Mesmo com novo aumento do diesel, prefeitura de SP diz que mantém “disposição de não reajustar a tarifa de ônibus”

Ônibus em São Paulo

Esperança é aprovação de projeto que prevê financiamento de gratuidades a idosos pelo Governo Federal, mas cronograma está atrasado

ADAMO BAZANI

A prefeitura de São Paulo descartou, pelo menos neste momento, um reajuste de tarifa de ônibus mesmo com novo aumento do óleo diesel que, nesta terça-feira (10), subiu 8,9% nas refinarias. Somente neste ano de 2022, o combustível subiu 47%.

Em resposta aos questionamentos do Diário do Transporte, a gestão Ricardo Nunes informou nesta terça-feira, 10 de maio de 2022, que “mantém a disposição de não reajustar a tarifa” de ônibus.

O diesel é o segundo maior custo das operações de ônibus no Brasil, perdendo apenas para os salários dos funcionários. O peso do combustível nos custos totais que era de cerca de 20%, agora oscila entre 25% e 30% depois dos reajustes constantes.

A esperança da prefeitura é a aprovação do PL 4.392/2021, de iniciativa dos senadores Nelsinho Trad (PSD-MS) e Giordano (MDB-SP), que prevê que o Governo Federal subsidie a gratuidade para pessoas com 65 anos ou mais em ônibus, trens e metrô em todo País.

O projeto foi aprovado pelo Senado, vai receber modificações na Câmara e, se aprovado pelos deputados, por causa das alterações, volta ao Senado.

Após isso, precisa da sanção do presidente Jair Bolsonaro.

Todo esse processo foi prometido para ser concluído em abril, mas praticamente na metade de maio, ainda não há uma definição de datas.

O programa vai durar três anos e vai envolver recursos total de cerca de R$ 15 bilhões, sendo R$ 5 bilhões por ano.

Na nota ao Diário do Transporte, a prefeitura ainda informou que “o prefeito Ricardo Nunes continua pessoalmente empenhado na busca de uma solução para evitar o reajuste da tarifa de ônibus”.

A prefeitura ainda diz que procura alternativas de entrada de dinheiro no sistema de ônibus que não seja somente pelas tarifas. Uma das ideias é a veiculação de propaganda nos coletivos e terminais que poderia render “até R$ 500 milhões anuais”

Veja a nota na íntegra:

A Prefeitura, por meio da Secretaria Especial de Comunicação (Secom), reafirma que mantém a disposição de não reajustar a tarifa, confiando que o texto aprovado pelo Senado será referendado pela Câmara dos Deputados.

O prefeito Ricardo Nunes continua pessoalmente empenhado na busca de uma solução para evitar o reajuste da tarifa de ônibus, que prejudica a população e pressiona também os índices de inflação, apesar do aumento dos custos do sistema. Apenas no ano passado, o valor do Diesel aumentou 65%, agravado por novos reajustes aprovados recentemente pela Petrobrás.

Mesmo com a discussão avançada no Congresso, a Prefeitura continua trabalhando para encontrar receitas alternativas que ajudem reduzir o impacto do aumento de custos do sistema de transporte público. Uma avaliação é sobre a utilização de espaços nos ônibus municipais para expor peças publicitárias, com projeção de arrecadar até R$ 500 milhões anuais, o que poderia ser revertido para subsidiar os custos e gratuidades do sistema de ônibus.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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