ao Diário do Transporte no fim da madrugada desta quarta-feira, 1º de junho de 2022, quando ocorreram estas assembleias.

Os atos atrasaram a saída dos ônibus dos subsistemas estrutural e de articulação regional, que são as chamadas empresas tradicionais que operam os coletivos de maior porte. Todas já voltaram a operar, mas demora um tempo para normalização total.

Segundo Noventa, só não aderiram às assembleias as garagens da Ambiental Transportes (zona Leste), a Garagem 1 da Sambaíba (zona Norte) e a Express Transportes (zona Leste), além das companhias que surgiram de cooperativas

“Reprovamos a proposta apresentada pelo poder público de 10% de reajuste e somente sobre os salários: 4% agora, 4% em setembro de 2% no fim do ano” – disse

O pedido da categoria é de reajuste salarial de 12,47%, mais aumento real; participação nos lucros e aumentos em benefícios (veja mais abaixo a pauta completa).

Como mostrou o Diário do Transporte, o desembargador Davi Furtado Meirelles, do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo determinou que ao menos 80% dos ônibus na capital paulista circulem nos horários de pico (das 6h às 9h e das 16h às 19h) e 60% nas demais horas em caso de assembleias nas garagens na madrugada desta quarta-feira, 1º de junho de 2022, e numa eventual greve de motoristas e cobradores anunciada para a próxima segunda-feira, 06 de junho de 2022.

A decisão é desta terça-feira, 31 de maio de 2022, e, atendendo à gerenciadora de transportes da cidade de São Paulo (SPTrans – São Paulo Transporte) estende a estes dois dias decisão que também determinou frota mínima nas manifestações anunciadas para o dia 25 de maio nos terminais que acabaram não ocorrendo.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/05/31/greve-de-onibus-em-sao-paulo-justica-determina-frota-minima-nesta-quarta-1o-e-segunda-06/

Sobre a frota mínima, Noventa disse que a paralisação foi somente nos momentos das assembleias.

“Soltamos os carros [ônibus] até às 4h, depois ficamos uma hora parados, os trabalhadores não tinham como fazer assembleia com a frota rodando. Houve essa manifestação de uma hora para fazer essa a assembleia” – explicou informando que a partir das 5h, os primeiros ônibus começaram a ser liberados.

Noventa ainda disse que as empresas não comparecerem às negociações e que o índice foi apresentado pela SPTrans (São Paulo Transporte), que gerencia o sistema.

Segundo a gestora, as empresas responsáveis pelas linhas serão autuadas pelas viagens não realizadas.

Veja nota completa

A SPTrans informa que está monitorando as garagens de ônibus e o início da operação das linhas diurnas de ônibus da cidade de São Paulo. Às 6h desta quarta-feira, 1º de junho, a operação da frota está normalizada na cidade, após atraso na saída dos veículos em 13 viações. As empresas responsáveis pelas linhas serão autuadas pelas viagens não realizadas no início da manhã.

A SPTrans obteve decisão liminar na Justiça do Trabalho, na noite de ontem, 31 de maio, que determinou a manutenção de 80% da frota operando nos horários de pico e 60% nos demais horários, sob pena de multa diária de R$ 50 mil. A SPTrans acompanha as negociações trabalhistas entre os operadores de ônibus e as empresas concessionárias e espera que haja entendimento entre as partes e que a população de São Paulo não seja prejudicada.

Relação de empresas retornando à operação

– Santa Brígida (Zona Norte);
– Gato Preto (Zona Norte);
– Sambaíba (Zona Norte);
– Express (Zona Leste);
– Viação Metrópole (Zona Leste);
– Via Sudeste (Zona Sudeste);
– Campo Belo (Zona Sul);
– Gatusa (Zona Sul);
– KBPX (Zona Sul);
– MobiBrasil (Zona Sul); 
– Viação Metrópole (Zona Sul);
– Transppass (Zona Oeste); e
– Gato Preto (Zona Oeste).

Relação de empresas operando normalmente

– Ambiental (Zona Leste);
– Grajaú (Zona Sul);
– Spencer (Zona Norte);
– Norte Buss (Zona Norte);
– Transunião (Zona Leste);
– UPBUS (Zona Leste);
– Pêssego (Zona Leste);
– Allibus (Zona Leste);
– A2 (Zona Sul);
– Transwolff (Zona Sul);
– Transcap (Zona Oeste); e
– Alfa Rodobus (Zona Oeste).

Estas companhias atendem a todas as regiões da cidade.

As reivindicações da categoria são:

– Reajuste Salarial de 12,47%, mais aumento real;

– Vale Refeição de R$ 33,00 (unitário);

– Equiparação de todos os benefícios para os trabalhadores e trabalhadoras das empresas do sistema complementar (empresas novas);

– Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) de R$ 2.500,00;

– Fim das escalas com uma hora para refeição sem remuneração;

– Reajustes nos valores dos benefícios: Auxílio Funeral, Seguro de Vida, – Convênio Médico e Odontológico etc;

– Adequação das nomenclaturas do Plano de Carreira do Setor de Manutenção, equiparação salarial e promoção para funcionários e funcionárias Fora de Função.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

Deixe uma resposta